{"id":711,"date":"2010-02-24T16:59:00","date_gmt":"2010-02-24T16:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=711"},"modified":"2010-02-24T16:59:00","modified_gmt":"2010-02-24T16:59:00","slug":"o-cemiterio-de-ars","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-cemiterio-de-ars\/","title":{"rendered":"O cemit\u00e9rio de Ars"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 24 <!--more--> Quem j\u00e1 foi a Ars ou a Lourdes, v\u00ea cemit\u00e9rios deplor\u00e1veis. L\u00e1pides negras e pesadas, abandonadas h\u00e1 d\u00e9cadas, semidestru\u00eddas, sem flores ou velas. No m\u00eas de Novembro, ou em cada s\u00e1bado, vemos os nossos cemit\u00e9rios brilhantemente tratados com lix\u00edvia, arranjos car\u00edssimos, adornos de bijutaria\u2026 \u00c9 a nossa cultura, diferente da dos outros. Somos assim como eles s\u00e3o do seu modo de ser. Mas, tenho grande venera\u00e7\u00e3o pelo cemit\u00e9rio de Ars. Tipicamente franc\u00eas. Pesado, abandonado, triste. Mas foi, talvez, o \u00fanico cemit\u00e9rio do mundo identificado com o Para\u00edso. Foi o Cura de Ars quem o disse: \u201cMeu cemit\u00e9rio est\u00e1 povoado de Santos\u201d. A\u00ed est\u00e1 a verdadeira beleza do cemit\u00e9rio de Ars. Ali procuramos a campa daquele menino que apontou a Jo\u00e3o Maria Vianney o caminho de Ars, quando ele se perdera com o nevoeiro, na sua chegada \u00e0 par\u00f3quia onde exerceria o seu minist\u00e9rio: \u201cTu mostras-me o caminho de Ars e eu mostro-te o caminho do C\u00e9u\u201d &#8211; foi a recompensa do Cura de Ars, que, um dia, presidiu ao seu funeral, feliz por se despedir de um santo. E aquele a quem o Cura de Ars interpelou, pois o homem, todos os dias, deixava suas alfaias agr\u00edcolas \u00e0 porta da igreja e se mantinha em ora\u00e7\u00e3o silenciosa, horas a fio. Tinha ouvido o seu p\u00e1roco apontar o Sacr\u00e1rio e dizer: \u201cEle est\u00e1 ali\u2026\u201d Ent\u00e3o ali estava o bom homem. Interpelado por Jo\u00e3o Maria Vianney, o idoso disse que n\u00e3o fazia nada ali. Somente isso: \u201cEle olha para mim e eu olho para Ele\u201d. No seu funeral, o Cura d\u2019Ars vibrou de gratid\u00e3o por ter mais um santo no C\u00e9u. E outros tantos\u2026 Por isso, eu digo: Bendito cemit\u00e9rio de Ars, que n\u00e3o tens flores em abund\u00e2ncia nem velas\u2026 e muitos dos nomes desapareceram com os ossos que viraram p\u00f3. As tuas campas n\u00e3o cheiram a detergente ou lix\u00edvia, nem tens l\u00e1pides de saudade eterna &#8211; que \u00e9 a maior asneira que se pode dizer de um morto. Se as saudades s\u00e3o eternas, isto significa que nunca mais nos voltaremos a ver\u2026 Eu te bendigo, cemit\u00e9rio de Ars, porque a tua terra n\u00e3o est\u00e1 cheia de corrup\u00e7\u00e3o, mas de gr\u00e3os de trigo que dar\u00e3o fruto a seu tempo. Eu te bendigo, porque as tuas campas escondem rel\u00edquias de homens e mulheres que souberam aprender com o seu p\u00e1roco o caminho do c\u00e9u. Eu te bendigo porque passeando na tua aridez aprendemos o que verdadeiramente importa. Aprendemos que apesar de a morte ser inevit\u00e1vel para o bom e para o mau, o santo brilha com estrela para a eternidade, como diz o Livro da Sabedoria. E tu \u00e9s uma via l\u00e1ctea de amor e f\u00e9, de hist\u00f3rias completas, que, por terem sido fi\u00e9is a Deus, s\u00e3o Hist\u00f3ria de Salva\u00e7\u00e3o. Bendito o cemit\u00e9rio de Ars, que cont\u00e9m a mensagem de que podemos esquecer a campa dos nossos mortos, podemos encontrar corpos em valas comuns ou no fundo dos oceanos, que o homem n\u00e3o morrer\u00e1 jamais. O santo vive eternamente. Tu n\u00e3o falas da morte. Tu celebras a vida. E bem mereces o nome de Campo Santo.<\/p>\n<p>P.e Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 24<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-711","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/711","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=711"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/711\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=711"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=711"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=711"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}