{"id":7280,"date":"2006-06-01T18:19:00","date_gmt":"2006-06-01T18:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7280"},"modified":"2006-06-01T18:19:00","modified_gmt":"2006-06-01T18:19:00","slug":"problemas-psicologicos-da-mulher-apos-o-abortamento-provocado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/problemas-psicologicos-da-mulher-apos-o-abortamento-provocado\/","title":{"rendered":"Problemas psicol\u00f3gicos da mulher ap\u00f3s o abortamento provocado"},"content":{"rendered":"<p>Pensar a Vida <!--more--> Fico sempre chocado quando, no meio das campanhas que sempre se fazem ao discutir o abortamento provocado, aparecem mulheres em manifesta\u00e7\u00f5es, a proclamarem publicamente que tamb\u00e9m elas j\u00e1 fizeram um ou mais abortamentos. E a minha incompreens\u00e3o \u00e9 tanto maior quanto \u00e9 dif\u00edcil negar que, a seguir a uma fecunda\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma nova vida humana que come\u00e7a a desenvolver-se e crescer dentro da m\u00e3e.<\/p>\n<p>Na verdade, antigamente, a gravidez era um tempo de segredo em que a m\u00e3e pressentia a gesta\u00e7\u00e3o pela aus\u00eancia da menstrua\u00e7\u00e3o regular e por sinais indirectos concretizados pelo bater dum cora\u00e7\u00e3o dentro de si a um ritmo diferente do seu, ou mais tarde, pelos movimentos fetais.<\/p>\n<p>Hoje, basta procurar revistas, que se encontram com facilidade no quiosque da esquina onde compramos os jornais di\u00e1rios, e escolher as que descrevem, infelizmente quase sempre em l\u00edngua estrangeira, os primeiros nove meses de vida, ilustrados por excelentes reprodu\u00e7\u00f5es de ecografias intra-uterinas. Ou ent\u00e3o, ainda com mais impacto, ter a sorte de rever na televis\u00e3o, programas j\u00e1 apresentados v\u00e1rias vezes em diferentes canais, que mostram o beb\u00e9 desde a sua fecunda\u00e7\u00e3o, filmado por ec\u00f3grafos do \u00faltimo modelo.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso hoje dif\u00edcil ignorar que um abortamento representa a destrui\u00e7\u00e3o dessa vida humana dentro do seu corpo, que s\u00f3 uma  mulher pode um dia sentir.<\/p>\n<p>Por isso, as \u00fanicas possibilidades de minimizar o sofrimento e a depress\u00e3o dessa perda est\u00e3o no tentar convencer-se de que aquela hemorragia foi uma simples menstrua\u00e7\u00e3o que n\u00e3o veio na altura pr\u00f3pria, ou ent\u00e3o que o beb\u00e9 viria a sofrer com as anomalias, ou as defici\u00eancias sens\u00f3rio-motoras que o iriam afectar para sempre. Outras vezes, a ades\u00e3o ao abortamento \u00e9 conseguida por motivos sociais que deprimem a mulher, deixando-a sem apoios nem solu\u00e7\u00e3o aparente.<\/p>\n<p>Est\u00e3o neste caso as m\u00e3es adolescentes ou pr\u00e9-adolescentes, as mulheres solteiras abandonadas pela fam\u00edlia e principalmente pelo pai  daquele filho, a figura que desde sempre se habituou a lavar as m\u00e3os qual Pilatos da era moderna. Outras situa\u00e7\u00f5es ainda mais dram\u00e1ticos est\u00e3o ligadas a viola\u00e7\u00f5es, \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o mais ou menos institucionalizada, acompanhadas por uma mis\u00e9ria econ\u00f3mica que recai quase sempre sobre os ombros da  mulher deixada s\u00f3.<\/p>\n<p>A maternidade, que deveria ser uma fonte de alegria e de plenitude, passa a ser assim um motivo de sofrimento e de ang\u00fastia.<\/p>\n<p>Na realidade, apesar de todos os mecanismos psicol\u00f3gicos de desculpabiliza\u00e7\u00e3o e de despenaliza\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, qualquer mulher, depois dum abortamento provocado, sofre uma depress\u00e3o pr\u00f3pria dum verdadeiro trabalho de luto.<\/p>\n<p>H\u00e1, primeiro, uma revolta contra o homem que enjeitou as suas responsabilidades e a deixou, ou mesmo a for\u00e7ou a abortar. Depois, contra o meio onde vive, que ela considera mais ou menos c\u00famplice de tudo o que lhe aconteceu. Esta mesma agressividade pode estender-se ao m\u00e9dico, que ela no seu subconsciente acaba por culpar, porque nunca se poder\u00e1 ter a certeza absoluta de que no fundo de si mesma ela n\u00e3o quisesse ter aquele filho.<\/p>\n<p>O sindroma de culpabiliza\u00e7\u00e3o\/desculpabiliza\u00e7\u00e3o, de depress\u00e3o e agressividade, que pode estar em rela\u00e7\u00e3o com a interrup\u00e7\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas pr\u00f3prias da gesta\u00e7\u00e3o, pode perdurar. Muitas vezes, renova-se com a eventual dificuldade de conseguir uma nova gravidez, logo atribu\u00edda por ela a uma esp\u00e9cie de castigo que a vai perseguir, a si ou mesmo ao outro filho que j\u00e1 deseja, mas que, por isso mesmo, ter\u00e1 dificuldade em imaginar.<\/p>\n<p>Por tudo isto, o abortamento nunca ter\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica f\u00e1cil, antes ou depois de se ter realizado. No fundo, se o filho \u00e9 sempre a primeira v\u00edtima, a mulher, a outra v\u00edtima principal, exige imensa empatia e compreens\u00e3o do m\u00e9dico, do psic\u00f3logo, da fam\u00edlia ou mesmo do sacerdote, para que  possa um dia reencontrar de novo a esperan\u00e7a e a paz.<\/p>\n<p>Jorge Biscaia (Pediatra)<\/p>\n<p>Jorge Biscaia (Pediatra) escreve a convite da ADAV<\/p>\n<p>ADAV\/Aveiro \u2013 Associa\u00e7\u00e3o de Defesa e Apoio da Vida\/Aveiro. <\/p>\n<p>Telef.: 234 424 040<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensar a Vida<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-7280","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7280","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7280"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7280\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7280"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7280"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7280"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}