{"id":7217,"date":"2006-05-25T11:32:00","date_gmt":"2006-05-25T11:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7217"},"modified":"2006-05-25T11:32:00","modified_gmt":"2006-05-25T11:32:00","slug":"os-media-rede-de-comunicacao-comunhao-e-cooperacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-media-rede-de-comunicacao-comunhao-e-cooperacao\/","title":{"rendered":"&#8220;Os Media: rede de comunica\u00e7\u00e3o, comunh\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais &#8211; 28 de Maio 2006 <!--more--> \u201cA forma\u00e7\u00e3o para um uso respons\u00e1vel e cr\u00edtico dos media ajuda a pessoa a servir-se da comunica\u00e7\u00e3o social de modo inteligente e apropriado\u201d, afirma Bento XVI na sua primeira mensagem para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais (a do ano passado ainda fora da autoria de Jo\u00e3o Paulo II). Bento XVI sublinha potencialidades e alerta para alguns perigos dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Amados Irm\u00e3os e Irm\u00e3s<\/p>\n<p>1. Em continuidade com o quadrag\u00e9simo anivers\u00e1rio da conclus\u00e3o do Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II, desejo recordar o Decreto sobre os Meios de Comunica\u00e7\u00e3o Social, Inter mirifica, que reconheceu aos mass media o poder de influenciar toda a sociedade humana. A necessidade de usufruir do melhor modo poss\u00edvel de tais potencialidades, em benef\u00edcio da humanidade inteira, estimulou-me, nesta minha primeira mensagem para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, a reflectir acerca do conceito de que os media se podem configurar como uma rede capaz de facilitar a comunica\u00e7\u00e3o, a comunh\u00e3o e a coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, na sua carta aos Ef\u00e9sios, descreve detalhadamente a nossa voca\u00e7\u00e3o humana para \u00abparticipar na natureza divina\u00bb (Dei Verbum, 21): atrav\u00e9s de Cristo, po-demos apresentar-nos ao Pai num s\u00f3 Esp\u00edrito; assim, j\u00e1 n\u00e3o somos estrangeiros nem h\u00f3spedes, mas concidad\u00e3os dos santos e familiares de Deus, tornando-nos templo santo e habita\u00e7\u00e3o de Deus (cf. Ef 2, 18-22). Este retrato sublime de uma vida de comunh\u00e3o engloba todos os aspectos da nossa exist\u00eancia como crist\u00e3os. A chamada a ser fi\u00e9is \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o de Deus em Cristo \u00e9 uma chamada a reconhecer a Sua for\u00e7a din\u00e2mica dentro de n\u00f3s, que depois se alarga aos outros, para que este amor se torne realmente a medida dominante do mundo (cf. Homilia para a Jornada Mundial da Juventude, Col\u00f3nia, 21 de Agosto de 2005).<\/p>\n<p>2. Em certos aspectos, os progressos tecnol\u00f3gicos dos meios de comunica\u00e7\u00e3o venceram o tempo e o espa\u00e7o, permitindo a comunica\u00e7\u00e3o imediata e directa tamb\u00e9m entre pessoas divididas por enormes dist\u00e2ncias. Este desenvolvimento exige uma grande oportunidade para servir o bem comum e \u00abconstitui um patrim\u00f3nio que deve ser salvaguardado e promovido\u00bb (O r\u00e1pido desenvolvimento, 10). Mas, como bem sabemos, o nosso mundo est\u00e1 longe de ser perfeito e verificamos quotidianamente que a rapidez da comunica\u00e7\u00e3o nem sempre consegue criar um esp\u00edrito de colabora\u00e7\u00e3o e de comunh\u00e3o no \u00e2mbito da sociedade.<\/p>\n<p>Iluminar as consci\u00eancias dos indiv\u00edduos e ajud\u00e1-los a desenvolver o pr\u00f3prio pensamento n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil. A comunica\u00e7\u00e3o aut\u00eantica deve basear-se na coragem e na decis\u00e3o. Quantos trabalham nos media devem estar determinados a n\u00e3o se deixarem subjugar pela grande quantidade de informa\u00e7\u00f5es e n\u00e3o devem contentar-se com verdades parciais ou transit\u00f3rias. De facto, \u00e9 preciso procurar difundir as verdades fundamentais e o significado profundo da exist\u00eancia humana, pessoal e social (cf. Fides et ratio, 5). Desta forma, os meios de comunica\u00e7\u00e3o podem contribuir construtivamente para a difus\u00e3o de tudo o que \u00e9 bom e verdadeiro.<\/p>\n<p>3. Hoje, o apelo que se faz \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social \u00e9 que seja respons\u00e1vel, para se tornar protagonista da verdade e promotora da paz que dela deriva, mesmo se isto comporta grandes desafios. Os diversos instrumentos da comunica\u00e7\u00e3o social facilitam o interc\u00e2mbio de informa\u00e7\u00f5es e de ideias, contribuindo para a compreens\u00e3o rec\u00edproca entre os diversos grupos, mas ao mesmo tempo podem ser contaminados pela ambiguidade. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o social s\u00e3o uma \u00abgrande mesa redonda\u00bb para o di\u00e1logo da humanidade, mas algumas atitudes, no seu interior, podem gerar uma monocultura que ofusca o g\u00e9nio criativo, reduz a subtileza de um pensamento complexo e desvaloriza as peculiaridades das pr\u00e1ticas culturais e a individualidade do credo religioso. Estas degenera\u00e7\u00f5es verificam-se, quando a ind\u00fastria dos media se torna fim em si mesma, tendo unicamente por finalidade o lucro, perdendo de vista o sentido de responsabilidade no servi\u00e7o ao bem comum.<\/p>\n<p>Por conseguinte, \u00e9 necess\u00e1rio garantir uma cuidadosa cr\u00f3nica dos acontecimentos, uma explica\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3ria dos assuntos de interesse p\u00fablico, uma apresenta\u00e7\u00e3o ho-nesta dos diversos pontos de vista. A necessidade de defender e encorajar o matrim\u00f3nio e a vida da fam\u00edlia \u00e9 particularmente importante, sobretudo porque se faz refer\u00eancia ao fundamento de todas as culturas e sociedades (cf. Apostolicam actuositatem, 11). Em colabora\u00e7\u00e3o com os pais, os meios de comunica\u00e7\u00e3o social e as ind\u00fastrias do espect\u00e1culo podem servir de apoio na dif\u00edcil mas nobre e satisfat\u00f3ria voca\u00e7\u00e3o de educar as crian\u00e7as, apresentando modelos edificantes de vida humana e de amor (cf. Inter mirifica, 11). Quando se verifica o contr\u00e1rio, todos n\u00f3s nos sentimos desencorajados e aviltados. O nosso cora\u00e7\u00e3o sofre sobretudo quando os nossos jovens s\u00e3o subjugados por express\u00f5es de amor degradantes ou falsas, que ridicularizam a dignidade doada por Deus a cada pessoa humana e amea\u00e7am os interesses da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>4. Para encorajar uma presen\u00e7a construtiva e concreta dos mass media na sociedade, desejo real\u00e7ar a import\u00e2ncia de tr\u00eas aspectos, indicados pelo meu venerado predecessor, o Papa Jo\u00e3o Paulo II, indispens\u00e1veis para um servi\u00e7o destinado ao bem comum: forma\u00e7\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo (cf. O r\u00e1pido desenvolvimento, 11). A forma\u00e7\u00e3o para um uso respons\u00e1vel e cr\u00edtico dos media ajuda a pessoa a servir-se dela de modo inteligente e apropriado. O impacto incisivo de um novo vocabul\u00e1rio e de novas imagens, que sobretudo os mass media electr\u00f3nicos introduzem t\u00e3o facilmente na sociedade, n\u00e3o devem ser subestimados. Os media contempor\u00e2neos formam a cultura popular; portanto, devem vencer qualquer tenta\u00e7\u00e3o de manipula\u00e7\u00e3o, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o aos jovens, procurando ao contr\u00e1rio educar e servir, para garantir a realiza\u00e7\u00e3o de uma sociedade civil digna da pessoa humana, e n\u00e3o a sua desagrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>5. A participa\u00e7\u00e3o nos media nasce da sua pr\u00f3pria natureza, como bem destinado a todos os povos. Como servi\u00e7o p\u00fablico, a comunica\u00e7\u00e3o social exige um esp\u00edrito de coopera\u00e7\u00e3o e co-responsabilidade, exige um uso dos recursos p\u00fablicos s\u00e1bio como nunca e um s\u00e9rio compromisso da parte de quantos desempenham pap\u00e9is de responsabilidade p\u00fablica (cf. \u00c9tica nas Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, 20), recorrendo tamb\u00e9m a normas de regula\u00e7\u00e3o e a outras provid\u00eancias ou estruturas designadas para tal finalidade.<\/p>\n<p>Por fim, a promo\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo atrav\u00e9s do interc\u00e2mbio de cultura, a express\u00e3o de solidariedade e a ades\u00e3o \u00e0 paz oferecem uma grande oportunidade aos media que necessita ser revalorizada e usada. Desta forma, ela torna-se recurso importante e precioso para construir uma civiliza\u00e7\u00e3o de amor, que \u00e9 o desejo de todos os povos.<\/p>\n<p>Tenho a certeza de que s\u00e9rios esfor\u00e7os para promover estes tr\u00eas aspectos desenvolver\u00e3o nos mass media a sua voca\u00e7\u00e3o de redes de comunica\u00e7\u00e3o, de comunh\u00e3o e de coopera\u00e7\u00e3o, ajudando homens, mulheres e crian\u00e7as a tornarem-se mais conscientes da dignidade da pessoa humana, mais respons\u00e1veis e mais abertos aos outros, sobretudo aos membros da sociedade mais necessitados e mais d\u00e9beis (cf. Redemptor hominis, 15; \u00c9tica nas Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, 4).<\/p>\n<p>Para concluir, desejo recordar as encorajadoras palavras de S\u00e3o Paulo: Cristo \u00e9 a nossa paz. Aquele que de dois fez um s\u00f3 povo (cf. Ef 2, 14). Derrubemos o muro de hostilidades que nos divide e construamos a comunh\u00e3o de amor, segundo os projectos do Criador, revelados atrav\u00e9s do Seu Filho!<\/p>\n<p>BENEDICTUS PP. XVI<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais &#8211; 28 de Maio 2006<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[44],"tags":[],"class_list":["post-7217","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-igreja"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7217","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7217"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7217\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7217"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7217"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7217"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}