{"id":7063,"date":"2006-05-04T18:14:00","date_gmt":"2006-05-04T18:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7063"},"modified":"2006-05-04T18:14:00","modified_gmt":"2006-05-04T18:14:00","slug":"o-rosto-universal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-rosto-universal\/","title":{"rendered":"O rosto universal"},"content":{"rendered":"<p>Confer\u00eancia abordou a procura da verdadeira face de Cristo <!--more--> A procura do verdadeiro rosto de Jesus \u00e9 uma tarefa ingl\u00f3ria. N\u00e3o h\u00e1 maneira de saber como Ele realmente era, qual o seu aspecto f\u00edsico, a cor dos olhos, dos cabelos&#8230; Dizer, hoje, que Ele tinha barba, cabelos compridos e era alto, \u00e9 t\u00e3o acertado ou errado como dizer que era baixo, de cabelos curtos e sem barba. Os evangelhos n\u00e3o revelam qualquer aspecto da imagem f\u00edsica de Jesus de Nazar\u00e9. Por\u00e9m, as tentativas que ao longo da hist\u00f3ria tentaram reconstituir o aspecto de Jesus de Nazar\u00e9 revelam muito acerca da pr\u00f3pria humanidade. As gera\u00e7\u00f5es humanas reviram-se e rev\u00eam-se no rosto do Bom Pastor, que, segundo outra tradu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel dessa express\u00e3o do Evangelho de Jo\u00e3o (10,11), \u00e9 igualmente o Belo Pastor.<\/p>\n<p>Estas foram algumas das afirma\u00e7\u00f5es de Jorge Pires Ferreira, professor do Instituto Superior de Ci\u00eancias Religiosas (ISCRA) e director-adjunto do Correio do Vouga, na confer\u00eancia \u201cO Rosto de Jesus Cristo: Hist\u00f3ria e Novas Vis\u00f5es\u201d. A comunica\u00e7\u00e3o inseriu-se na Semana dos Finalistas da escola da diocese. Nos corredores do instituto (que funciona no Semin\u00e1rio de Santa Joana), ainda \u00e9 poss\u00edvel ver uma exposi\u00e7\u00e3o de imagens (pintura moderna e fotografia) dos modos diversos como artistas contempor\u00e2neos t\u00eam representado Jesus Cristo.<\/p>\n<p>O cristianismo n\u00e3o pro\u00edbe representa\u00e7\u00f5es das realidades divinas, desde que se reconhe\u00e7a que qualquer representa\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre limitada, ao contr\u00e1rio de outras religi\u00f5es, nomeadamente o juda\u00edsmo e o islamismo (da\u00ed, em parte, a pol\u00e9mica das caricaturas). Por isso, igreja dos primeiros s\u00e9culos come\u00e7ou por lembrar Jesus Cristo por meio de s\u00edmbolos (\u00e2ncora; f\u00e9nix que renasce das cinzas, como Jesus ressuscitou; peixe&#8230;) e tamb\u00e9m pela imagem do pastor, figura igualmente querida da literatura pag\u00e3, pois representava para estes o homem atento \u00e0 natureza.<\/p>\n<p>Feio ou \u201co mais belo dos homens\u201d?<\/p>\n<p>S\u00f3 pelo s\u00e9c. V surgiram representa\u00e7\u00f5es de Jesus crucificado. E \u00e9 por essa \u00e9poca, igualmente, que come\u00e7a a ser representado de cabelos compridos e de barba. Era assim que pensavam que viviam os judeus do primeiro s\u00e9culo, o que \u2013 sabe-se hoje \u2013 n\u00e3o corresponde bem \u00e0 realidade. Entretanto, durava h\u00e1 s\u00e9culos um debate sobre a beleza de Jesus Cristo, com duas fac\u00e7\u00f5es. Uns apoiavam-se no profeta Isa\u00edas, para dizer que o Filho de Deus n\u00e3o \u201ctinha apar\u00eancia nem beleza para atrair o nosso olhas, nem simpatia para que pud\u00e9ssemos apreci\u00e1-lo\u201d (Is 53,2). Ou seja, era feio. Tertuliano, Or\u00edgenes, Cipriano e Hip\u00f3lito faziam parte desta fac\u00e7\u00e3o. Achavam, como escreveram, que Jesus tinha uma \u201capar\u00eancia desprez\u00edvel\u201d, como \u201cum escravo\u201d, ou mesmo \u201cum leproso\u201d. Outros, como Greg\u00f3rio de Nisa, Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, Ambr\u00f3sio de Mil\u00e3o e Agostinho de Hipona, v\u00eaem em Jesus um modelo de beleza, na linha do Salmo 45: \u201cTu \u00e9s o mais belo dos homens\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0 falta de uma fotografia, cada \u00e9poca tem uma imagem de Cristo de acordo com os seus sonhos, medos, desejos e ambi\u00e7\u00f5es: do Bom Pastor das catacumbas ao Pantocrator das c\u00fapulas bizantinas, do rei, imperador e juiz da Idade M\u00e9dia, que serve de justifica\u00e7\u00e3o a posi\u00e7\u00f5es absolutistas dos monarcas terrenos, ao Cristo pobre e alegre de Francisco de Assis (retomado no Cristo hippie dos anos 60 e 70), do Cristo n\u00f3rdico, louro e de olhos azuis, ao Cristo de pele negra, vermelha ou amarela&#8230; O que querer\u00e1 dizer a profus\u00e3o de imagens? Talvez isto: Jesus Cristo \u00e9 verdadeiramente o ser humano universal, n\u00e3o por ser abstracto, mas reencarnar em cada cultura concreta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confer\u00eancia abordou a procura da verdadeira face de Cristo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[60],"tags":[],"class_list":["post-7063","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-tema"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7063","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7063"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7063\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7063"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7063"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7063"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}