{"id":6958,"date":"2006-04-27T11:25:00","date_gmt":"2006-04-27T11:25:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6958"},"modified":"2006-04-27T11:25:00","modified_gmt":"2006-04-27T11:25:00","slug":"pessoa-ou-anonimo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/pessoa-ou-anonimo\/","title":{"rendered":"Pessoa&#8230; ou an\u00f3nimo?"},"content":{"rendered":"<p>Que querem os homens? Clonagem, aborto, excedentes de c\u00e9lulas embrion\u00e1rias, fecunda\u00e7\u00e3o assistida\u2026 Mas ser\u00e1 mesmo a Humanidade a querer estas coisas? A ci\u00eancia de que precisamos, para debelar as complicadas doen\u00e7as dos nossos dias (criadas tamb\u00e9m por n\u00f3s!), para dar \u00e0s pessoas qualidade de vida, para aumentar a longevidade\u2026 precisa de entrar por esses meandros de pretens\u00f5es criadoras, sem respeito pela pr\u00f3pria ordem biol\u00f3gica? <\/p>\n<p>\u00c9 claro que, a par com uma investiga\u00e7\u00e3o humanista, s\u00e9ria, que se maravilha com o mist\u00e9rio da vida e a deseja compreender cada vez mais profundamente &#8211; o que \u00e9 leg\u00edtimo &#8211; pululam, como cogumelos, n\u00facleos de \u201ciluminados\u201d, que desejam \u201cencurralar\u201d Deus na insignific\u00e2ncia, \u201clibertar\u201d a pessoa humana de todas as \u201ccren\u00e7as\u201d que lhe tolham os horizonte, n\u00e3o produzindo mais do que uma mentalidade e opini\u00e3o p\u00fablica destrutora da mesma pessoa humana, pois a reduz a material de laborat\u00f3rio, utilitarista e descart\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u00c9 o desespero de se n\u00e3o reconhecer como criatura, grato pelo dom magn\u00edfico da vida e do mundo, cuja responsabilidade de aperfei\u00e7oamento nos cabe. \u00c9 a raiva de querer dissecar o corpo e a alma, \u00e9 a paran\u00f3ia de querer reduzir o que somos \u00e0s combina\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas, retirando-nos a capacidade de nos ultrapassarmos pelo pensamento, pelos afectos, pelos sentimentos, pelas intui\u00e7\u00f5es\u2026<\/p>\n<p>O Poeta da vida era mais um cad\u00e1ver na sala de anatomia, exposto ao bisturi dos alunos e aos coment\u00e1rios \u201cs\u00e1bios\u201d, mas desumanos, dos professores. N\u00e3o fora a resist\u00eancia persistente do jovem caloiro, obcecado em descobrir que vida estava por tr\u00e1s daquele corpo g\u00e9lido, e nunca teriam descoberto que, afinal, fora o grande mestre dessa mesma escola de medicina.<\/p>\n<p>Foi preciso entrar no mundo dos psic\u00f3ticos, fazer empatia com os sem abrigo, para descobrir que, naquele suporte material agora cad\u00e1ver, vibrou muita vida, passou muita ci\u00eancia, misturaram-se muitos sentimentos, pairaram muitas ang\u00fastias. Daquelas m\u00e3os sa\u00edram muitas interven\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas que deram vida; daquela cabe\u00e7a, jorraram torrentes de forma\u00e7\u00e3o para muitos daqueles que, agora, o dissecariam como an\u00f3nimo.<\/p>\n<p>Leiam a Saga do Pensador, de Augusto Cury. Descobrir\u00e3o, com certeza, que o ser humano n\u00e3o se esgota na sala de anatomia, nem no mais sofisticado laborat\u00f3rio. Aprender\u00e3o que mesmo os desarranjos biol\u00f3gicos e psicol\u00f3gicos s\u00e3o portadores de imensas surpresas positivas &#8211; formas ricas, mesmo superiores de vida! <\/p>\n<p>Perceber\u00e3o, seguramente, que a vida humana, mesmo morta, d\u00e1 muito mais li\u00e7\u00f5es do que as de anatomia. E talvez comecem a respeit\u00e1-la de outra forma, como os colegas e mestres do jovem estudante! Pode mesmo acontecer que se conven\u00e7am de que vale a pena servir a vida, libertando-a, em vez de a manipular.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que querem os homens? Clonagem, aborto, excedentes de c\u00e9lulas embrion\u00e1rias, fecunda\u00e7\u00e3o assistida\u2026 Mas ser\u00e1 mesmo a Humanidade a querer estas coisas? A ci\u00eancia de que precisamos, para debelar as complicadas doen\u00e7as dos nossos dias (criadas tamb\u00e9m por n\u00f3s!), para dar \u00e0s pessoas qualidade de vida, para aumentar a longevidade\u2026 precisa de entrar por esses meandros [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-6958","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6958","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6958"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6958\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6958"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6958"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6958"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}