{"id":7306,"date":"2006-06-08T12:04:00","date_gmt":"2006-06-08T12:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7306"},"modified":"2006-06-08T12:04:00","modified_gmt":"2006-06-08T12:04:00","slug":"666-um-numero-que-nao-assusta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/666-um-numero-que-nao-assusta\/","title":{"rendered":"666 &#8211; Um n\u00famero que n\u00e3o assusta"},"content":{"rendered":"<p>Ontem foi o dia 6 de Junho do 2006. 6 do 6 do 6. Para alguns esta data \u00e9 assustadora, porque reproduz o chamado \u201cn\u00famero do diabo\u201d: 666.<\/p>\n<p>As not\u00edcias, j\u00e1 no domingo, 4 de Junho (quando estas notas s\u00e3o escritas), davam conta da proximidade da data e do seu aproveitamento comercial (pelo cinema, por exemplo). Talvez valha a pena olhar para a origem e significado do n\u00famero, que tem mais de humano do que de diab\u00f3lico.<\/p>\n<p>A origem do 666 \u00e9 b\u00edblica, como \u00e9 sabido. No Livro do Apocalipse, o \u00faltimo da B\u00edblia, num trecho sobre a \u201cBesta que subia da terra\u201d, diz-se: \u201cAqui \u00e9 preciso sabedoria: o que \u00e9 inteligente decifre o n\u00famero da besta, que \u00e9 um n\u00famero de homem; o seu n\u00famero \u00e9 seiscentos e sessenta e seis\u201d (Ap 13,18).<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio texto b\u00edblico sugere que descubramos quem \u00e9 a Besta. D\u00e1 a entender que os destinat\u00e1rios originais deste escrito, as primeiras comunidades crist\u00e3s perseguidas pelos poderes imperiais, tinham elementos para identificar a Besta.<\/p>\n<p>Muitos nomes se apontaram ao longo da hist\u00f3ria como sendo os da verdadeira Besta, desde os mais antigos aos mais recentes, e dos mais ponderados aos mais disparatados. As explica\u00e7\u00f5es mais l\u00f3gicas e condizentes com o esp\u00edrito do livro, que pretende consolar as comunidades perseguidas e fazer com que se mantenham \u00edntegras na f\u00e9, relaciona a Besta com o poder imperial romano. Como qualquer poder, tornado absoluto, divinizado, torna-se diab\u00f3lico.<\/p>\n<p>Destacam-se duas explica\u00e7\u00f5es, ambas baseadas no mesmo princ\u00edpio. Enquanto em portugu\u00eas escrevemos os n\u00fameros com certos sinais (1,2,3&#8230;), em hebraico e grego, empregam-se as letras do alfabeto para escrever os n\u00fameros. Ao \u201cA\u201d hebraico corresponde o 1, ao \u201cB\u201d o 2, etc. Como ainda n\u00e3o havia o conceito de 0 (Zero), 10 era representado pela letra \u201cJ\u201d; 100, pela letra\u201d Q\u201d; 200, pela letra \u201cR\u201d; 400, pela letra \u201cT\u201d, etc. Ora, uma das formas de obter o valor 666 \u00e9 somando 400 (T) + 200 (R) + 10 (J) + 50 (N) + 6 (W), o que, em hebraico d\u00e1 TRJNW, ou seja, Trajano (o hebraico s\u00f3 tem consoantes), o imperador que governou de 98 a 117 d.C. e sob o qual teve lugar o mart\u00edrio do bispo Sim\u00e3o, sucessor de Tiago em Jerusal\u00e9m. \u00c9 prov\u00e1vel que Ap 13,15 fa\u00e7a alus\u00e3o a esta persegui\u00e7\u00e3o, enquanto Ap 13,12-14 recorda os servi\u00e7os prestados por Trajano a Domiciano e a Nerva.<\/p>\n<p>Outra forma de obter o mesmo n\u00famero \u00e9 somando o valor hebraico das letras de Nero C\u00e9sar (NRWN QSR), o imperador que iniciou as persegui\u00e7\u00f5es aos crist\u00e3os e sob o qual ter\u00e3o sido martirizados os ap\u00f3stolos Pedro e Paulo: 50 (N) + 200 (R) + 6 (W) + 50 (N) + 100 (Q) + 60 (S) + 200 (R) = 666.<\/p>\n<p>Seja de que maneira for, o n\u00famero fala de algu\u00e9m do passado. Ir al\u00e9m disso \u00e9 alimentar supersti\u00e7\u00f5es e deturpar a mensagem b\u00edblica.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ontem foi o dia 6 de Junho do 2006. 6 do 6 do 6. Para alguns esta data \u00e9 assustadora, porque reproduz o chamado \u201cn\u00famero do diabo\u201d: 666. 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