{"id":7431,"date":"2006-06-22T11:32:00","date_gmt":"2006-06-22T11:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7431"},"modified":"2006-06-22T11:32:00","modified_gmt":"2006-06-22T11:32:00","slug":"um-livro-para-os-amantes-de-livros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-livro-para-os-amantes-de-livros\/","title":{"rendered":"Um livro para os amantes de livros"},"content":{"rendered":"<p>Livro <!--more--> Os deuses gregos. A Il\u00edada e a Odisseia. A B\u00edblia. A hist\u00f3ria grega e romana. A emerg\u00eancia do cristianismo. A Idade M\u00e9dia. Carlos Magno. O Renascimento. Lutero e Calvino. As guerras religiosas. O Iluminismo. As guerras mundiais. As grandes obras da literatura europeia. A hist\u00f3ria da pintura. A historia da M\u00fasica. A Filosofia. Marxismo e liberalismo. A ci\u00eancia. Freud. Sociedade tradicional e moderna. A evolu\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia. O feminismo. A linguagem. A gram\u00e1tica. As identidades nacionais. A intelig\u00eancia, o talento e a criatividade.<\/p>\n<p>Um livro que fale disto tudo parece excessivo. Mas a obra de Dietrich Schwanitz aborda esses e muitos outros assuntos. E aborda-os de uma forma t\u00e3o simples, t\u00e3o assertiva e profunda que quem abrir o livro \u00e0 sorte e ler um par\u00e1grafo completo n\u00e3o resiste a ler tr\u00eas ou quatro p\u00e1ginas de seguida, apesar de o tamanho de letra ser min\u00fasculo.<\/p>\n<p>A presun\u00e7\u00e3o que o subt\u00edtulo da obra parece encerrar, \u201cTudo o que \u00e9 preciso saber\u201d, acaba por se revelar sem fundamento. N\u00e3o h\u00e1, de facto, presun\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma erudi\u00e7\u00e3o que domina as principais \u00e1reas do conhecimento, um talento que relaciona pol\u00edtica, literatura e religi\u00e3o de forma por vezes t\u00e3o inesperada quanto esclarecedora, uma vontade genu\u00edna de partilhar aquilo que distingue e une os seres humanos: a cultura.<\/p>\n<p>Este livro tem duas qualidades que distinguem as grandes das pequenas obras: a sua leitura ilude a passagem do tempo e leva-nos a desejar ler outros livros. Ou seja, \u00e9 uma janela para o conhecimento e ao mesmo tempo obriga-nos \u00e0 humildade de admitir que nunca leremos tudo o que gostar\u00edamos de ler (e que mereceria ser lido).<\/p>\n<p>As primeiras dez p\u00e1ginas da obra, \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o sobre o estado das escolas e do sistema educativo, que o leitor pode saltar sem perder grande coisa\u201d, embora reflectindo a realidade alem\u00e3 (o autor \u00e9 alem\u00e3o), deveriam ser lidas por qualquer professor portugu\u00eas. Repare-se neste par\u00e1grafo (um entre os 52 dessas dez p\u00e1ginas):<\/p>\n<p>\u201c(&#8230;) Os ministros (&#8230;) e as administra\u00e7\u00f5es escolares, cujos representantes mal devem conhecer a situa\u00e7\u00e3o nas escolas por experi\u00eancia pr\u00f3pria, retiraram aos professores a maior parte dos meios disciplinares, de modo que agora existe uma desigualdade de armas absoluta. Castigos como repreens\u00f5es, admoesta\u00e7\u00f5es, notifica\u00e7\u00f5es dos pais e \u2013 no caso de faltas graves \u2013 a amea\u00e7a da exclus\u00e3o ou da exclus\u00e3o efectiva da escola encontram-se t\u00e3o cerceados por regulamentos, requerimentos, vota\u00e7\u00f5es e reuni\u00f5es escolares que qualquer professor prefere prescindir deles: com todo este aparato, ele castigar-se-ia sobretudo a si pr\u00f3prio. Como os alunos est\u00e3o a par disso, ainda fazem tro\u00e7a dele.\u201d<\/p>\n<p>Mas, aten\u00e7\u00e3o, o livro n\u00e3o \u00e9 sobre educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 sobre cultura. O autor escreveu-o como resposta \u00e0 pergunta com que o inicia: \u201cQuem n\u00e3o conheceu a sensa\u00e7\u00e3o de frustra\u00e7\u00e3o quando, na escola, a mat\u00e9ria que era suposto aprender se lhe afigurava como que morta, como que um amontoado de factos desprovidos de interesse que nada tinham em comum com a sua pr\u00f3pria vida?\u201d As quase seiscentas p\u00e1ginas que se seguem, contra a mediocridade de alguma educa\u00e7\u00e3o e a esterilidade de muito intelectualismo, constituem uma \u201cHist\u00f3ria da Europa como um grande relato\u201d. A sua leitura d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gio. E compreendo agora por que \u00e9 que alguns leitores, no final da leitura de um livro, escrevem ao autor a agradecer.<\/p>\n<p>Cultura. Tudo o que \u00e9 preciso saber.<\/p>\n<p>Dietrich Schwanitz<\/p>\n<p>Ed. Dom Quixote<\/p>\n<p>575 p\u00e1ginas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[66],"tags":[],"class_list":["post-7431","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7431","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7431"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7431\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7431"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7431"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7431"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}