{"id":7219,"date":"2006-06-01T15:42:00","date_gmt":"2006-06-01T15:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7219"},"modified":"2006-06-01T15:42:00","modified_gmt":"2006-06-01T15:42:00","slug":"sera-que-o-pais-esta-mal-de-financas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sera-que-o-pais-esta-mal-de-financas\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 que o pa\u00eds est\u00e1 &#8220;mal de finan\u00e7as&#8221;?"},"content":{"rendered":"<p>Cartas dos Leitores <!--more--> Ao ler atentamente \u201cForma\u00e7\u00e3o do Cora\u00e7\u00e3o\u201d do Sr. Bispo de Aveiro, D. Ant\u00f3nio Marcelino, publicado neste mesmo Jornal do dia 15 de Mar\u00e7o, senti a necessidade de passar o meu pensamento para este papel, com o desejo de o partilhar com todos os senhores leitores. Em primeiro lugar, come\u00e7o por dizer que tamb\u00e9m me sinto comovido ao ver e ao ouvir a inoc\u00eancia das pessoas (com mais de 80 anos), quando estas se abrem para dizerem \u00e0s \u201csenhoras do Estado\u201d o quanto a sua vida \u00e9 dif\u00edcil. O facto fundamental \u00e9 que toda a ac\u00e7\u00e3o do Estado devia ser segundo o modelo de Jesus, em que a raiz de toda essa mesma ac\u00e7\u00e3o, enraizada no amor e na humanidade, \u00e9 de considerar e servir o outro (seja ele de que condi\u00e7\u00e3o for) como uma pessoa. <\/p>\n<p>Em segundo, gostaria de dizer o que penso sobre o pa\u00eds estar \u201cmal de finan\u00e7as\u201d. Talvez esteja realmente mal, sem d\u00favida alguma, para 80 % da popula\u00e7\u00e3o em Portugal, pelo menos; j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 verdade o que se passa para os restantes 20 %. Estes na sua maioria poderiam ser mais Comunh\u00e3o nas suas actividades, nas suas empresas, enfim, no seu dia a dia.<\/p>\n<p>N\u00e3o desejo criticar aquilo que ganham ou aquilo que possuem. Critico, sim, \u00e9 o desprovimento do SER em rela\u00e7\u00e3o ao TER, da maioria desses 20 % (como escreveu o Economista Ant\u00f3nio Bag\u00e3o F\u00e9lix neste mesmo jornal). Na verdade, se esse TER fosse acompanhado pelo SER, o que importava n\u00e3o seria o que se possui mas sim o que se faria, e n\u00e3o se faz, em prol do outro semelhante. A economia de comunh\u00e3o, pela qual Chiara Lubich se tem debatido, n\u00e3o \u00e9 uma utopia, mas sim uma realidade que pode acontecer, se assim quisermos.<\/p>\n<p>Para ser franco, n\u00e3o me parece que as finan\u00e7as do pa\u00eds estejam assim t\u00e3o mal. Primeiro, o que verdadeiramente n\u00e3o est\u00e1 bem s\u00e3o os interesses de alguns que se fundem em \u201clobbies\u201d particulares, com a capacidade de promover, sob o t\u00edtulo do bem comum, um distribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o justa da riqueza. Segundo, o desperd\u00edcio de recursos (materiais e humanos), que se v\u00ea e sente nos mais variados sectores p\u00fablicos do pa\u00eds, n\u00e3o \u00e9 denunciado porque interessa que assim seja. Daqui se conclui que o que realmente importa fazer n\u00e3o se faz, porque se diz que n\u00e3o h\u00e1 dinheiro.<\/p>\n<p>Sugiro um exemplo pr\u00e1tico, bem real, do nosso quotidiano e por mim mesmo experimentado. No \u00e2mbito de um estudo (1) de higiene, seguran\u00e7a e sa\u00fade no trabalho realizado ao Servi\u00e7o de Imagiologia do Hospital Infante Dom Pedro, estimou-se que, com a implementa\u00e7\u00e3o das medidas investigadas, poder-se-ia reduzir em cerca de 85% os custos totais anuais no Servi\u00e7o. Tais medidas implicariam vantagens quantitativas, como por exemplo a quase inexist\u00eancia de efluentes qu\u00edmicos e, deste modo, os custos no tratamento destes passariam a ser praticamente nulos; e, vantagens qualitativas, como s\u00e3o os exemplos da melhoria substancial da qualidade do ar interior e da redu\u00e7\u00e3o em cerca de 40% das emiss\u00f5es de radia\u00e7\u00f5es (raios X), directamente nos utentes e indirectamente nos trabalhadores. <\/p>\n<p>Acontece que n\u00e3o \u00e9 comum olhar, ou pouco interessa, este tipo de esfor\u00e7os, de empreendimentos para melhorar o bem-estar de todos quanto utilizam este Servi\u00e7o de Sa\u00fade, em particular utentes, e os pr\u00f3prios trabalhadores que diariamente ali exercem a sua actividade. Diz-se que n\u00e3o h\u00e1 recursos financeiros para combater o desperd\u00edcio, que, neste caso, como se viu, equivale a cerca de 85 % de custos anuais; e n\u00e3o entendem que, se fosse combatido, este desperd\u00edcio se traduziria numa poupan\u00e7a dos mesmos.<\/p>\n<p>Devo dizer que a pr\u00f3pria Administra\u00e7\u00e3o do Hospital Infante Dom Pedro (que tomou posse cerca de 5 meses depois de efectuado este trabalho), encontrando-se, como o pa\u00eds se encontra, numa crise financeira, uma das suas primeiras me-didas tomadas foi a aquisi\u00e7\u00e3o de viaturas pr\u00f3prias, dizendo algu\u00e9m que \u201cnuma situa\u00e7\u00e3o destas \u00e9 normal\u201d. <\/p>\n<p>Na verdade, o dinheiro \u2014 que vem de mim, do senhor leitor e, em suma, de todos n\u00f3s, atrav\u00e9s dos impostos \u2014 existe; mas pouco importa controlar, pois \u00e9 no sup\u00e9rfluo e n\u00e3o no essencial que \u00e9 aplicado!<\/p>\n<p>Actualmente, no Servi\u00e7o em quest\u00e3o, praticamente tudo continua na mesma, com a excep\u00e7\u00e3o de se efectuarem consultas mais detalhadas para os trabalhadores expostos aos raios X.<\/p>\n<p>Fernando Alves da Fonseca<\/p>\n<p>(1) Estudo realizado por Fernando Alves da Fonseca, no \u00e2mbito do Curso de T\u00e9cnico Superior de Seguran\u00e7a, Higiene e Sa\u00fade do Trabalho, intitulado \u201cHigiene e Seguran\u00e7a no Servi\u00e7o de Imagiologia do Hospital Infante D. Pedro\u201d, Novembro 2005, Centro de Forma\u00e7\u00e3o Profissional de Aveiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cartas dos Leitores<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-7219","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espaco-comum"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7219","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7219"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7219\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7219"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7219"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7219"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}