{"id":7346,"date":"2006-06-08T15:27:00","date_gmt":"2006-06-08T15:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7346"},"modified":"2006-06-08T15:27:00","modified_gmt":"2006-06-08T15:27:00","slug":"direita-e-esquerda-ja-chega-de-marcar-passo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/direita-e-esquerda-ja-chega-de-marcar-passo\/","title":{"rendered":"Direita e esquerda&#8230; J\u00e1 chega de marcar passo"},"content":{"rendered":"<p>A prova de que a linguagem \u201cdireita e esquerda\u201d \u00e9 redutora e perde cada dia mais sentido est\u00e1 no facto de que anda tudo baralhado. Agora j\u00e1 se diz que o governo de esquerda faz pol\u00edtica de direita, como se titula, com displic\u00eancia, de direita, o que h\u00e1 socialmente de mais progressivo, como o respeito pela vida e pela fam\u00edlia, bem como pela promo\u00e7\u00e3o e pela defesa de uma e de outra. Tamb\u00e9m se teima em rotular a Igreja de direita retr\u00f3grada, ela que \u00e9 a institui\u00e7\u00e3o que h\u00e1 mais tempo e de modo mais organizado e persistente, promove a ac\u00e7\u00e3o social em favor de todos e \u00e9 quase a \u00fanica que est\u00e1 viva e activa em campos sociais dif\u00edceis, que ningu\u00e9m quer, nem deseja. Do mesmo modo, s\u00e3o de direita conservadora as propostas de cariz \u00e9tico, indispens\u00e1veis no campo da investiga\u00e7\u00e3o e das novas tecnologias com dimens\u00e3o antropol\u00f3gica. <\/p>\n<p>Classificar de direita ou de esquerda a actividade social, institucional e humana, por raz\u00f5es meramente ideol\u00f3gicas e pol\u00edticas, quando a realidade contradiz os conceitos e a ac\u00e7\u00e3o se reduz a palavras f\u00e1ceis, \u00e9 inverter todo o sentido de uma responsabilidade social alargada e marginalizar institui\u00e7\u00f5es e pessoas, \u00fateis e comprometidas, em favor de amigos e de interesses que surgem logo quando o vento \u00e9 favor\u00e1vel.<\/p>\n<p>J\u00e1 chega de marcar passo para ficar sempre colado ao mesmo ch\u00e3o. Ao lado, muitas coisas v\u00e3o desabando, enquanto se discute tudo para se saber o que \u00e9 de direita ou de esquerda. Ver a sociedade apenas pela janela de uma ideologia de valor relativo ou de uma pol\u00edtica limitada nos seus postulados e objectivos, \u00e9 empobrecer cada vez mais a mesma sociedade, e continuar a levantar muros, onde \u00e9 urgente derrubar os que restam.<\/p>\n<p>Mais do que discutir o campo da direita ou da esquerda, \u00e9 importante pensar, correctamente, os problemas que afectam as pessoas e as suas vidas, unir esfor\u00e7os e gerar consensos e compromissos, para lhes procurar a solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. <\/p>\n<p>H\u00e1 problemas graves, como a educa\u00e7\u00e3o com sucesso futuro na escola e na fam\u00edlia, a marginalidade juvenil, a instabilidade no trabalho, a inseguran\u00e7a de pessoas e bens, a crescente mis\u00e9ria material e moral, o decr\u00e9scimo acentuado da natalidade, a instabilidade conjugal e familiar, o escandaloso clientelismo partid\u00e1rio, o poder incontrol\u00e1vel da comunica\u00e7\u00e3o social, a apatia dos jovens, frente a um futuro cada vez mais fechado, o desencorajamento e o pessimismo generalizados, a situa\u00e7\u00e3o injusta e deprimente de muitos idosos que a fam\u00edlia de sangue j\u00e1 \u201cmatou\u201d e esqueceu, a loucura anestesiante do desporto por parte de gente que n\u00e3o o pratica, o aumento do custo de vida e das coisas essenciais, sem outro horizonte sen\u00e3o de que amanh\u00e3 ser\u00e1 pior, tudo problemas conhecidos, que n\u00e3o se compadecem com o marcar passo de discuss\u00f5es pouco menos que in\u00fateis.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda para estes problemas, se se passar o tempo a p\u00f4r r\u00f3tulos e a aproveitar as situa\u00e7\u00f5es mais dif\u00edceis e problem\u00e1ticas, para ataques m\u00fatuos, sem uma ac\u00e7\u00e3o conjunta que se enrique\u00e7a com as diferentes sensibilidades e propostas. Em quadrantes ideol\u00f3gicos diversos, h\u00e1 gente s\u00e9ria e honesta, solid\u00e1ria e generosa, que quer colaborar na procura do bem comum, em aspectos bem concretos e dif\u00edceis do mesmo. O tempo \u00e9 de ac\u00e7\u00e3o orientada.<\/p>\n<p>Quem tem mais p\u00falpito nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, sejam pol\u00edticos ou outros agentes sociais privilegiados, nem sempre parece preocupado em abrir janelas para novos horizontes de vida e de ac\u00e7\u00e3o. H\u00e1 quem diga que \u00e9 incultura. N\u00e3o o ser\u00e1 sempre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A prova de que a linguagem \u201cdireita e esquerda\u201d \u00e9 redutora e perde cada dia mais sentido est\u00e1 no facto de que anda tudo baralhado. 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