{"id":7351,"date":"2006-06-14T09:52:00","date_gmt":"2006-06-14T09:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7351"},"modified":"2006-06-14T09:52:00","modified_gmt":"2006-06-14T09:52:00","slug":"a-cultura-nao-se-entende-sem-a-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-cultura-nao-se-entende-sem-a-fe\/","title":{"rendered":"A cultura n\u00e3o se entende sem a f\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>\u00daltimo dos encontros sobre a Gaudium et Spes dedicou-se \u00e0 cultura<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre a Igreja e o progresso cultural e cient\u00edfico, partindo de um cap\u00edtulo da Gaudium et Spes (GS), foi o assunto abordado por dois professores de Estudos Cl\u00e1ssicos da Universidade de Coimbra, Delfim Le\u00e3o e Jos\u00e9 Lu\u00eds Brand\u00e3o, em Aveiro, a 8 de Junho.<\/p>\n<p>Apesar de redigido h\u00e1 40 anos, a GS surge aos olhos dos oradores como um texto actual, n\u00e3o s\u00f3 por apontar situa\u00e7\u00f5es como a globaliza\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m pela prud\u00eancia com que reflecte sobre a efemeridade do saber e a necessidade de consci\u00eancia cr\u00edtica perante o mesmo. <\/p>\n<p>Recuando \u00e0 sua inf\u00e2ncia, Delfim Le\u00e3o relembrou as figuras da autoridade e do conhecimento: destacava-se o padre, para al\u00e9m do pol\u00edcia, da professora da instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e do m\u00e9dico. Hoje, a realidade \u00e9 outra, a exig\u00eancia da sociedade \u00e9 maior. E o desafio da forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua coloca-se aos padres, como a todos.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica desde tempos remotos permite concluir, sem qualquer d\u00favida, que existe um di\u00e1logo prof\u00edcuo entre F\u00e9 e Cultura. A arte ocidental (estatu\u00e1ria, obras liter\u00e1rias, m\u00fasica, pintura, entre outras) repousa no imagin\u00e1rio judaico-crist\u00e3o, mesmo a que ataca a hierarquia da Igreja (j\u00e1 evidente em fic\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XIX) ou a ess\u00eancia dos valores religiosos e as suas figuras mais importantes (fic\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XX e XXI). Quanto \u00e0 contesta\u00e7\u00e3o da Igreja em rela\u00e7\u00e3o a determinados textos ou filmes, ela justifica-se, na opini\u00e3o de J. Lu\u00eds Brand\u00e3o, pela tend\u00eancia actual para a confus\u00e3o entre a realidade e a fic\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1, por\u00e9m, mais importante estimular as pessoas para a interpreta\u00e7\u00e3o do ficcional como ficcional, interpelou o orador.<\/p>\n<p>Imagin\u00e1rio crist\u00e3o em crise<\/p>\n<p>Quando a cultura n\u00e3o espelha o di\u00e1logo com a religi\u00e3o, o afastamento entre F\u00e9 e Sociedade \u00e9 evidente. Esta aprecia\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Saramago, o autor do contestado Evangelho segundo Jesus Cristo, surgiu a prop\u00f3sito da situa\u00e7\u00e3o cultural de hoje. Delfim Le\u00e3o considerou que muitas obras liter\u00e1rias cont\u00eam refer\u00eancias ao imagin\u00e1rio crist\u00e3o, n\u00e3o sendo percebidas enquanto tal pelos leitores. Antigamente, o primeiro lastro de cultura era crist\u00e3o, pois eram as hist\u00f3rias b\u00edblicas que se ouviam na inf\u00e2ncia. Hoje esse imagin\u00e1rio est\u00e1 em crise. Todavia, notou aquele professor, h\u00e1 algo de contradit\u00f3rio nesta situa\u00e7\u00e3o, pois, apesar do limitado conhecimento hist\u00f3rico-religioso, \u201ctoda a gente se sente habilitada para criticar a Igreja\u201d. H\u00e1, por\u00e9m, um crescente interesse, mesmo por parte de n\u00e3o crist\u00e3os, pelos estudos b\u00edblicos, conforme tem constatado J. Lu\u00eds Brand\u00e3o.<\/p>\n<p>Delfim Le\u00e3o confessou que, h\u00e1 uns anos, n\u00e3o compreendia a morosidade com que a Igreja responde a quest\u00f5es levantadas pela ci\u00eancia e pela cultura. Hoje percebe que essa atitude se prende com o facto de a Igreja, observada por quem cr\u00ea e por quem n\u00e3o cr\u00ea, transmitir uma mensagem perene. Essa mensagem n\u00e3o se compadece com precipita\u00e7\u00f5es, nem contradi\u00e7\u00f5es. Foi ali\u00e1s, relembrada a etimologia da palavra Religi\u00e3o, que deriva do voc\u00e1bulo latino \u201creligare\u201d, que significa estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o entre o mundo terreno e o espiritual. <\/p>\n<p>Finalizando o ciclo de encontros sobre a GS, Pe. Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, P\u00e1roco da S\u00e9, agradeceu a presen\u00e7a de oradores e p\u00fablico, do grupo Aveiroarte e da C\u00e2mara Municipal de Aveiro pela ced\u00eancia do espa\u00e7o, a Galeria dos Morgados da Pedricosa. Deixou uma nota de especial apre\u00e7o \u00e0 comiss\u00e3o, composta por dois paroquianos (Armando Silvestre e Ant\u00f3nio Gon\u00e7alves), que conseguiu p\u00f4r em pr\u00e1tica uma \u201ciniciativa arrojada do Conselho Paroquial\u201d.<\/p>\n<p>O cientista que rezava o ter\u00e7o<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do encontro de um estudante universit\u00e1rio com um senhor que rezava o ter\u00e7o no comboio, contada por um elemento do p\u00fablico, ilustrou a atitude contempor\u00e2nea face \u00e0 religi\u00e3o. Interpelado pelo estudante quanto ao seu comportamento, pois o jovem afirmava que a ci\u00eancia provara a inadequa\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o, o idoso escreveu num papel a sua morada, para receber os livros cient\u00edficos que o jovem propunha enviar-lhe. Qual n\u00e3o foi o espanto do estudante quando percebeu que o seu interlocutor era um cientista, nada mais nada menos que Louis Pasteur (1822-1895). <\/p>\n<p>Acesso \u00e0 plena condi\u00e7\u00e3o humana<\/p>\n<p>\u00ab\u00c9 pr\u00f3prio da pessoa humana n\u00e3o ter acesso a uma verdadeira e plena condi\u00e7\u00e3o humana, sen\u00e3o pela cultura (\u2026). A literatura e as artes, a seu modo, s\u00e3o tamb\u00e9m de grande import\u00e2ncia para a vida da Igreja. Com efeito, procuram mostrar a natureza pr\u00f3pria do homem, os seus problemas e as suas experi\u00eancias, no esfor\u00e7o para se conhecer e aperfei\u00e7oar a si mesmo e ao mundo; e tentam descobrir o seu lugar na hist\u00f3ria e no universo, bem como dar a conhecer as mis\u00e9rias e as alegrias, as necessidades e as energias dos homens e projectar um destino melhor para a humanidade.\u00bb (excertos dos n\u00bas 53 e 62 da GS)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00daltimo dos encontros sobre a Gaudium et Spes dedicou-se \u00e0 cultura A rela\u00e7\u00e3o entre a Igreja e o progresso cultural e cient\u00edfico, partindo de um cap\u00edtulo da Gaudium et Spes (GS), foi o assunto abordado por dois professores de Estudos Cl\u00e1ssicos da Universidade de Coimbra, Delfim Le\u00e3o e Jos\u00e9 Lu\u00eds Brand\u00e3o, em Aveiro, a 8 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-7351","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-actualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7351","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7351"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7351\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}