{"id":7001,"date":"2006-04-27T16:09:00","date_gmt":"2006-04-27T16:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7001"},"modified":"2006-04-27T16:09:00","modified_gmt":"2006-04-27T16:09:00","slug":"redencao-pela-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/redencao-pela-arte\/","title":{"rendered":"Reden\u00e7\u00e3o pela arte"},"content":{"rendered":"<p>\u201cA arte pode ser uma via contra o medo que frustra e paralisa\u201d, defendeu D. Manuel Clemente, em confer\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 problem\u00e1tico falar de arte crist\u00e3\u201d. Mas \u00e9 igualmente \u201cimposs\u00edvel evitar falar de arte crist\u00e3\u201d. \u201cH\u00e1 uma tens\u00e3o irresol\u00favel que tem de se manter\u201d, porque \u201ca encarna\u00e7\u00e3o de Deus-Filho legitimou a materializa\u00e7\u00e3o imag\u00e9tica\u201d. As express\u00f5es s\u00e3o de D. Manuel Clemente, na noite do dia 20 de Abril, no edif\u00edcio da antiga Capitania, perante uma plateia muito interessada. A confer\u00eancia integrou-se na exposi\u00e7\u00e3o de arte moderna \u201cO sentido da vida: que horizontes?\u201d, que decorreu at\u00e9 domingo passado nesse edif\u00edcio.<\/p>\n<p>O Bispo Auxiliar de Lisboa considerou que, apesar de ser \u201cproblem\u00e1tica a adjectiva\u00e7\u00e3o dos derivados de Cristo\u201d [\u201carte crist\u00e3\u201d, \u201cm\u00fasica crist\u00e3\u201d, \u201cciviliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3\u201d e at\u00e9 \u201cvida crist\u00e3\u201d], porque \u201cCristo \u00e9 maior do que qualquer circunst\u00e2ncia\u201d, podemos usar com reservas a express\u00e3o \u201carte crist\u00e3\u201d, embora fosse prefer\u00edvel falar de \u201cCristo na arte\u201d. E lembrou a crise dos iconoclastas, isto \u00e9, \u201cdestruidores de imagens\u201d, que, no s\u00e9c. VII, no Imp\u00e9rio Romano do Oriente (na zona da actual Gr\u00e9cia e Turquia), destru\u00edam os \u00edcones, por considerarem que as realidades divinas n\u00e3o podiam ser representadas por imagens, princ\u00edpio que \u00e9 levado ao extremo no juda\u00edsmo e no islamismo (e em algum protestantismo). No ano 787, no segundo Conc\u00edlio de Niceia (na actual Turquia), as imagens seriam reabilitadas, porque, se Cristo assumiu a natureza humana (encarna\u00e7\u00e3o), assumiu uma imagem. Os iconoclastas foram derrotados e a express\u00e3o art\u00edstica de Cristo e dos mist\u00e9rios da f\u00e9 ganhou cidadania.<\/p>\n<p>Notando a valoriza\u00e7\u00e3o da arte ocidental a partir do Renascimento, por parte de Jo\u00e3o Paulo II, para quem a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica \u00e9 \u201cuma esp\u00e9cie de centelha divina\u201d, D. Manuel Clemente sublinhou que, hoje, \u201cn\u00e3o podemos pensar na morte nem no nascimento ou na vida sem uma refer\u00eancia a Cristo\u201d, porque Ele est\u00e1 enraizado na cultura portuguesa. Como exemplo desse enraizamento, o prelado referiu algumas express\u00f5es do caminho doloroso de Jesus Cristo que entraram na linguagem corrente: \u201cparece um pobre Cristo\u201d, \u201cchora que nem uma Madalena\u201d, \u201clevar a cruz\u201d, \u201cCalv\u00e1rio da vida\u201d, entre muitas outras.<\/p>\n<p>Beleza redentora<\/p>\n<p>D. Manuel Clemente, que \u00e9 tamb\u00e9m presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Cultura, afirmou que \u201ca pastoral da arte \u00e9 fundamental, como a da contempla\u00e7\u00e3o\u201d. Por\u00e9m, nesse campo, \u201cnem come\u00e7\u00e1mos ainda\u201d. \u201cEstamos muito incipientes, muito exortativos, muito moralizantes\u201d, disse, sublinhando que a arte pode ser uma via contra \u201co medo que frustra e paralisa\u201d, pode \u201cdar raz\u00f5es da esperan\u00e7a\u201d, na medida em que \u201cfor interpelativa\u201d. Ou, como escreveu o romancista russo Dostoi\u00e9vski, citado, \u201ca beleza salvar\u00e1 o mundo\u201d. Mas que beleza? A frase, dita por D. Manuel Clemente, ficou a ecoar nas conversas dos ouvintes, ap\u00f3s a confer\u00eancia: \u201cA beleza que salva o mundo \u00e9 o amor que partilha a dor\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Paulo II, Papa amigo dos artistas<\/p>\n<p>Citando v\u00e1rias vezes a \u201cCarta aos Artistas\u201d, de Jo\u00e3o Paulo II, D. Manuel Clemente considerou que o Papa Wojtyla foi audaz ao valorizar, de um ponto de vista crist\u00e3o, a arte ocidental a partir do Renascimento. T\u00e3o audaz que alguns artistas crist\u00e3os p\u00f5em retic\u00eancias \u00e0 pretens\u00e3o wojtyliana. O que disse afinal o Papa? Entre outras, estas duas frases citadas pelo bispo lisboeta: \u201cO que vai caracterizando cada vez mais tal arte, sob o impulso do Humanismo e do Renascimento e das sucessivas tend\u00eancias da cultura e da ci\u00eancia, \u00e9 um crescente interesse pelo homem, pelo mundo, pela realidade hist\u00f3rica. Esta aten\u00e7\u00e3o, por si mesma, n\u00e3o \u00e9 de modo algum um perigo para a f\u00e9 crist\u00e3, centrada sobre o mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o e, portanto, sobre a valoriza\u00e7\u00e3o do homem por parte de Deus\u201d. (\u201cCarta aos Artistas\u201d, 4 de Abril de 1999. n\u00ba 9)<\/p>\n<p>Sobre a arte moderna e contempor\u00e2nea, por vezes aparentemente t\u00e3o distante do que poderia ser considerado arte crist\u00e3, Jo\u00e3o Paulo II escreve: \u201cMesmo quando perscruta as profundezas mais obscuras da alma ou os aspectos mais desconcertantes do mal, o artista torna-se, de qualquer modo, voz da esperan\u00e7a universal de reden\u00e7\u00e3o\u201d. (n\u00ba 10).<\/p>\n<p>Valores evang\u00e9licos em obras contempor\u00e2neas<\/p>\n<p>D. Manuel deu alguns exemplos do \u00faltimo s\u00e9culo e da actualidade de arte \u201cimpregnada de t\u00f3picos evang\u00e9licos\u201d: a m\u00fasica do espanhol Joaquim Rodrigo, do franc\u00eas Olivier Messien, do lituano-h\u00fangaro Arvo Part, ou dos portugueses Lopes Gra\u00e7a (como o \u201cRequiem\u201d, para homenagear as v\u00edtimas da ditadura) e Eurico Carrapatoso (\u201cMagnificat\u201d com passagens evang\u00e9licas e poesia popular); os vitrais de J\u00falio Pomar, na igreja da Pontinha (Lisboa); a poesia de Daniel Faria, Tolentino Mendon\u00e7a e Fernando Echevarria; ou mesmo os romances de Saramago, autor que \u201cinsistindo na falta de reden\u00e7\u00e3o, por contraste, nos abeira da necessidade de reden\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA arte pode ser uma via contra o medo que frustra e paralisa\u201d, defendeu D. Manuel Clemente, em confer\u00eancia. \u201c\u00c9 problem\u00e1tico falar de arte crist\u00e3\u201d. 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