{"id":708,"date":"2010-02-24T16:37:00","date_gmt":"2010-02-24T16:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=708"},"modified":"2010-02-24T16:37:00","modified_gmt":"2010-02-24T16:37:00","slug":"mas-nao-ha-nada-como-a-boa-companhia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/mas-nao-ha-nada-como-a-boa-companhia\/","title":{"rendered":"&#8230; Mas n\u00e3o h\u00e1 nada como a boa companhia!"},"content":{"rendered":"<p>A \u00e1rvore de Zaqueu*<\/p>\n<p>* \u00abPorque era de baixa estatura, subiu a uma \u00e1rvore para ver Jesus\u00bb (Lucas 19,3-4)<\/p>\n<p>Se treparmos at\u00e9 ao cimo, todas as coisas da vida servem para ver melhor.<\/p>\n<p> <!--more--> 2.\u00ba DOMINGO DA QUARESMA &#8211; ANO C<\/p>\n<p>No domingo passado, falou-se da tentativa salutar de nos libertarmos das situa\u00e7\u00f5es opressivas, dos amigos falsos, dos vendedores manhosos\u2026 lembrados que \u00abantes s\u00f3 que mal acompanhado\u00bb; e que era preciso ao \u00abpovo escolhido\u00bb atravessar um deserto, para vencer as ilus\u00f5es do caminho da terra desejada; que era preciso a Jesus dominar as miragens de poder e de rica vida, para n\u00e3o vir a ser mais um fala-barato; que era preciso aos ap\u00f3stolos sustentar as consequ\u00eancias duras de uma escolha, nascida entre muitos momentos de vis\u00e3o desfocada, para n\u00e3o merecerem a tro\u00e7a de toda a gente. <\/p>\n<p>Mas n\u00e3o h\u00e1 projecto que se aguente, sem amigos reconfortantes. E amigos de carne e osso \u2013 porque Deus e os antepassados, por mais vivos que os sintamos em n\u00f3s, n\u00e3o nos afagam com as palavras, com os gestos ou com o olhar.<\/p>\n<p>Abra\u00e3o, que sentia Deus como amigo, n\u00e3o suspirava ele por um filho que lhe acarinhasse a vida (G\u00e9nesis 15,2-3)? Bastaria aos ap\u00f3stolos um Jesus \u00abcheio de gl\u00f3ria\u00bb, se n\u00e3o pudesse ficar ao p\u00e9 deles (Evangelho)? Bastaria a S. Paulo o entusiasmo por Jesus Cristo, sem a esperan\u00e7a de viver junto dele como o maior amigo (Filipenses 3,10.21)? <\/p>\n<p>Como seria a vida dos profetas e de Jesus, sem os amigos, sem os bons mestres e as \u00absantas mulheres\u00bb? N\u00e3o gostava Jesus de recompor as for\u00e7as em casa de Maria, Marta e L\u00e1zaro?<\/p>\n<p>As tr\u00eas leituras de hoje, cada uma a seu modo, trazem as cores das nossas esperan\u00e7as e frustra\u00e7\u00f5es. Nada parece certo nem eterno. E se Deus \u00e9 certo e eterno, \u00e9-o de um modo totalmente \u00abestranho\u00bb, parecendo t\u00e3o long\u00ednquo e indiferente \u00e0 nossa sorte que o pr\u00f3prio Jesus agoniou na cruz, como um filho abandonado.<\/p>\n<p>E no entanto, n\u00e3o h\u00e1 dentro de n\u00f3s, mesmo nos piores momentos de sofrimento f\u00edsico e psicol\u00f3gico, uma constante esperan\u00e7a de que tudo se transfigure para definitivamente melhor? Como se um \u201cestranho amigo\u201d se aproximasse fisicamente, levado, quantas vezes, pelo bra\u00e7o doutro amigo\u2026<\/p>\n<p>Abra\u00e3o teve uma vasta descend\u00eancia \u2013 a quem muitos s\u00e9culos de revezes fizeram sentir que a beleza da vida \u00e9 uma semente divina que s\u00f3 cresce se bem cuidada.<\/p>\n<p>E ningu\u00e9m se deve furtar a este cuidado discreto de \u201cfiel jardineiro\u201d, atento a eliminar o que \u00e9 corrosivo e a fortalecer o que est\u00e1 bem. Assim colaboramos na transfigura\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 o nosso esfor\u00e7o em cultivar amizades que facilita uma eficaz \u201cgest\u00e3o de energias\u201d, o acerto nos modos de \u201ctransfigura\u00e7\u00e3o\u201d, o discernimento do seu real valor e daquilo por que interessa mesmo lutar. Nas conversas amigas, tira-se proveito tanto do trivial como do mais s\u00e9rio \u2013 e assim tudo na vida pode receber um valor positivo. E por que n\u00e3o h\u00e1-de entrar numa conversa trivial a descoberta de como em tudo se pode manifestar a perfei\u00e7\u00e3o divina? Ou falar do tal \u201cestranho amigo\u201d, que gosta tanto de se meter nas nossas amizades e de lhes fortalecer a confian\u00e7a\u2026 <\/p>\n<p>Com essa confian\u00e7a \u00e9 que S. Paulo nos convida ao esfor\u00e7o e determina\u00e7\u00e3o, como ele pr\u00f3prio tentou, por n\u00e3o perder o que se acha ser o maior bem a alcan\u00e7ar (Filipenses 3,12-13). <\/p>\n<p>Para tanto, \u00e9 preciso a f\u00e9 de Abra\u00e3o: apesar da longa idade e sem ter filhos, acreditou que havia de fazer muito \u201cna boa companhia\u201d de Deus.<\/p>\n<p>Para Pedro, Jo\u00e3o e Tiago, tudo come\u00e7ou numa caminhada vulgar e com eles caidinhos de sono. Jesus gostava da simplicidade como a boa terra para construir o novo mundo. Meio desprendidos deste mundo, \u00e9 que abriram os olhos para a tal estranha presen\u00e7a transfiguradora. Gostaram tanto do que viram, que o que lhes apeteceu foi ficarem a gozar (sem muito esfor\u00e7o\u2026) da boa companhia! <\/p>\n<p>No tempo de Abra\u00e3o, era costume que as partes empenhadas num acordo ou alian\u00e7a se submetessem ao ritual de atravessar entre as carnes esquartejadas dos animais sacrificados, com a impreca\u00e7\u00e3o: \u00abassim seja eu esquartejado se for infiel \u00e0 promessa!\u00bb Mas quem escreveu a hist\u00f3ria sabia t\u00e3o bem da fragilidade humana, que disse que s\u00f3 Deus \u00e9 que passou\u2026<\/p>\n<p>Para adormecer tranquilos e nos erguermos cheios de coragem, \u00e9 preciso redescobrir a milen\u00e1ria (ou \u201cmilion\u00e1ria\u201d, em toda a riqueza do termo) experi\u00eancia de Deus, sempre fiel apesar das nossas aldrabices, sempre justo apesar das nossas injusti\u00e7as e sempre presente nas car\u00edcias e saudades, com o sabor refrescante e garantido de quem n\u00e3o nos quer \u201cesquartejados\u201d pelos nossos trambolh\u00f5es, mas sempre prontos a p\u00f4r de p\u00e9 para gozar a alegria \u00abem boa companhia\u00bb\u2026<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00e1rvore de Zaqueu* * \u00abPorque era de baixa estatura, subiu a uma \u00e1rvore para ver Jesus\u00bb (Lucas 19,3-4) Se treparmos at\u00e9 ao cimo, todas as coisas da vida servem para ver melhor.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-708","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/708","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=708"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/708\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=708"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=708"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=708"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}