{"id":7408,"date":"2006-06-22T10:22:00","date_gmt":"2006-06-22T10:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7408"},"modified":"2006-06-22T10:22:00","modified_gmt":"2006-06-22T10:22:00","slug":"centenario-do-nascimento-do-primeiro-bispo-da-beira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/centenario-do-nascimento-do-primeiro-bispo-da-beira\/","title":{"rendered":"Centen\u00e1rio do nascimento do primeiro Bispo da Beira"},"content":{"rendered":"<p>Sebasti\u00e3o Soares de Resende, natural de Santa Maria da Feira, distingiu-se na defesa dos mo\u00e7ambicanos e foi voz inc\u00f3moda para o regime colonialista<\/p>\n<p>No dia 26 de Janeiro de 1967, o \u201cDi\u00e1rio de Mo\u00e7ambique\u201d escreve sobre a morte do seu fundador: \u201cHomem voltado para a realidade do seu tempo, o Senhor Bispo da Beira foi, sob muitos aspectos, um precursor do avan\u00e7o social verificado na \u00c1frica Portuguesa(&#8230;) algumas das suas pastorais e muitas pe\u00e7as da sua prega\u00e7\u00e3o constitu\u00edram gritos de aut\u00eantico profeta\u201d.<\/p>\n<p>D. Sebasti\u00e3o Soares de Resende morreu no dia 25 de Janeiro de 1967. Cat\u00f3licos, hindus, mu\u00e7ulmanos e ortodoxos, depois de terem rezado pela sua sa\u00fade, choraram a sua morte. V\u00edtima de cancro, o primeiro bispo da Beira p\u00f4de preparar a sua morte, tendo escrito que desejava que em algum ponto do seu cortejo f\u00fanebre o caix\u00e3o fosse levado por africanos, aqueles a quem se dedicou com afinco. Foi sepultado no cemit\u00e9rio de Santa Isabel, na Beira. Na campa rasa, com uma pequena pedra por cima, pode ler-se simplesmente \u201cSebasti\u00e3o, primeiro bispo da Beira\u201d.<\/p>\n<p>Sebasti\u00e3o Soares de Resende nasceu no dia 14 de Junho de 1906, em Milheir\u00f3s de Poiares, Santa Maria da Feira. No \u00faltimo s\u00e1bado, par\u00f3quia, Junta de Freguesia a C\u00e2mara Municipal comemoraram o centen\u00e1rio do ilustre bispo com estudos, testemunhos, uma medalha, uma est\u00e1tua e a concelebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia.<\/p>\n<p>Dignidade inviol\u00e1vel dos africanos<\/p>\n<p>D. Sebasti\u00e3o Soares de Resende foi a voz mais cr\u00edtica do colonialismo portugu\u00eas. Em 1944, estando havia um ano em Mo\u00e7ambique, escreveu no seu Di\u00e1rio \u00cdntimo que \u201cimpera a escravatura na Beira! N\u00e3o h\u00e1 maneira de se convencerem de que os pretos s\u00e3o pessoas humanas\u201d. Em 1951, defende publicamente a cria\u00e7\u00e3o de uma universidade na col\u00f3nia portuguesa. Como isso n\u00e3o estava ao seu alcance, lan\u00e7a o ensino secund\u00e1rio na Beira, com o Instituto Liceal D. Gon\u00e7alo da Silveira e os col\u00e9gios de Vila Pery e de Tete. E escreve: \u201c\u00c9 retr\u00f3grada e absurda a tese de que a instru\u00e7\u00e3o s\u00f3 serve para fazer mal ao ind\u00edgena\u201d acrescentando que s\u00f3 pode ter tal \u201cconcep\u00e7\u00e3o quem pretender fazer do ind\u00edgena simples animal de carga ou m\u00e1quina de for\u00e7a motriz\u201d. Na Pastoral de 1959, chega mesmo a p\u00f4r a quest\u00e3o da independ\u00eancia de Mo\u00e7ambique \u2013 o que lhe custou a apreens\u00e3o do documento pela PIDE. O mesmo aconteceria v\u00e1rias vezes ao jornal \u201cDi\u00e1rio de Mo\u00e7ambique\u201d, que fundara para denunciar injusti\u00e7as, na linha do que escreve uns anos antes: \u201cHei-de empregar todos os meios (&#8230;) ainda que seja a imprensa\u201d. O Evangelho e a dignidade inviol\u00e1vel de todos os seres humanos estavam no centro da ac\u00e7\u00e3o deste bispo.<\/p>\n<p>No n\u00famero de Fevereiro de 2006 da revista \u201cVilla da Feira\u201d, dedicado a D. Sebasti\u00e3o Resende, Adriano Moreira, ministro do Ultramar respons\u00e1vel pelo fim do opressivo Estatuto do Indigenato, escreve: \u201cEntre os mission\u00e1rios dessa \u00e9poca destacou-se D. Sebasti\u00e3o de Resende, Bispo da Beira, cuja interven\u00e7\u00e3o, frequentemente apaixonada, em favor da autenticidade das pol\u00edticas coloniais, o levou a frequentes confrontos, incluindo discuss\u00f5es judiciais, com o poder pol\u00edtico. Mas nunca em contradi\u00e7\u00e3o ou desvio com a miss\u00e3o de Bispo sucessor dos ap\u00f3stolos, sem beliscar a sua condi\u00e7\u00e3o de portugu\u00eas. Pessoalmente prestei aten\u00e7\u00e3o demorada \u00e0 sua prega\u00e7\u00e3o, e algumas medidas da minha responsabilidade governativa tiveram apoio nas interven\u00e7\u00f5es corajosas e l\u00facidas que lhe ficamos a dever\u201d.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n<p>Sebasti\u00e3o Soares de Resende<\/p>\n<p>1906 \u2013 14 de Junho. Nasce Sebasti\u00e3o Soares de Resende, em Milheir\u00f3s de Poiares, Santa Maria da Feira<\/p>\n<p>1928 \u2013 21 de Outubro. Com apenas 22 anos, Sebasti\u00e3o de Resende \u00e9 ordenado padre. Neste mesmo ano \u00e9 enviado para Roma, onde se doutorou em Filosofia.<\/p>\n<p>1934-43 \u2013 \u00c9 vice-reitor no Semin\u00e1rio do Porto.<\/p>\n<p>1943 \u2013 21 de Abril. \u00c9 nomeado primeiro bispo da Beira, Mo\u00e7ambique. Toma posse no dia 8 de Dezembro. Nesse dia, todos os anos, passa a dirigir uma Carta Pastoral ao seu rebanho.<\/p>\n<p>1950 \u2013 Surge o \u201cDi\u00e1rio de Mo\u00e7ambique\u201d, gra\u00e7as aos esfor\u00e7os do bispo da Beira, que fundou ainda o seman\u00e1rio \u201cA Voz Africana\u201d e a revista \u201cEconomia\u201d.<\/p>\n<p>1962-65 \u2013 II Conc\u00edlio do Vaticano. \u00c9 o bispo mais interveniente entre os 42 prelados portugueses. Numa das interven\u00e7\u00f5es, pede que o Conc\u00edlio declare o dogma de que todos os homens s\u00e3o irm\u00e3os.<\/p>\n<p>1967 \u2013 25 de Janeiro. D. Sebasti\u00e3o Soares de Resende morre em Mo\u00e7ambique, v\u00edtima de um cancro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sebasti\u00e3o Soares de Resende, natural de Santa Maria da Feira, distingiu-se na defesa dos mo\u00e7ambicanos e foi voz inc\u00f3moda para o regime colonialista No dia 26 de Janeiro de 1967, o \u201cDi\u00e1rio de Mo\u00e7ambique\u201d escreve sobre a morte do seu fundador: \u201cHomem voltado para a realidade do seu tempo, o Senhor Bispo da Beira foi, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[44],"tags":[],"class_list":["post-7408","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-igreja"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7408","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7408"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7408\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7408"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7408"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7408"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}