{"id":7220,"date":"2006-06-01T15:43:00","date_gmt":"2006-06-01T15:43:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7220"},"modified":"2006-06-01T15:43:00","modified_gmt":"2006-06-01T15:43:00","slug":"crises-e-criticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/crises-e-criticas\/","title":{"rendered":"Crises&#8230; E cr\u00edticas"},"content":{"rendered":"<p>Toda a gente de bom senso sabe que a intelig\u00eancia humana \u00e9 limitada, que a verdade se \u201cpossui\u201d por aproxima\u00e7\u00f5es, quantas vezes incipientes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Verdade total. Como tamb\u00e9m sabe que n\u00e3o h\u00e1 ac\u00e7\u00e3o humana sem inten\u00e7\u00e3o! E o percurso a fazer, desde a observa\u00e7\u00e3o dos factos \u00e0 intencionalidade dos protagonistas, \u00e9 tortuoso, muitas vezes esbatido e quase impercept\u00edvel. E ningu\u00e9m ignora que est\u00e3o hoje apuradas as t\u00e9cnicas do disfarce, para despistar os investigadores, para sugerir falsos caminhos, para mascarar a culpa de inoc\u00eancia, para levantar suspeita sobre a verdade nua e crua da inoc\u00eancia.<\/p>\n<p>N\u00e3o espanta, por isso, que se possa dizer sem receios, na justi\u00e7a, que, muitas vezes, \u201ca verdade processual n\u00e3o corresponde \u00e0 verdade factual\u201d. Porque se trata de lidar com pessoas, inteligentes, transparentes ou perversas, o caminho de averigua\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a \u00e9 esfor\u00e7ado, n\u00e3o \u00e9 linear, pode n\u00e3o ser totalmente conclusivo.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel \u00e9 que a verdade se torne subjectiva, resultante dos pre-conceitos ou pre-interesses dos investigados ou dos investigadores. O que n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel \u00e9 que se arrastem averigua\u00e7\u00f5es salpicadas de truques \u201cjur\u00eddicos\u201d, na mira de eventuais amnistias ou prescri\u00e7\u00f5es de processos. O que n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel \u00e9 que as limita\u00e7\u00f5es de recursos humanos ou materiais se transformem em obstru\u00e7\u00f5es ao apuramento da verdade. O que n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel \u00e9 que haja portugueses de primeira e de segunda (ou porventura at\u00e9 de terceira), conforme os meios econ\u00f3micos para sustentar defesas e acusa\u00e7\u00f5es. O que n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel \u00e9 que a comunica\u00e7\u00e3o social desvirtue, por colocar na ribalta ou por remeter ao esquecimento, nem a dimens\u00e3o dos factos nem a import\u00e2ncia dos poss\u00edveis protagonistas.<\/p>\n<p>Estamos em que pa\u00eds? Como \u00e9 que processos de sangue prescrevem, sem sabermos se houve ou n\u00e3o atentado? Quando \u00e9 que t\u00eam fim \u00e0 vista processos de corrup\u00e7\u00e3o e tr\u00e1fico de influ\u00eancias? Quando \u00e9 que se limpa de tons pol\u00edticos uma saga que toca a dignidade de menores, para serem punidos os culpados e reabilitados os inocentes?&#8230; <\/p>\n<p>A justi\u00e7a \u00e9 o \u00faltimo dos basti\u00f5es da seguran\u00e7a dos cidad\u00e3os e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o indicador m\u00ednimo da estabilidade de uma sociedade. Em quem podemos confiar, se as crises, tantas vezes menores, se tornam alibi para a falta de efic\u00e1cia, que s\u00f3 depende da vontade de \u201cfazer verdade\u201d?&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 claro que, muitas vezes, \u201ca verdade processual n\u00e3o coincide com a verdade factual\u201d. Mas o que n\u00e3o pode \u00e9 desculpar-se com isso a justi\u00e7a. E, se n\u00e3o coincide, tem, necessariamente, de apontar para essa coincid\u00eancia, tem de abrir caminho para ela!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toda a gente de bom senso sabe que a intelig\u00eancia humana \u00e9 limitada, que a verdade se \u201cpossui\u201d por aproxima\u00e7\u00f5es, quantas vezes incipientes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Verdade total. Como tamb\u00e9m sabe que n\u00e3o h\u00e1 ac\u00e7\u00e3o humana sem inten\u00e7\u00e3o! 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