{"id":7440,"date":"2006-06-22T15:08:00","date_gmt":"2006-06-22T15:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7440"},"modified":"2006-06-22T15:08:00","modified_gmt":"2006-06-22T15:08:00","slug":"ideias-para-sabotar-a-nossa-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ideias-para-sabotar-a-nossa-vida\/","title":{"rendered":"Ideias para sabotar a nossa vida"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 luz do dia <!--more--> Jacques Ar\u00e8nes, psicanalista, e Nathalie Sarthou-Lajus, te\u00f3loga, ambos franceses, s\u00e3o os autores de um livro muito interessante que d\u00e1 que pensar.<\/p>\n<p>La d\u00e9fait de la volont\u00e9 (editora Seyuil, 2005, n\u00e3o traduzido para portugu\u00eas) \u00e9 uma profunda interroga\u00e7\u00e3o sobre o verdadeiro peso que t\u00eam, hoje em dia, o nosso destino e a nossa liberdade.<\/p>\n<p>Jacques Ar\u00e8nes foi chamado pela Psychologies a sintetizar algumas das ideias-chave que desenvolve no livro e, desta s\u00edntese, resultaram tr\u00eas pontos essenciais que o psicanalista considera serem tr\u00eas \u201cmecanismos assassinos\u201d que podem dar cabo da nossa vida. Literalmente falando, note-se.<\/p>\n<p>\u201cAs nossas estrat\u00e9gias de sabotagem\u201d \u00e9 o t\u00edtulo da s\u00edntese em quest\u00e3o, onde o especialista franc\u00eas explica os ditos mecanismos e d\u00e1 pistas para os desactivar. Jacques Ar\u00e8nes come\u00e7a por advertir contra o perigo das expectativas, dizendo que muitas pessoas as afundam na tristeza ou no des\u00e2nimo, justamente por terem expectativas demasiado altas ou distorcidas da realidade. \u00c9 importante ajustar as nossas expectativas, portanto.<\/p>\n<p>Quanto aos \u201cmecanismos assassinos\u201d s\u00e3o os seguintes: a rumina\u00e7\u00e3o constante de ideias e sentimentos; viver, permanentemente, \u00e0 defesa e sentir-se sempre respons\u00e1vel por tudo e por todos.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que a esmagadora maioria das pessoas tem activado em si apenas um ou dois destes mecanismos, mas raramente os tr\u00eas. Antes assim.<\/p>\n<p>Come\u00e7ando pela rumina\u00e7\u00e3o constante, muitos dos que passaram a ruminar as suas m\u00e1goas acham que vivem no \u201clado errado\u201d da vida. Sentem-se menos amados e consideram que t\u00eam menos oportunidades que os outros. Nem sempre \u00e9 verdade mas, mesmo que seja, a energia que consomem nesta rumina\u00e7\u00e3o negativa \u00e9 um desperd\u00edcio fatal. Ainda que seja infinitamente mais f\u00e1cil teorizar do que concretizar na pr\u00e1tica, \u00e9 poss\u00edvel tomar consci\u00eancia desta atitude e fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para tentar contrari\u00e1-la.<\/p>\n<p>\u201cQuando os meus pacientes insistem naquilo que n\u00e3o t\u00eam ou n\u00e3o tiveram nunca, como o amor dos seus pais, por exemplo, digo-lhes que n\u00e3o podem refabricar a sua inf\u00e2ncia e faz\u00ea-la mais feliz. Por outro lado, sublinho que aquilo que eles viveram, mais ningu\u00e9m viveu e \u00e9 essa singularidade que os constitui como pessoas e lhes d\u00e1 mais profundidade como seres humanos\u201d, esclarece Jacques Ar\u00e8nes. A ideia \u00e9 ajudar estas pessoas a mudar o olhar sobre si mesmas, de forma a terem uma percep\u00e7\u00e3o mais clara sobre a margem de liberdade que t\u00eam para lidar com a falta de amor ou a adversidade. E \u00e9 esta margem  que nos permite cultivar uma atitude mais negativa ou mais positiva.<\/p>\n<p>Quanto aos que vivem permanentemente \u00e0 defesa, o psicanalista franc\u00eas \u00e9 muito eloquente: \u201cControlam os acontecimentos para se protegerem e nunca arriscam nada do ponto de vista afectivo. S\u00e3o pessoas que se constroem muito sozinhas, estabelecendo metas demasiado ambiciosas e, na rela\u00e7\u00e3o a dois, t\u00eam n\u00edveis de exig\u00eancia desmedidos. Nunca ningu\u00e9m realmente lhes serve, porque est\u00e3o ref\u00e9ns dos seus pr\u00f3prios medos e ficam facilmente prisioneiros de ideais inalcan\u00e7\u00e1veis.\u201d Jacques Ar\u00e8nes sugere que baixem as defesas, identifiquem os seus medos e aceitem correr riscos, pois, caso contr\u00e1rio, arriscam passar ao lado da pr\u00f3pria vida. \u201c\u00c9 importante dizer a estas pessoas que a vida n\u00e3o volta a servir os mesmos pratos. Muitas das oportunidades que se perdem no momento ficam perdidas para sempre.\u201d<\/p>\n<p>Finalmente, os que se sentem respons\u00e1veis por tudo. Estes s\u00e3o os que acham que s\u00e3o autores da pr\u00f3pria vida e que chamam a si a responsabilidade por todos os fracassos. Os seus, os dos seus filhos, os dos seus pares e, at\u00e9 os dos seus amigos. Estas hiper-responsabiliza\u00e7\u00e3o pode traduzir-se de duas formas: a ang\u00fastia permanente ou a vitimiza\u00e7\u00e3o constante. Jacques Ar\u00e8nes diz que ajuda muito pedir a opini\u00e3o dos outros e ganhar dist\u00e2ncia cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o aos acontecimentos e \u00e0s pessoas que lhe est\u00e3o pr\u00f3ximas. S\u00f3 assim \u00e9 poss\u00edvel escapar a esta espiral perversa de auto-acusa\u00e7\u00e3o ou justifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enfim, resumindo a ci\u00eancia deste especialista, vale a pena estar atento aos nossos \u201cmecanismos assassinos\u201d e neutralizar todas as nossas estrat\u00e9gias de sabotagem da vida. E da alegria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 luz do dia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-7440","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7440","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7440"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7440\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7440"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7440"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7440"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}