{"id":7342,"date":"2006-06-08T15:22:00","date_gmt":"2006-06-08T15:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7342"},"modified":"2006-06-08T15:22:00","modified_gmt":"2006-06-08T15:22:00","slug":"os-filhos-da-nacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-filhos-da-nacao\/","title":{"rendered":"Os filhos da Na\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Porqu\u00ea, pergunta-se, o desporto \u00e9 o lugar de despejo de tantas ang\u00fastias e esperan\u00e7as de gente das mais variadas condi\u00e7\u00f5es sociais e culturais?<\/p>\n<p>Porqu\u00ea esse amontoado de sentimentos de vit\u00f3ria ou frustra\u00e7\u00e3o, pelo simples facto \u2013 sejamos claros, falemos do futebol \u2013 de uma bola atravessar a linha desejada e interdita da baliza, depois de tantas leis aleat\u00f3rias criadas e retocadas para tornar mais complexa e sedutora a opera\u00e7\u00e3o vit\u00f3ria? Porqu\u00ea tudo isto, se sabemos de antem\u00e3o, que nada se passa, al\u00e9m dum pr\u00e9vio acordo convencional que dar\u00e1 a palma da vit\u00f3ria ou desonra da humilha\u00e7\u00e3o? E, se entrarmos no terreno da empresa e do investimento, do est\u00e1dio e de todos os suportes que est\u00e3o na retaguarda dum jogo de futebol, que diferen\u00e7a entre o jogo do grande est\u00e1dio e um entretenimento de bairro com uma insignificante bola de trapos?<\/p>\n<p>As coisas n\u00e3o s\u00e3o apenas o que s\u00e3o. S\u00e3o o que simbolizam, mais as met\u00e1foras que escondem, os sentimentos que expressam, as explos\u00f5es de apre\u00e7o ou f\u00faria que acordam num clube, numa equipa, num pa\u00eds, numa p\u00e1tria. E nesta mat\u00e9ria, o desporto &#8211; o futebol, no caso &#8211; aproxima-se de todo o discurso pol\u00edtico, econ\u00f3mico, social e at\u00e9 religioso, quase lit\u00fargico, reflectindo-se no est\u00edmulo e no desencanto, nos \u00eaxitos e fracassos paralelos e eventualmente prenunciadores da colagem do real ao assumidamente simb\u00f3lico do futebol. Parece que o pa\u00eds, perdido ou ganho um torneio, se sente perdido ou reencontrado no seu evoluir econ\u00f3mico, social, internacional, como imagem de prest\u00edgio ou objecto de compaix\u00e3o ou desprezo. O futebol ultrapassa as suas linhas, rompe as suas redes, suspende ou manda prosseguir o desafio da vida, puxa de cart\u00f5es para castigar ou determinar os que devem ser expulsos do campo da dignidade. <\/p>\n<p>E mesmo quem n\u00e3o gosta de futebol quer saber o que aconteceu ou vai acontecer a Portugal, como quem perscruta o or\u00e1culo dos deuses sobre o seu futuro. Estamos perante um jogo que se liga, mais do que se pensa, a um transcendente recheado de surpresa. Como escreveu Peguy: \u201cEu jogo por vezes com o homem, diz Deus, mas quem quer perder \u00e9 ele \u2013 tonto &#8211; e sou eu quem quer que ele ganhe. E consegui, algumas vezes, que fosse o homem a ganhar\u2026\u201d<\/p>\n<p>Surpreendente, o jogo da vida, mais que os grandes jogos de est\u00e1dio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porqu\u00ea, pergunta-se, o desporto \u00e9 o lugar de despejo de tantas ang\u00fastias e esperan\u00e7as de gente das mais variadas condi\u00e7\u00f5es sociais e culturais? Porqu\u00ea esse amontoado de sentimentos de vit\u00f3ria ou frustra\u00e7\u00e3o, pelo simples facto \u2013 sejamos claros, falemos do futebol \u2013 de uma bola atravessar a linha desejada e interdita da baliza, depois de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-7342","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7342","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7342"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7342\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7342"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7342"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7342"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}