{"id":7112,"date":"2006-05-10T12:28:00","date_gmt":"2006-05-10T12:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7112"},"modified":"2006-05-10T12:28:00","modified_gmt":"2006-05-10T12:28:00","slug":"menosprezo-politico-do-voluntariado-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/menosprezo-politico-do-voluntariado-social\/","title":{"rendered":"Menosprezo pol\u00edtico do voluntariado social"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> 1. At\u00e9 ao s\u00e9culo XIX, a ac\u00e7\u00e3o social era desenvolvida, fundamentalmente, por volunt\u00e1rios, embora sem se utilizar esta palavra. Os volunt\u00e1rios tomavam iniciativas, criavam institui\u00e7\u00f5es, asseguravam o trabalho de direc\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o, recorrendo tamb\u00e9m ao trabalho remunerado conforme as necessidades.<\/p>\n<p>Aquilo que hoje se designa por \u201cpol\u00edtica social\u201d foi realizado, ao longo de s\u00e9culos, por organiza\u00e7\u00f5es de trabalho volunt\u00e1rio. S\u00f3 mais tarde surgiu o Estado que, praticamente s\u00f3 no s\u00e9culo XX, assumiu responsabilidades sociais em termos razo\u00e1veis.<\/p>\n<p>2. No caso portugu\u00eas, logo desde o s\u00e9culo XIX, o Estado e algumas for\u00e7as pol\u00edticas inculcaram em si o menosprezo da tradi\u00e7\u00e3o de trabalho volunt\u00e1rio, e deixaram-se dominar pela ideologia totalit\u00e1ria do poder absoluto do Estado, para resolver todos os problemas sociais. Essa ideologia tem perdurado at\u00e9 hoje, e ainda n\u00e3o conseguiu reconhecer e integrar as enormes potencialidades que o voluntariado revelou no passado.<\/p>\n<p>Mesmo quando, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, se vem observando algum apre\u00e7o pelas institui\u00e7\u00f5es dirigidas por volunt\u00e1rios, consideram-se mais aquelas em que predomina o trabalho remunerado, com preju\u00edzo para a ac\u00e7\u00e3o do voluntariado nas rela\u00e7\u00f5es de fam\u00edlia, de vizinhan\u00e7a e de proximidade em geral. Ao menosprezar, assim, o trabalho volunt\u00e1rio, a pol\u00edtica social menospreza um dos pilares b\u00e1sicos da ac\u00e7\u00e3o social, entendida no sentido mais amplo. Menosprezado este pilar, fica tamb\u00e9m menosprezada a realidade social em que ele se insere.<\/p>\n<p>3. Entretanto, lentamente, regista-se uma certa tend\u00eancia para a viragem necess\u00e1ria. Em 1998, surgiu legisla\u00e7\u00e3o de enquadramento do voluntariado. Em 2001, o \u201cAno Internacional dos Volunt\u00e1rios\u201d teve um \u00eaxito digno de nota. A Lei da Seguran\u00e7a Social, o Plano Nacional de Ac\u00e7\u00e3o para a Inclus\u00e3o e o pr\u00f3prio programa do Governo aludem ao voluntariado, embora sem compromissos espec\u00edficos. E o discurso do Presidente da Rep\u00fablica do dia 25 de Abril tamb\u00e9m o teve em conta.<\/p>\n<p>\u00c9 caso para perguntarmos: ser\u00e1 que o Estado e a sociedade est\u00e3o dispostos a convencer-se de que a ac\u00e7\u00e3o social ficar\u00e1 gravemente bloqueada, se n\u00e3o se basear em tr\u00eas pilares indissoci\u00e1veis \u2013 o voluntariado, as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e particulares e os centros de decis\u00e3o pol\u00edtica? O primeiro \u00e9 t\u00e3o indispens\u00e1vel como os outros dois. \u00c9 mesmo o seu fundamento por excel\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-7112","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7112","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7112"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7112\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}