{"id":7477,"date":"2006-06-29T15:22:00","date_gmt":"2006-06-29T15:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7477"},"modified":"2006-06-29T15:22:00","modified_gmt":"2006-06-29T15:22:00","slug":"o-mundo-e-lugar-de-salvacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-mundo-e-lugar-de-salvacao\/","title":{"rendered":"O mundo \u00e9 lugar de salva\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O Dia da Igreja Diocesana decorreu subordinado ao tema \u201cConhecer mais para servir melhor\u201d. Durante todo o dia, os arciprestados apresentaram em tendas, umas maiores outras quase simb\u00f3licas, um pouco da sua realidade humana, cultural e religiosa. Se, na de Aveiro, pod\u00edamos tomar conhecimento da pr\u00e1tica crist\u00e3 de todas as par\u00f3quias, atrav\u00e9s de gr\u00e1ficos de barras, na de \u00cdlhavo, o visitante podia saborear um bolinho de bacalhau (\u00e9 por este concelho que entra a quase totalidade do bacalhau consumido em Portugal) e, na de Sever do Vouga, provava-se o famoso licor de mirtilo \u2013 s\u00f3 para referir alguns exemplos. A diocese \u00e9 geograficamente pequena, mas muito diversificada.<\/p>\n<p>No final da manh\u00e3, uma mesa redonda moderada pelo Pe Rui Barnab\u00e9 apresentou o testemunho de quatro crist\u00e3os sobre \u201cIgreja e Sociedade, duas realidades que se desafiam\u201d.<\/p>\n<p>Maria Celerina, reformada da Seguran\u00e7a Social, afirmou que \u201co amor tem necessidade de organiza\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cA Igreja prepara-se bem para o an\u00fancio da Palavra e para a celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos, mas conta apenas com a boa vontade para a pr\u00e1tica da caridade\u201d, disse. A respons\u00e1vel pelo voluntariado no Hospital de Aveiro defendeu que a caridade, \u201cum dos tr\u00eas pilares da Igreja\u201d, tem de deixar de ser \u201co parente pobre\u201d, porque \u00e9 a \u201cMagna Carta\u201d da Igreja.<\/p>\n<p>Elisa Urbano, professora da Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica e paroquiana de S. Bernardo, criticou as pol\u00edticas escolares e atitudes irrespons\u00e1veis dos pais. O Estado, \u201cem vez de procurar solu\u00e7\u00f5es, faz acusa\u00e7\u00f5es\u201d. Consequ\u00eancia: \u201cos alunos, tal como os pais, andam cada vez mais desorientados\u201d. Por outro lado, \u201cpais a criticarem professores na frente dos filhos est\u00e1 a tornar-se rotina. E os alunos sorriem\u201d. Esta desautoriza\u00e7\u00e3o (semelhante \u00e0 que pode acontecer num casal perante os filhos) \u00e9 um \u201cgrave erro de educa\u00e7\u00e3o\u201d. Elisa Urbano considerou de extrema import\u00e2ncia que pais e professores se associem para melhorar a educa\u00e7\u00e3o. \u201cA escola n\u00e3o \u00e9 do Estado, nem \u00e9 o Estado que tem de decidir qual a educa\u00e7\u00e3o que queremos para os nossos filhos\u201d.<\/p>\n<p>Graciete Marques, enfermeira e respons\u00e1vel da Liga Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica\/Movimento dos Trabalhadores Crist\u00e3os, notou que as \u201cmuta\u00e7\u00f5es t\u00e9cnico-econ\u00f3micas, a uma velocidade atroz, causam transforma\u00e7\u00f5es profundas no trabalho\u201d, ferindo a dignidade do trabalhador, \u201cjoguete nas m\u00e3os do mercado\u201d. Com o aumento do desem-prego, de \u201csocialmente \u00fatil\u201d, o trabalhador passa a \u201cdispens\u00e1vel para a vida social\u201d. \u201cO trabalho j\u00e1 n\u00e3o constitui uma dimens\u00e3o estruturante da vida humana\u201d. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 \u201crealidade angustiante para todos os trabalhadores crist\u00e3os\u201d, por ser cada vez mais not\u00f3rio que, com o medo do desemprego, as pessoas \u201cn\u00e3o trabalham para viver, mas vivem para trabalhar\u201d. Graciete Marques considerou, no entanto, que os tempos s\u00e3o de esperan\u00e7a e apontou tr\u00eas vias: a aposta forte na forma\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e certifica\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias; a aposta nos novos produtos e servi\u00e7os, como o turismo, a agricultura biol\u00f3gica ou as energias renov\u00e1veis; e a reafirma\u00e7\u00e3o constante da dignidade do trabalho e do trabalhador, porque este \u201ccompleta a obra do Criador\u201d.<\/p>\n<p>Lu\u00eds Silva, te\u00f3logo e professor de EMRC, considerou que h\u00e1 dois modos de o crist\u00e3o se situar perante a sociedade: a \u201cforma defensiva\u201d e a \u201cpostura salv\u00edfica\u201d. A primeira caracteriza-se por achar que \u201ctemos a verdade e o mundo n\u00e3o tem nada a dizer\u201d. \u201cO mundo \u00e9 tido como lugar de perdi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o devemos estar nele, para n\u00e3o nos contaminarmos\u201d, disse, para a seguir recusar esta forma de estar, porque nela a religi\u00e3o \u00e9 \u201ccoisa do interior, de sacristia\u201d. Na segunda, o mundo \u00e9 o lugar da Salva\u00e7\u00e3o, porque foi criado por Deus e porque Jesus Cristo encarnou no meio da Humanidade. Esta postura exige que \u201cse identifique e denuncie o que desumaniza\u201d o ser humano, que n\u00e3o se perca a identidade crist\u00e3 (perigo da excessiva identifica\u00e7\u00e3o com o mundo) e que se \u201ccaminhe com f\u00e9 madura\u201d, na express\u00e3o de Bento XVI.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Dia da Igreja Diocesana decorreu subordinado ao tema \u201cConhecer mais para servir melhor\u201d. 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