{"id":7385,"date":"2006-06-14T15:50:00","date_gmt":"2006-06-14T15:50:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7385"},"modified":"2006-06-14T15:50:00","modified_gmt":"2006-06-14T15:50:00","slug":"avaliacoes-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/avaliacoes-1\/","title":{"rendered":"Avalia\u00e7\u00f5es (1)"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> 1. O problema da avalia\u00e7\u00e3o est\u00e1 na ordem do dia, h\u00e1 alguns anos. Como habitualmente, proclama-se que Portugal est\u00e1 muito atrasado neste dom\u00ednio e que deve seguir o exemplo dos pa\u00edses mais avan\u00e7ados, ou at\u00e9 imit\u00e1-los. Por este motivo, o tema da avalia\u00e7\u00e3o passou a estar na moda atrav\u00e9s do discurso, de experi\u00eancias precipitadas ou importadas mas tamb\u00e9m atrav\u00e9s de projectos v\u00e1lidos, tendencialmente adequados.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito de t\u00e3o grave problema que tem gerado tanta inquieta\u00e7\u00e3o, vale a pena lembrar duas realidades e sugerir tr\u00eas linhas de orienta\u00e7\u00e3o, seleccionadas entre muitas outras poss\u00edveis e desej\u00e1veis.<\/p>\n<p>2. Importa lembrar, antes de mais, que sempre existiram a cultura e a pr\u00e1tica da avalia\u00e7\u00e3o. Existia na fam\u00edlia, nas confiss\u00f5es religiosas, no trabalho profissional, no associativismo e no pr\u00f3prio voluntariado, bem como no desporto e, mais notoriamente, no sistema judici\u00e1rio. A actividade pol\u00edtica e v\u00e1rios outros dom\u00ednios tamb\u00e9m estavam sujeitos a avalia\u00e7\u00e3o regular.<\/p>\n<p>Esta nem sempre era assumida como tal, utilizava por vezes m\u00e9todos inadequados e at\u00e9 se limitava, n\u00e3o raro, \u00e0 mera aprecia\u00e7\u00e3o informal. Contudo existia, de facto, naturalmente \u201c\u00e0 nossa maneira\u201d. A sua pr\u00e1tica encontrava-se t\u00e3o difundida, e t\u00e3o interiorizada a sua cultura, que, particularmente nos meios crist\u00e3os, o exame de consci\u00eancia fazia parte das obriga\u00e7\u00f5es di\u00e1rias.<\/p>\n<p>3. A outra realidade a ter em conta \u00e9 o conjunto de tr\u00eas caracter\u00edsticas seculares da sociedade portuguesa: o manique\u00edsmo, a propens\u00e3o inquisit\u00f3ria e desigualdades hier\u00e1rquico-sociais muito acentuadas.<\/p>\n<p>O manique\u00edsmo provoca a tend\u00eancia irresist\u00edvel para separar as pessoas e institui\u00e7\u00f5es \u201cboas\u201d das \u201cm\u00e1s\u201d: as \u201cboas\u201d s\u00e3o louvadas sistematicamente, at\u00e9 \u00e0 consagra\u00e7\u00e3o idol\u00e1trica, enquanto n\u00e3o ca\u00edrem em \u201cdesgra\u00e7a\u201d; as \u201cm\u00e1s\u201d s\u00e3o condenadas e espezinhadas, mesmo com recurso \u00e0 cal\u00fania irrespons\u00e1vel.<\/p>\n<p>A propens\u00e3o inquisit\u00f3ria provoca julgamentos e condena\u00e7\u00f5es precipitados, nos diferentes meios sociais, particularmente nos \u201cmedia\u201d. Exclui a simples hip\u00f3tese da auto-avalia\u00e7\u00e3o e de avalia\u00e7\u00e3o partilhada. Facilmente, a avalia\u00e7\u00e3o redunda em acto inquisitorial e \u00e9 apreendida como tal.<\/p>\n<p>As desigualdades muito acentuadas d\u00e3o origem a que os estratos sociais \u201csuperiores\u201d reajam mais fortemente \u00e0 simples hip\u00f3tese de avalia\u00e7\u00f5es por \u201cinferiores\u201d. Magistrados, m\u00e9dicos, professores, quadros superiores e dirigentes da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica&#8230; &#8211; que, em larga medida, foram coniventes nas opress\u00f5es de outrora  &#8211;  parecem recear que o mesmo lhes aconte\u00e7a no futuro.<\/p>\n<p>(Continua)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-7385","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7385","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7385"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7385\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7385"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7385"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7385"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}