{"id":6952,"date":"2006-04-12T17:26:00","date_gmt":"2006-04-12T17:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6952"},"modified":"2006-04-12T17:26:00","modified_gmt":"2006-04-12T17:26:00","slug":"na-festa-da-vida-projectos-de-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/na-festa-da-vida-projectos-de-morte\/","title":{"rendered":"Na festa da vida, projectos de morte?"},"content":{"rendered":"<p>De uma maneira viva e irrespond\u00edvel, os bispos de Espanha, em documento recente sobre a \u201creprodu\u00e7\u00e3o humana artificial\u201d, assim lhe chamam, denunciam que \u201co embri\u00e3o humano recebe uma tutela legal menor do que aquela que se d\u00e1 aos embri\u00f5es de certas esp\u00e9cies animais protegidas\u201d. Faz pensar, a tal ponto chegou o laicismo do Estado.<\/p>\n<p>Por estes dias de P\u00e1scoa, a festa da vida, o problema tamb\u00e9m se vem pondo entre n\u00f3s, com preocupa\u00e7\u00e3o de muita gente que luta por uma sociedade que respeite a vida. O legislador escuda-se na maioria parlamentar para assegurar a vit\u00f3ria antecipada. Mau caminho, em mat\u00e9ria t\u00e3o delicada e grave. N\u00e3o podemos, nem queremos habituar-nos a aceitar a ligeireza com que se v\u00e3o abordando problemas s\u00e9rios, com vista a novas leis.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201creprodu\u00e7\u00e3o medicamente assistida\u201d \u2014 assim lhe chamamos n\u00f3s \u2014, n\u00e3o se pede agora sen\u00e3o que, e este pedido \u00e9 mais do que leg\u00edtimo, se d\u00ea tempo e espa\u00e7o para que as pessoas sejam esclarecidas, vejam, em todas as suas dimens\u00f5es, o alcance das decis\u00f5es poss\u00edveis, e possam reagir livremente.<\/p>\n<p>N\u00e3o basta falar do vazio legal sobre o tema e aproveitar a mar\u00e9 para preencher este vazio de uma maneira menos adequada. Se \u00e9 grande o vazio legal, a culpa n\u00e3o \u00e9, nem do povo, nem dos embri\u00f5es, previamente condenados \u00e0 morte. \u00c9 o \u00f3rg\u00e3o legislador que tem de se interrogar, porque o povo est\u00e1 farto do parlamentarismo \u00e0 s\u00e9culo XIX, em troca da aten\u00e7\u00e3o, estudo e reflex\u00e3o, sobre assuntos do seu interesse.<\/p>\n<p>Consta que tudo se tentava decidir, se \u00e9 que n\u00e3o se continua na mesma, na calada dos arranjos da noite partid\u00e1ria e na distrac\u00e7\u00e3o de um povo, cada vez mais alheio \u00e0 pol\u00edtica, porque, com futebol, jogos e novelas televisivos se d\u00e1 por satisfeito, se n\u00e3o o acordarem. Por isso mesmo, os atentos s\u00e3o considerados cada vez mais inc\u00f3modos num povo anestesiado e alheio a coisas essenciais.<\/p>\n<p>Sabemos que h\u00e1 muitas esposas desejosas de procriar e mulheres solteiras ansiosas por um beb\u00e9, sem o inc\u00f3modo de terem de o gerar. Para as primeiras, h\u00e1 caminhos j\u00e1 tra\u00e7ados; para as segundas, n\u00e3o vemos que caminhos leg\u00edtimos, porque uma crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 um brinquedo de luxo, e tem direitos que n\u00e3o se casam com caprichos e emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cO embri\u00e3o, l\u00ea-se no documento dos bispos vizinhos, merece o direito devido \u00e0 pessoa humana, porque n\u00e3o \u00e9 uma coisa, nem um mero agregado de c\u00e9lulas vivas, mas o primeiro est\u00e1dio da exist\u00eancia de um ser humano.\u201d <\/p>\n<p>N\u00e3o respeitar o embri\u00e3o, embora se lhe d\u00eaem outros nomes para acalmar a consci\u00eancia, \u00e9 abrir portas a formas que podem ir da procria\u00e7\u00e3o \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o, a fins cosm\u00e9ticos ou outros de igual teor. Procria\u00e7\u00e3o, investiga\u00e7\u00e3o, ind\u00fastria e neg\u00f3cio s\u00e3o termos que, no caso presente, se colam. Mesmo com leis que se dizem reguladoras de abusos, a \u00e2nsia de ir \u00e0 frente na investiga\u00e7\u00e3o e de tirar proveito material desta ind\u00fastria tem sempre patronos, dentro e fora do sistema.<\/p>\n<p>Os pol\u00edticos, menos esclarecidos e pouco seguros, gostam de aproveitar, quando n\u00e3o mesmo de provocar, o facto consumado, que torna, depois, mais dif\u00edcil o recuo. O facto consumado sempre foi uma estrat\u00e9gia marxista, para depois se poder gritar pelo respeito devido a direitos adquiridos. Todos sabemos que assim \u00e9, e a\u00ed est\u00e1 a prov\u00e1-lo a Constitui\u00e7\u00e3o, votada em circunst\u00e2ncias que nada t\u00eam a ver com a realidade democr\u00e1tica de hoje, intoc\u00e1vel em aspectos fundamentais, mas mut\u00e1vel, ao sabor de interesses e arranjos partid\u00e1rios. N\u00e3o \u00e9 caso \u00fanico nesta estrat\u00e9gia antidemocr\u00e1tica, dominada pelo medo de perder, sempre que no jogo as regras s\u00e3o claras.<\/p>\n<p>Celebra-se a festa da vida. A P\u00e1scoa \u00e9 isso mesmo. Sonham-se, entretanto, projectos de morte: o aborto prometido, o div\u00f3rcio agilizado, o embri\u00e3o destru\u00eddo\u2026 Pode a Igreja calar-se, quando a pessoa humana \u00e9 espezinhada, sem se poder defender? Nunca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De uma maneira viva e irrespond\u00edvel, os bispos de Espanha, em documento recente sobre a \u201creprodu\u00e7\u00e3o humana artificial\u201d, assim lhe chamam, denunciam que \u201co embri\u00e3o humano recebe uma tutela legal menor do que aquela que se d\u00e1 aos embri\u00f5es de certas esp\u00e9cies animais protegidas\u201d. Faz pensar, a tal ponto chegou o laicismo do Estado. 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