{"id":7134,"date":"2006-05-17T15:06:00","date_gmt":"2006-05-17T15:06:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7134"},"modified":"2006-05-17T15:06:00","modified_gmt":"2006-05-17T15:06:00","slug":"o-direito-mais-fundamental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-direito-mais-fundamental\/","title":{"rendered":"O direito mais fundamental"},"content":{"rendered":"<p>A pol\u00e9mica est\u00e1 instalada. O problema merece profunda e conscienciosa discuss\u00e3o: trata-se da procria\u00e7\u00e3o medicamente assistida. As implica\u00e7\u00f5es sociais, as quest\u00f5es \u00e9ticas\u2026 ter\u00e3o de ser traves mestras do debate. As raz\u00f5es da pol\u00e9mica, todavia, desvirtuam o essencial da reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 que, antes de colocar o mais fundamental dos direitos fundamentais da pessoa humana como pano de fundo de todo o problema &#8211; o direito \u00e0 vida &#8211; tudo se diz e se prop\u00f5e ignorando isso mesmo. Como tratar os embri\u00f5es excedent\u00e1rios, sim ou n\u00e3o \u00e0 fecunda\u00e7\u00e3o heter\u00f3loga, concess\u00e3o ou n\u00e3o \u00e0s candidatas a m\u00e3es solteiras, \u201cmodela\u00e7\u00e3o\u201d do embri\u00e3o ao gosto dos \u201cprogenitores\u201d\u2026 <\/p>\n<p>Tudo aponta para uma manipula\u00e7\u00e3o completa: a vida torna-se um \u201cproduto\u201d dispon\u00edvel, que cada um \u201ccompra\u201d a seu gosto, segundo o modelo que lhe interesse. Sem falar nos \u201cexcedentes\u201d, que n\u00e3o t\u00eam forma de serem respeitados, os \u201csobreviventes\u201d h\u00e3o-de vir a sentir-se muito mal, quando descobrirem que s\u00e3o um produto completamente dependente dos gostos ou fantasias dos \u201cprogenitores\u201d.<\/p>\n<p>E se, porventura, vierem a ter dificuldades no sucesso da vida?&#8230; E se, v\u00edtimas das press\u00f5es sociais, n\u00e3o vierem a corresponder aos sonhos dos seus progenitores?&#8230; E se, por arg\u00facia e engenho da ci\u00eancia, vierem a constatar que as escolhas n\u00e3o foram rigorosas e agora lhe sofrem as consequ\u00eancias?&#8230; E se?&#8230; E se?&#8230; E se?&#8230;<\/p>\n<p>\u201cAs amea\u00e7as contra a vida n\u00e3o diminu\u00edram. Ao contr\u00e1rio, assumem dimens\u00f5es enormes. N\u00e3o se trata apenas de amea\u00e7as vindas do exterior, de for\u00e7as da natureza ou de \u00abCains\u00bb que assassinam \u00abAbeis\u00bb; n\u00e3o, trata-se de amea\u00e7as programadas de maneira cient\u00edfica e sistem\u00e1tica\u201d (Jo\u00e3o Paulo II &#8211; 14-08-93). <\/p>\n<p>E se o Santo Padre se referia directamente \u00e0 cultura da contracep\u00e7\u00e3o, da esteriliza\u00e7\u00e3o, do aborto e da pr\u00f3pria eutan\u00e1sia, bem poderia referir-se a estas novas formas de \u00abselec\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a\u00bb, de \u00abinstinto de pose e disponibilidade da vida\u00bb \u00e0 lista e a gosto. \u201cCivilizadas\u201d formas espartanas de se afirmar o homem o senhor da vida, em vez de a acolher gratamente como um precioso dom!<\/p>\n<p>Mesmo que considerem as nossas posi\u00e7\u00f5es incondicionalmente a favor da vida como inimigas da liberdade e do progresso, n\u00e3o podemos deixar de ser verdadeiros cruzados desta causa. Sabemos que, algumas vezes, as circunst\u00e2ncias dram\u00e1ticas de sofrimento, de solid\u00e3o, de car\u00eancias econ\u00f3micas ou outras, de depress\u00e3o e de ang\u00fastia face ao futuro, atenuam a responsabilidade de quem entra pelos caminhos de \u201cmanipula\u00e7\u00e3o da vida\u201d. Mas n\u00e3o podemos alhear-nos da atmosfera que nos envolve &#8211; e essa \u00e9 que reclama o nosso combate: o clima cultural, social e pol\u00edtico, que qualifica estas posi\u00e7\u00f5es de leg\u00edtimas express\u00f5es da liberdade individual\u2026 E a liberdade e dignidade dos que ainda n\u00e3o sabem defender-se e reclamar?&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pol\u00e9mica est\u00e1 instalada. O problema merece profunda e conscienciosa discuss\u00e3o: trata-se da procria\u00e7\u00e3o medicamente assistida. As implica\u00e7\u00f5es sociais, as quest\u00f5es \u00e9ticas\u2026 ter\u00e3o de ser traves mestras do debate. 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