{"id":7150,"date":"2006-05-17T16:01:00","date_gmt":"2006-05-17T16:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7150"},"modified":"2006-05-17T16:01:00","modified_gmt":"2006-05-17T16:01:00","slug":"informar-nao-chega-e-preciso-levar-a-desejar-o-caminho-da-virtude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/informar-nao-chega-e-preciso-levar-a-desejar-o-caminho-da-virtude\/","title":{"rendered":"Informar n\u00e3o chega; \u00e9 preciso levar a desejar o caminho da virtude"},"content":{"rendered":"<p>F\u00f3rum sobre Educa\u00e7\u00e3o Sexual <!--more--> \u201cEducar n\u00e3o \u00e9 doutrinar.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEducar para a sexualidade \u00e9 educar para o amor.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAmar \u00e9 fazer o outro feliz na diferen\u00e7a que \u00e9 o outro\u201d.<\/p>\n<p>Com estas ideias de fundo, o m\u00e9dico psiquiatra Freitas Gomes fez uma exposi\u00e7\u00e3o sobre amor e sexualidade, que despertou muitos sorrisos e um enorme aplauso a cerca de centena e meia de participantes, casais na sua maioria, no F\u00f3rum \u201cA Educa\u00e7\u00e3o para a Sexualidade\u201d, que decorreu no Semin\u00e1rio de Aveiro, no dia 6 de Maio, numa organiza\u00e7\u00e3o das Equipas de Nossa Senhora.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico e psiquiatra do Porto n\u00e3o foi d\u00f3cil para a sucess\u00e3o de governos nem para a sociedade em que vivemos. A Lei da Educa\u00e7\u00e3o Sexual, aprovada em 1984, nas agendas governamentais resume-se sempre a uma \u201cinforma\u00e7\u00e3o para o aborto\u201d e \u201cinforma\u00e7\u00e3o para o uso do preservativo\u201d, diz Freitas Gomes. \u201cQuem est\u00e1 a fazer a educa\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o \u00e9 a fam\u00edlia, nem a escola; \u00e9 a televis\u00e3o\u201d, acrescenta. Ora, a televis\u00e3o e a cultura audiovisual em que vivemos, n\u00e3o ajudam a pensar, mas apenas a afirmar, com base no sentir, \u201cgostei\u201d\/ \u201cn\u00e3o gostei\u201d, \u201ccurti\u201d\/ \u201cn\u00e3o curti\u201d. Fazem parte da cultura consumista e hedonista do \u201cprazer aqui, agora, j\u00e1\u201d, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 do passado, em que o sexo era \u201csujo, mau e pecado\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, a sociedade n\u00e3o permite uma vida afectiva e sexual harmoniosa. As pessoas tendem a casar mais tarde (tendo filhos fora do tempo e poucos), porque n\u00e3o t\u00eam casa nem emprego est\u00e1vel, o que n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o iniciem a sua vida sexual. Mas, quando casam, fazem-no dentro da cultura ambiente, pelo que n\u00e3o \u00e9 de admirar que todo o projecto esteja destinado ao fracasso e apare\u00e7am as \u201cnovas fam\u00edlias\u201d, as \u201cfam\u00edlias reconstru\u00eddas\u201d, as fam\u00edlias dos \u201cmeus [filhos], dos teus e dos nossos\u201d. Essas \u201cnovas fam\u00edlias\u201d, diz o m\u00e9dico, s\u00e3o \u201cmuito boas para os adultos e p\u00e9ssimas para as crian\u00e7as\u201d, que amam sempre o pai e a m\u00e3e, mesmo quando estes se d\u00e3o mal.<\/p>\n<p>Miss\u00e3o imposs\u00edvel?<\/p>\n<p>Educar para a sexualidade ser\u00e1 ent\u00e3o uma miss\u00e3o imposs\u00edvel? N\u00e3o, se se tiver em conta que nesta miss\u00e3o h\u00e1 \u201ceducar\u201d e \u201csexualidade\u201d. Educar \u00e9 crescer em identidade (conhecimento de si), autonomia (responsabilidade) e autocontrolo. \u00c9 \u201cinteriorizar regras, crit\u00e9rios, valores e atitudes e atribuir a si o que acontece na vida\u201d, sintetiza Freitas Gomes. A isso \u00e9 necess\u00e1rio acrescentar o conhecimento da biologia e psicologia da sexualidade do par humano. Entre outros aspectos, Freitas Gomes real\u00e7ou que a rela\u00e7\u00e3o homem\/mulher come\u00e7a pelo desejo \u2013 que por vezes \u00e9 ignorado na educa\u00e7\u00e3o tradicional ou valorizado negativamente \u2013, s\u00f3 depois passa para a elabora\u00e7\u00e3o dos sentimentos, chega ao projecto e pode concluir em sacramento. <\/p>\n<p>For\u00e7a da virtude<\/p>\n<p>Jorge Cunha, padre da diocese do Porto e te\u00f3logo da \u00e1rea da Moral, contra a ideia comum de que educar para a sexualidade \u201cnem \u00e9 poss\u00edvel, nem \u00e9 necess\u00e1rio, nem \u00e9 \u00fatil\u201d, defendeu que \u201ceducar \u00e9 seguir na direc\u00e7\u00e3o do reino da liberdade\u201d. \u201cA sexualidade \u00e9 para o amor e para o afecto\u201d; v\u00ea-la \u201capenas como prazer ou recreio \u00e9 miopia\u201d, disse. Reconhecendo que, durante 17 s\u00e9culos, a Igreja (a partir do s\u00e9c. III at\u00e9 quase \u00e0 actualidade) contribuiu para uma educa\u00e7\u00e3o repressiva, Jorge Cunha alertou para o efeito pendular que levou a que hoje a educa\u00e7\u00e3o sexual, para muitos, se resuma a uma \u201coptimiza\u00e7\u00e3o do prazer\u201d e a um \u201csecuritismo\u201d, que \u201cs\u00f3 se preocupa com a seguran\u00e7a\u201d. \u201cEducar n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 informar como funciona, nem dizer \u00abn\u00e3o te contamines\u00bb\u201d, sublinhou o te\u00f3logo do Porto, alertando para a falha da finalidade da sexualidade e para o consequente vazio existencial.<\/p>\n<p>Para Jorge Cunha, \u201ceducar a sexualidade \u00e9 colocar o sujeito aut\u00f3nomo no caminho do bem e da felicidade; \u00e9 n\u00e3o perder a virtude, que \u00e9 a for\u00e7a de ser livre\u201d.<\/p>\n<p>Na segunda parte do encontro, os participantes puderam colocar perguntas por escrito aos dois convidados do dia.<\/p>\n<p>Concei\u00e7\u00e3o Matias, membro da equipa organizadora, disse ao Correio do Vouga que \u201cos ecos sobre o encontro foram muito positivos\u201d e que os participantes ficaram agradados com a abertura da Igreja \u00e0s quest\u00f5es da moral sexual revelada pelo te\u00f3logo cat\u00f3lico. A organiza\u00e7\u00e3o considera a possibilidade de promover novas ac\u00e7\u00f5es neste campo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>F\u00f3rum sobre Educa\u00e7\u00e3o Sexual<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-7150","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diocese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7150","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7150"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7150\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7150"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7150"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7150"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}