{"id":7111,"date":"2006-05-10T12:26:00","date_gmt":"2006-05-10T12:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7111"},"modified":"2006-05-10T12:26:00","modified_gmt":"2006-05-10T12:26:00","slug":"portugal-esse-problema-que-os-portugueses-ainda-nao-resolveram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/portugal-esse-problema-que-os-portugueses-ainda-nao-resolveram\/","title":{"rendered":"Portugal, esse problema que os portugueses ainda n\u00e3o resolveram"},"content":{"rendered":"<p>Dias positivos <!--more--> Alexandre O\u00b4Neill dizia que Portugal era uma quest\u00e3o que tinha com ele pr\u00f3prio (ele, o poeta). Agora, viemos a saber que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o poeta que tem um problema chamado Portugal. Segundo um estudo divulgado na imprensa, a maioria dos portugueses residentes no continente n\u00e3o se interessa pelo pa\u00eds, declara-se infeliz e \u00e9 pessimista quanto ao futuro. Em concreto, 85 por cento da popula\u00e7\u00e3o portuguesa residente em Portugal continental n\u00e3o est\u00e1 \u201cenvolvida\u201d com o pa\u00eds, e 42 por cento dos portugueses declaram-se infelizes e mostram-se dos mais pessimistas face ao futuro, entre todos os residentes nos 25 pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>De acordo com Lu\u00eds Sim\u00f5es, director-geral da TNS Portugal, empresa que fez o estudo, baseando-se em 800 entrevistas, Portugal \u201c\u00e9 um pa\u00eds mais atractivo para os portugueses n\u00e3o residentes, enquanto os residentes n\u00e3o se interessam por ele\u201d. Ou seja, se sa\u00edssem do pa\u00eds, os portugueses passavam a gostar um bocadinho mais de Portugal. \u00c9 f\u00e1cil imaginar as saudades dos portugueses no exterior: \u201cAi o nosso caf\u00e9, ai a nossa comida, ai o nosso clima, ai as nossas praias&#8230;\u201d S\u00f3 que \u2013 diz o estudo \u2013 os portugueses n\u00e3o optam pela emigra\u00e7\u00e3o devido ao custo de sa\u00edda e \u00e0s dificuldades de mobilidade da fam\u00edlia e do emprego. Ou seja, gostam de andar insatisfeitos. Creio que \u00e9 a isto que antigamente se chamava \u201cfado\u201d.<\/p>\n<p>Tendo em conta estes resultados, se Portugal fosse uma marca, com n\u00edveis t\u00e3o baixos de sedu\u00e7\u00e3o, Lu\u00eds Sim\u00f5es \u201cn\u00e3o investiria nela\u201d. N\u00e3o investiria ele, nem investem os portugueses. No in\u00edcio desta semana, um outro estudo dizia que, devido \u00e0 baixa de natalidade, em 2050, Portugal ser\u00e1 o pa\u00eds mais pobre da Uni\u00e3o Europeia a 25 (ou seja, com os pa\u00edses de Leste que aderiram por \u00faltimo e que, por enquanto, na generalidade, s\u00e3o mais pobres). Ser\u00e1 o mais pobre, porque envelhecido, sem gente nova, logo, sem ideias, sem inova\u00e7\u00e3o, sem risco. Como bem lembrou o psiquiatra Freitas Gomes, no \u00faltimo s\u00e1bado, falando numa iniciativa de casais crist\u00e3os (a que o Correio do Vouga dar\u00e1 espa\u00e7o na pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o): \u201cDizemos que o lince da Malcata est\u00e1 em extin\u00e7\u00e3o porque se reproduz a uma taxa de 2; mas os portugueses reproduzem-se a uma taxa de 1,1\u2026\u201d<\/p>\n<p>No meio disto tudo, h\u00e1, no entanto, quem acredite em Portugal. Dois exemplos que sa\u00edram nos jornais ao mesmo tempo que as referidas m\u00e1s not\u00edcias. Primeiro: Um autor espanhol, Ant\u00f3nio Ba\u00f1os-Garcia, escreveu um livro sobre D. Sebasti\u00e3o, o rei morto em Alc\u00e1cer-Quibir. H\u00e1 bem pouco tempo, um outro espanhol escrevera um livro sobre Viriato. \u00c9 curioso ver duas figuras-chave da hist\u00f3ria portuguesa estudadas por espanh\u00f3is. Ser\u00e1 que representam uma tend\u00eancia de interesse de estrangeiros pelo passado do pa\u00eds dos que n\u00e3o acreditam no futuro? Segundo: Fam\u00edlias brasileiras, sorridentes e comunicativas, v\u00eam do Paran\u00e1, Sul do Brasil, para Vila de Rei, aquele concelho no centro geogr\u00e1fico de Portugal que no Ver\u00e3o \u00e9 motivo de not\u00edcia devido aos inc\u00eandios gigantescos. V\u00eam com esperan\u00e7a e olham para Portugal como pa\u00eds de futuro.<\/p>\n<p>Parece, cada vez mais, que a solu\u00e7\u00e3o para Portugal, est\u00e1 fora do pa\u00eds, em Angola, Cabo Verde, Ucr\u00e2nia ou Brasil. Os imigrantes, pelo simples facto de partirem \u00e0 procura de melhor, s\u00e3o factor de optimismo.<\/p>\n<p>Os portugueses podem estar pouco envolvidos com o pa\u00eds. Mas, felizmente, h\u00e1 quem acredite no futuro de Portugal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dias positivos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-7111","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7111","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7111"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7111\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7111"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7111"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7111"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}