{"id":7193,"date":"2006-05-17T17:52:00","date_gmt":"2006-05-17T17:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7193"},"modified":"2006-05-17T17:52:00","modified_gmt":"2006-05-17T17:52:00","slug":"uma-situacao-nacional-muito-preocupante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/uma-situacao-nacional-muito-preocupante\/","title":{"rendered":"Uma situa\u00e7\u00e3o nacional muito preocupante"},"content":{"rendered":"<p>Toda a gente fala do deficit econ\u00f3mico e, provavelmente, vai passar-se, mais uma vez, ao lado do drama, que outro nome n\u00e3o se lhe pode dar, do deficit humano e demogr\u00e1fico do nosso pa\u00eds e da destrui\u00e7\u00e3o programada das fam\u00edlias normais.<\/p>\n<p>N\u00e3o tem faltado quem alerte para a situa\u00e7\u00e3o. Mas deitam-se, agora, as m\u00e3os \u00e0 cabe\u00e7a perante os resultados ineg\u00e1veis. N\u00e3o se v\u00eaem pol\u00edticas familiares e sociais que estimulem \u00e0 natalidade, dando condi\u00e7\u00f5es para que esta cres\u00e7a. Ao contr\u00e1rio, surgem, de um dia para o outro, pol\u00edticas fiscais que favorecem as uni\u00f5es de facto em detrimento das fam\u00edlias constitu\u00eddas segundo a lei, pol\u00edticas que tornam a vida cada vez mais dif\u00edcil e afastam, como se fora um risco perigoso a n\u00e3o correr, gerar filhos ou gerar mais um filho, por maior que seja o desejo de o fazer. Diz-se que o \u201cgoverno apela para que os casais tenham mais filhos\u201d. O governo n\u00e3o tem que fazer apelos morais. Deve apoiar, dando condi\u00e7\u00f5es aos casais novos e \u00e0s fam\u00edlias para que gerem filhos, se tal decidirem<\/p>\n<p>A predomin\u00e2ncia do filho \u00fanico j\u00e1 se tornou, entre n\u00f3s, o normal. Num ter\u00e7o das fam\u00edlias portuguesas \u00e9 isso que acontece. A Europa j\u00e1 acordou. N\u00f3s estamos descontra\u00eddos \u00e0 cabe\u00e7a da lista, alheios ao Inverno demogr\u00e1fico. O mesmo com os div\u00f3rcios. <\/p>\n<p>Por falta de trabalho regular e seguro, o casamento vai-se adiando. O pre\u00e7o exorbitante das casas, a qualidade das mesmas, tantas vezes em blocos sociais, reduzidas e sem qualquer privacidade, a dificuldade dos empr\u00e9stimos, nada estimula a vida em fam\u00edlia. A dificuldade de encontrar creches e da mensalidade caber no ordenado, quando se encontram, para um casal em que ambos trabalham fora, com hor\u00e1rios desencontrados e em lugares distantes, n\u00e3o facilita pensar ter filhos ou ter mais filhos.<\/p>\n<p>Os div\u00f3rcios dispararam, a inseguran\u00e7a aumentou, os filhos n\u00e3o raramente s\u00e3o um  inc\u00f3modo que dificulta aos pares descomprometidos, novos rumos, novas experi\u00eancias, novas aventuras. S\u00e3o tamb\u00e9m, por vezes, uma sobrecarga que se leva a contra gosto, com uma \u00e2nsia incontida de que chegue o dia em que v\u00e3o para o outro pai, ou que chegue a noite em que passem de novo para a casa dos mais dias\u2026 Que admira\u00e7\u00e3o que as estat\u00edsticas falem do mau rumo de muitos filhos mal amados, se os pais se voltaram mais para si que para eles? Se lhes d\u00e3o mais facilmente um telem\u00f3vel, que um tempo de carinho e aten\u00e7\u00e3o? Fala-se do direito a ser feliz, sem se tomar conta de que n\u00e3o pode haver verdadeira felicidade, se o pre\u00e7o desta for a infelicidade de inocentes, que n\u00e3o escolheram os pais, nem t\u00eam culpa se o amor que os gerou se esfumou de vez.  <\/p>\n<p>Muitos dos que optam pela uni\u00e3o de facto n\u00e3o t\u00eam, nem querem filhos. Entendemos porqu\u00ea. Um filho \u00e9 um dom. Sem estabilidade dos pais, pode tornar-se um pesadelo.<\/p>\n<p>As leis v\u00e3o facilitando, como se umas coisas nada tivessem a ver com as outras. Dou por mim a pensar se os nossos governantes, e tamb\u00e9m os que legislam, s\u00e3o pais e av\u00f3s. Se vivem com os p\u00e9s no ch\u00e3o e conhecem a realidade. Se alguma vez passaram por dificuldades, ou se s\u00e3o apenas dos novos aventureiros nos quais a vontade pessoal e o jogo de interesses se sobrep\u00f5em a tudo o mais. <\/p>\n<p>Pode favorecer-se a procria\u00e7\u00e3o \u00e0 base de incentivos fiscais, sem se saber que, se h\u00e1 casais que n\u00e3o querem ter filhos, h\u00e1 muitos mais que sofrem por n\u00e3o os terem ou por terem apenas um? Que ainda h\u00e1 mais que desejariam t\u00ea-los, se as condi\u00e7\u00f5es fossem diferentes? Quem est\u00e1 convencido de que o encerramento de algumas maternidades \u00e9 apenas um problema de seguran\u00e7a m\u00e9dica? M\u00e3es a\u00ed parturientes e t\u00e9cnicos de sa\u00fade que as assistiram testemunham, publicamente, que a seguran\u00e7a \u00e9 total? Fecham-se escolas porque n\u00e3o h\u00e1 alunos. Pode o governo n\u00e3o se interrogar sobre a raz\u00e3o de os n\u00e3o haver?<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o se soluciona quando surge, mas prevenindo e agindo sobre as causas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toda a gente fala do deficit econ\u00f3mico e, provavelmente, vai passar-se, mais uma vez, ao lado do drama, que outro nome n\u00e3o se lhe pode dar, do deficit humano e demogr\u00e1fico do nosso pa\u00eds e da destrui\u00e7\u00e3o programada das fam\u00edlias normais. N\u00e3o tem faltado quem alerte para a situa\u00e7\u00e3o. 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