{"id":724,"date":"2010-01-28T10:37:00","date_gmt":"2010-01-28T10:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=724"},"modified":"2010-01-28T10:37:00","modified_gmt":"2010-01-28T10:37:00","slug":"a-grande-tragedia-que-se-abate-sobre-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-grande-tragedia-que-se-abate-sobre-o-mundo\/","title":{"rendered":"A grande trag\u00e9dia que se abate sobre o mundo"},"content":{"rendered":"<p>Mais uma vez, por motivos tr\u00e1gicos, o mundo est\u00e1 unido na ajuda e na solidariedade. \u00c9 com grande alegria que olho para esta faceta do nosso mundo. At\u00e9 os bloqueios do espa\u00e7o a\u00e9reo deixam de o ser para ajudar o que resta de um povo: j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o em causa as cidades destru\u00eddas, mas s\u00e3o os seres humanos, reduzidos a quase nada e massacrados ainda mais na sua enorme pobreza. Quanto vale o ser humano nestas circunst\u00e2ncias! Aqui, todo o mundo est\u00e1 de acordo.<\/p>\n<p>As trag\u00e9dias naturais sempre existiram, e n\u00e3o ser\u00e3o mais hoje do que nos tempos passados. A diferen\u00e7a est\u00e1 em que a informa\u00e7\u00e3o quase n\u00e3o chegava, e, do muito que sucedia no mundo, nada era conhecido sen\u00e3o pelos mais pr\u00f3ximos, pelo menos com a intensidade que as novas tecnologias nos permitem alcan\u00e7ar hoje. N\u00e3o \u00e9 mau, bem pelo contr\u00e1rio. A chamada aldeia global permite-nos esta presen\u00e7a efectiva do mundo a entrar diariamente pelas nossas casas e a entalar o nosso pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Ricos ou pobres, grandes ou pequenos, todos estamos solid\u00e1rios e desejosos de ajudar, e quanto mais pobres s\u00e3o os atingidos mais vontade temos n\u00f3s de entrar na corrente. <\/p>\n<p>Mas que bom seria se o mundo fosse sempre assim no dia-a-dia! <\/p>\n<p>Infelizmente h\u00e1 a outra faceta, aquela que se mostra e vive na, digamos assim, normalidade. E a normalidade est\u00e1 cheia de trag\u00e9dias grandes dimens\u00f5es. Se pensarmos nos milhares de pessoas que todos os dias morrem de fome, se pensarmos nos milh\u00f5es de leprosos, nos milh\u00f5es de refugiados, nos massacres por motivos raciais e \u00e9tnicos, nos perseguidos por intoler\u00e2ncia pol\u00edtica, social ou religiosa, nas v\u00edtimas inocentes das guerras e do terrorismo, nos milh\u00f5es de indefesos e em condi\u00e7\u00f5es indignas de sa\u00fade e de habita\u00e7\u00e3o, dos milhares e milhares de explorados pela for\u00e7a dos opressores ou colonizadores, escondidos debaixo da capa do desenvolvimento, dos in\u00fameros sem-abrigo em todos os cantos, das crian\u00e7as v\u00edtimas do tr\u00e1fico sexual e da explora\u00e7\u00e3o do trabalho infantil, dos milh\u00f5es de desempregados despedidos atrav\u00e9s de tantos e tantos processos obscuros\u2026 se pensarmos nisto a s\u00e9rio, conclu\u00edmos que este mundo t\u00e3o solid\u00e1rio n\u00e3o existe, sen\u00e3o nessas circunst\u00e2ncias extraordin\u00e1rias.<\/p>\n<p>\u00c9 isto que faz doer a alma e atira milh\u00f5es e milh\u00f5es de pessoas para a fome, para uma vida de desespero e sem sentido, e mesmo para a morte, perante a indiferen\u00e7a dos donos e senhores deste mundo, que, \u00e0 sua maneira, vai criando em n\u00f3s a mentalidade de que a vida \u00e9 mesmo assim. <\/p>\n<p>Quando h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es tr\u00e1gicas que resultam da pr\u00f3pria natureza e suas for\u00e7as, apesar do mal-estar, sofrimentos e dor que nos causam, n\u00f3s acabamos por nos conformar. Pena \u00e9 que, ao contr\u00e1rio, quando tais trag\u00e9dias s\u00e3o criadas e desenvolvidas pelo \u00f3dio, pela vingan\u00e7a, pelo mau uso das tecnologias, pelo desejo insaci\u00e1vel do poder ou do dinheiro, numa palavra, pela vontade clara de um ser humano dominar e controlar outro ser humano, estejamos perante verdadeiros crimes contra a humanidade: o homem destr\u00f3i o seu irm\u00e3o, e ficamos indiferentes. \u00c9 o mundo do Caim e do Abel!<\/p>\n<p>Pois \u00e9! \u00c9 por isso que as pessoas que lutam pela justi\u00e7a fazem apelo cont\u00ednuo a uma equitativa distribui\u00e7\u00e3o de riquezas e bens, uma vez que os bens e riquezas da humanidade s\u00e3o de todos para benef\u00edcio de todos. Dificilmente os pobres exploram os ricos e, se o fazem, ser\u00e3o \u201cexemplarmente\u201d castigados. Por\u00e9m, muito facilmente os ricos exploram os pobres, e quanto mais pobres mais explorados, sem que os culpados sejam exemplarmente castigados (sem aspas).<\/p>\n<p>Quantas revistas h\u00e1 em Portugal a falar dos problemas dos mais pobres? Quantas h\u00e1 a falar dos mais ricos e suas excentricidades? Ainda por cima, s\u00e3o os pobres a alimentar esta forma de meter dinheiro nos bolsos de uns quantos a quem a comunica\u00e7\u00e3o social acolhe, enaltece e publicita.<\/p>\n<p>Acredito ser poss\u00edvel que o mundo tenha sempre a mesma face: a da entreajuda, da solidariedade, do p\u00e3o para todos, da paz e a do amor. O mundo que Deus quer \u00e9 este. Vamos lutar por ele assim. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais uma vez, por motivos tr\u00e1gicos, o mundo est\u00e1 unido na ajuda e na solidariedade. \u00c9 com grande alegria que olho para esta faceta do nosso mundo. 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