{"id":7241,"date":"2006-06-01T16:43:00","date_gmt":"2006-06-01T16:43:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7241"},"modified":"2006-06-01T16:43:00","modified_gmt":"2006-06-01T16:43:00","slug":"porque-os-quatro-evangelhos-e-nao-outros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/porque-os-quatro-evangelhos-e-nao-outros\/","title":{"rendered":"Porqu\u00ea os Quatro Evangelhos e n\u00e3o outros?"},"content":{"rendered":"<p>Muito se escreveu sobre os erros hist\u00f3ricos, matem\u00e1ticos e cient\u00edficos do livro\/filme. Alguns dos mais evidentes t\u00eam a ver com o Priorado de Si\u00e3o (que n\u00e3o foi criado em 1099, como diz o livro\/filme, mas em 1956, por Pierre Plantard, um desequilibrado mental, que se queria fazer passar por descendente dos reis merov\u00edngios), com o Conc\u00edlio de Niceia (que n\u00e3o serviu para condenar o paganismo, mas sim o arianismo, uma heresia crist\u00e3), ou com a forma mais r\u00e1pida e eficaz de abrir o criptex. O enredo da obra anda \u00e0 volta de um jogo de pistas para conseguir a palavra chave de abertura desse pequeno cofre. A quest\u00e3o \u00e9 que, para abrir tal artefacto basta p\u00f4-lo no congelador durante uns minutos. O vinagre do seu interior, congelado, j\u00e1 n\u00e3o destr\u00f3i o papiro&#8230;<\/p>\n<p>Por\u00e9m, pouco se tem dito ou escrito sobre os evangelhos ap\u00f3crifos, que supostamente a Igreja teria escondido dos crentes. Em \u201cO C\u00f3digo da Vinci\u201d fala-se do Evangelho de Filipe, como h\u00e1 dias se falou do Evangelho de Judas. Curiosamente, Dan Brown n\u00e3o diz que o Evangelho de Filipe, o tal que fala da Madalena, recusa a procria\u00e7\u00e3o, uma das ideias centrais do gnosticismo antigo&#8230;<\/p>\n<p>Fica, no entanto, a quest\u00e3o: Por que \u00e9 que a Igreja aceitou apenas quatro evangelhos? Marcos, Mateus, Lucas e Jo\u00e3o s\u00e3o considerados \u201cinspirados pelo Espirito Santo\u201d, enquanto pelo menos duas dezenas, tendo em conta as refer\u00eancias e transcri\u00e7\u00f5es que os te\u00f3logos crist\u00e3os deixaram nos seus pr\u00f3prios escritos e os achados arqueol\u00f3gicos de Nag Hammadi (Egipto), s\u00e3o considerados n\u00e3o inspirados. E n\u00e3o adianta dizer que \u201cs\u00e3o quatro porque se fossem tr\u00eas eram de menos e se fossem cinco era de mais\u201d&#8230;<\/p>\n<p>Vale a pena fixar o que vem na p\u00e1g. 40 do \u201cCurso de Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Leitura da B\u00edblia\u201d, de La casa de La Biblia, ed. Gr\u00e1fica de Coimbra:<\/p>\n<p>\u201cNem todos os escritos do cristianismo nascente foram inclu\u00eddos no c\u00e2none, ou lista de livros sagrados do Novo Testamento. Alguns escritos, de indubit\u00e1vel car\u00e1cter crist\u00e3o e compostos ainda dentro do s\u00e9c. I d.C., como a Didak\u00e9 ou a carta de S\u00e3o Clemente Romano aos Cor\u00edntios, n\u00e3o foram contados entre os livros que cont\u00eam a revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Porque \u00e9 que apenas vinte e sete daqueles escritos come\u00e7aram a fazer parte da lista ou \u201cc\u00e2non\u201d de livros inspirados e normativos para a f\u00e9 e para a vida da Igreja? Que crit\u00e9rios se utilizaram para aceitar uns e recusar outros?<\/p>\n<p>O processo de forma\u00e7\u00e3o do c\u00e2non foi lento, conheceu diversas etapas e prolongou-se at\u00e9 ao s\u00e9c. II d.C. Foram tr\u00eas os principais crit\u00e9rios usados para determinar quais os livros que deviam fazer parte da lista dos escritos revelados:<\/p>\n<p>&#8211; Em primeiro lugar, a sua apostolicidade, isto \u00e9, a origem apost\u00f3lica de um escrito, por ter sido composto por um ap\u00f3stolo, ou por algum dos seus colaboradores ou disc\u00edpulos.<\/p>\n<p>&#8211; Em segundo lugar, a conformidade de um escrito coma tradi\u00e7\u00e3o viva da Igreja, ou seja, a sua ortodoxia.<\/p>\n<p>&#8211; Em terceiro lugar, foi um crit\u00e9rio de grande import\u00e2ncia o facto de tais escritos serem usados na leitura p\u00fablica da Igreja na maior parte das comunidades crist\u00e3s\u201d.<\/p>\n<p>Este \u00faltimo crit\u00e9rio, a \u201cliturgicidade\u201d ou \u201cuso lit\u00fargico\u201d, que alguns estudiosos consideram ser o mais importante, significa que antes de o escrito ser aprovado pela autoridade foi seguido (e rezado) pelas primeiras comunidades crist\u00e3s.<\/p>\n<p>Nota final: Quem desejar saber mais sobre as quest\u00f5es levantadas pela referida obra, pode consultar http:\/\/pt.jesusdecoded.com, a tradu\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas do site norte-americano referido nestas p\u00e1ginas na semana passada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito se escreveu sobre os erros hist\u00f3ricos, matem\u00e1ticos e cient\u00edficos do livro\/filme. Alguns dos mais evidentes t\u00eam a ver com o Priorado de Si\u00e3o (que n\u00e3o foi criado em 1099, como diz o livro\/filme, mas em 1956, por Pierre Plantard, um desequilibrado mental, que se queria fazer passar por descendente dos reis merov\u00edngios), com o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-7241","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7241","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7241"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7241\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7241"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7241"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7241"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}