{"id":7384,"date":"2006-06-14T15:46:00","date_gmt":"2006-06-14T15:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7384"},"modified":"2006-06-14T15:46:00","modified_gmt":"2006-06-14T15:46:00","slug":"quem-dos-gitanos-se-lembrou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/quem-dos-gitanos-se-lembrou\/","title":{"rendered":"Quem dos gitanos se lembrou?"},"content":{"rendered":"<p>Dia do Cigano <!--more--> No Dia Mundial do Ambiente (5 de Junho) cogitava eu e me inquiria: quem se lembrou dos ciganos, que a sociedade ou Igreja at\u00e9 j\u00e1 lhes atribui um Dia?!<\/p>\n<p>Lembrou-se, sim, o Esp\u00edrito Par\u00e1clito, o Esp\u00edrito que a todos anima, distribui dons, verdadeiras for\u00e7as, que a todos d\u00e1 mimos para se falar muitas l\u00ednguas; lembrou-se esse grande baluarte de liberdade, os \u201cM\u00e9dia\u201d, com maior evid\u00eancia os ditos da Igreja\u2026 Mas quem se recordou que o dia 4 de Junho \u00e9 o Dia Mundial do Cigano?<\/p>\n<p>Quem se lembrou dos mais fracos, dos que ainda n\u00e3o t\u00eam voz, liberdade de express\u00e3o para reclamarem? Quem?<\/p>\n<p>Esta minoria continua a s\u00ea-lo, mas n\u00e3o o ser\u00e1, efectivamente, porque o Esp\u00edrito, que anima, que vivifica, se vai lembrando de todos, dos mais fracos, como um pai extremoso que faz festa rija quando o filho regressa a casa, ou expulsa vendilh\u00f5es do templo que querem transformar a casa do Pai (que de todos deve ser) em covis. \u00c9 que a heran\u00e7a que o Esp\u00edrito Santo nos legou \u00e9 de todos e para todos deve reverter equitativamente, sem privil\u00e9gios, quer sejam gregos ou troianos.<\/p>\n<p>Estava eu a magicar estas grandes verdades, em Dia do Ambiente, quando olhei para as serras de \u00c1gueda a arderem, de novo mastigando as trag\u00e9dias que fulminaram 17 volunt\u00e1rios, lembrei-me de acampamentos de ciganos, onde a \u00e1gua \u00e9 choca, os mosquitos abundam, a droga, porventura, enche de trai\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m de muitas estruturas que se v\u00e3o fazendo \u00e0 margem de certos programas ditos sociais, mas em que o essencial vai faltando porque vai rareando o Evangelho do Amor.<\/p>\n<p>Era bom que as comunidades, ditas sociais, humanit\u00e1rias, eclesiais, evangelizadoras, de uma Nova Terra, um novo C\u00e9u, mesmo c\u00e1 neste Para\u00edso Terreal, olhassem, n\u00e3o apenas (e bem) para a generosidade dos grandes volunt\u00e1rios humanit\u00e1rios que s\u00e3o os nossos homens e mulheres que n\u00e3o receiam mil e um perigos e emboscadas e v\u00e3o pelos quatro cantos do mundo, a pregar, com o seu exemplo e trabalho no terreno (agora de uma maneira sui generis, ao encontro de quem sofreu d\u00e9cadas pela sua f\u00e9 pela sua liberdade), mas se preocupassem conscientemente, tamb\u00e9m, com estas minorias carentes de tudo, at\u00e9 da sensibilidade para n\u00e3o recorrerem a armas de morte \u2013 como a droga \u2013 e n\u00e3o se deixarem enganar por falsos profetas da sobreviv\u00eancia f\u00e1cil. Quem desarma os traficantes?<\/p>\n<p>\u00c9 tempo, mesmo em tempo de grande crise, de todos olharem para estas minorias. Os problemas das migra\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m passam por aqui. Preocupam Institui\u00e7\u00f5es Governamentais, s\u00e3o lema da Igreja Universal.<\/p>\n<p>Documento da Igreja denuncia indiferen\u00e7a <\/p>\n<p>perante comunidade cigana<\/p>\n<p>Num documento do Conselho Pontif\u00edcio da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes de uma centena de pontos e de 34 p\u00e1ginas, refere-se no ponto 20 que \u00e9 \u201cdolorosa a indiferen\u00e7a ou a oposi\u00e7\u00e3o face a estas popula\u00e7\u00f5es n\u00f3madas. S\u00f3 gradualmente, e muito lentamente, algumas comunidades se abriram ao acolhimento; por\u00e9m, o seu n\u00famero \u00e9 ainda demasiado reduzido para que os Ciganos possam descobrir o rosto materno e fraterno da Igreja. Assim, os sinais de rejei\u00e7\u00e3o persistem e perpetuam-se, suscitando, em geral, poucas reac\u00e7\u00f5es e protestos por parte daqueles que os testemunham\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNo entanto \u2013 prossegue o documento, sa\u00eddo das Conclus\u00f5es do Encontro Mundial dos Ciganos que decorreu em Budapeste e em que a Diocese de Aveiro tamb\u00e9m esteve presente, fazendo-se na altura desenvolvidas reportagens \u2013, esta situa\u00e7\u00e3o deveria despertar a consci\u00eancia dos cat\u00f3licos, suscitando sentimentos de solidariedade para com esta popula\u00e7\u00e3o. A Igreja sente-se, por isso, chamada a reconhecer o seu direito a querer viver em conjunto, provocando e sustentando uma sensibiliza\u00e7\u00e3o com vista a uma maior justi\u00e7a face a eles, no respeito rec\u00edproco das culturas, orientando os pr\u00f3prios passos segundo o exemplo de Cristo, em resposta \u00e0s expectativas desta popula\u00e7\u00e3o na busca do Senhor\u201d.<\/p>\n<p>Este documento, de suma import\u00e2ncia e h\u00e1 muito desejado, n\u00e3o deixa de evidenciar tamb\u00e9m o papel que o Estado deve ter na problem\u00e1tica desta minoria entre minorias, assinalando que, \u201cmesmo que o lan\u00e7amento de projectos concretos de promo\u00e7\u00e3o humana compita primordialmente ao Estado, poder\u00e1 ser conveniente e tamb\u00e9m necess\u00e1rio que institui\u00e7\u00f5es de Igreja sejam envolvidas em iniciativas deste \u00e2mbito, tornando poss\u00edvel que os pr\u00f3prios Ciganos sejam protagonistas\u201d. \u201cContudo \u2013 acrescenta o Documento Pontif\u00edcio \u2013, compete, mais propriamente, \u00e0 miss\u00e3o fundamental da Igreja chamar a aten\u00e7\u00e3o das inst\u00e2ncias p\u00fablicas para as dificuldades desta popula\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia do Cigano<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-7384","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7384","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7384"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7384\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7384"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7384"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7384"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}