{"id":710,"date":"2010-02-24T16:57:00","date_gmt":"2010-02-24T16:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=710"},"modified":"2010-02-24T16:57:00","modified_gmt":"2010-02-24T16:57:00","slug":"um-banho-de-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-banho-de-verdade\/","title":{"rendered":"Um banho de verdade"},"content":{"rendered":"<p>Dez palavras-cahve sobre a &#8220;Caritas in Veritate&#8221; <!--more--> Quando surgiu a \u201cCaritas in veritate\u201d (\u201cA Caridade na verdade\u201d, ou simplesmente CV), publicada no dia 29 de Junho de 2009, por uns momentos houve quem hesitasse no seu nome: \u201cCaritas in veritate\u201d ou \u201cVeritas in caritate\u201d? Na realidade, esta \u00faltima express\u00e3o, \u201ca verdade na caridade\u201d, tem sido usada com frequ\u00eancia em contexto eclesial, desde que S\u00e3o Paulo a cunhou na Carta aos Ef\u00e9sios 4,15. E, h\u00e1 que diz\u00ea-lo, \u00e9 um uso que por vezes fere a verdade. Quando algu\u00e9m quer dizer \u201ca verdade na caridade\u201d, ou adia a verdade (na espera de melhores circunst\u00e2ncias) ou estilha\u00e7a a verdade (dando a parte pelo todo) ou amacia a verdade (adaptando-a, com medo de ferir o destinat\u00e1rio). Compreende-se, mas a verdade sai maltratada. A \u201cverdade na caridade\u201d s\u00f3 far\u00e1 sentido quando, mantendo o amor, n\u00e3o se \u00e9 infiel \u00e0 verdade.<\/p>\n<p>Bento XVI vem travando um combate pela verdade. Logo no in\u00edcio do pontificado (e j\u00e1 como bispo e cardeal) escolheu o relativismo como alvo. A n\u00edvel popular, o relativismo nota-se quando algu\u00e9m se considera definidor da sua pr\u00f3pria moralidade, senhor da sua pr\u00f3pria verdade (com base na vontade, nos caprichos, no \u201cd\u00e1 jeito\u201d ou no \u201capetece-me\u201d). A n\u00edvel acad\u00e9mico, resume-se na defesa da impossibilidade de uma verdade objectiva (por causa da hist\u00f3ria, das circunst\u00e2ncias, da impot\u00eancia da raz\u00e3o ou mesmo do pretenso \u201ctotalitarismo da verdade\u201d).<\/p>\n<p>Bento XVI diz que \u00e9 necess\u00e1rio conjugar a caridade com a verdade na direc\u00e7\u00e3o assinalada por S\u00e3o Paulo mas tamb\u00e9m na direc\u00e7\u00e3o inversa e complementar. \u201cA verdade \u00e9 a luz que d\u00e1 sentido e valor \u00e0 caridade (\u2026). Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um inv\u00f3lucro vazio, que se pode encher arbitrariamente. \u00c9 o risco fatal do amor numa cultura sem verdade; acaba prisioneiro das emo\u00e7\u00f5es e opini\u00f5es contingentes dos indiv\u00edduos, uma palavra abusada e adulterada, chegado a significar o oposto do que realmente \u00e9\u201d (n.\u00ba 3). Encontrar no nosso tempo exemplos do que Bento XVI afirma \u00e9 muito f\u00e1cil: ondas de solidariedade que duram apenas enquanto as cat\u00e1strofes est\u00e3o na televis\u00e3o; projectos legislativos baseados no bem particular e n\u00e3o no bem comum e em que o valor de uns indiv\u00edduos vale mais do que o de outros; direitos dos animais a valerem mais do que os humanos; capital mais protegido do que o trabalho humano, etc.<\/p>\n<p>\u201cA verdade, fazendo sair os seres humanos das opini\u00f5es e sensa\u00e7\u00f5es, subjectivas, permite-lhes ultrapassar determina\u00e7\u00f5es culturais e hist\u00f3ricas para se encontrarem na avalia\u00e7\u00e3o do calor e subst\u00e2ncia das coisas\u201d (n.\u00ba 4). <\/p>\n<p>Precisamos de um banho de verdade. Seria interessante que o crivo da verdade descesse desta carta circular e chegasse a todos os \u00e2mbitos sociais e eclesiais. Provocaria alguma dor. Mas como sabemos, a verdade liberta (Jo 8,32). <\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n<p>Verdade | Desenvolvimento | Populorum progressio | Justi\u00e7a | Bem Comum | Globaliza\u00e7\u00e3o | Gratuidade | Trabalho | Ambiente | Caridade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dez palavras-cahve sobre a &#8220;Caritas in Veritate&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-710","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/710","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=710"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/710\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=710"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=710"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=710"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}