{"id":7501,"date":"2006-06-29T16:41:00","date_gmt":"2006-06-29T16:41:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7501"},"modified":"2006-06-29T16:41:00","modified_gmt":"2006-06-29T16:41:00","slug":"falemos-de-herois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/falemos-de-herois\/","title":{"rendered":"Falemos de her\u00f3is"},"content":{"rendered":"<p>Eduar&#8230; hoje <!--more--> 1. Nas obras dos autores cl\u00e1ssicos, ou nas publica\u00e7\u00f5es mais recentes, na literatura oral, nos jogos de computador, na banda desenhada, no teatro ou no cinema, o p\u00fablico (leitor, ouvinte, espectador ou jogador) coloca-se do lado da personagem que tem objectivos altru\u00edstas. Normalmente, para fazer os outros felizes (e para alcan\u00e7ar a sua pr\u00f3pria felicidade), o protagonista sai do espa\u00e7o onde vive, ou porque este lhe \u00e9 adverso, ou porque lhe \u00e9 pedido por outrem, ou porque a felicidade se encontra fora dali. Normalmente, tem de superar obst\u00e1culos, para os quais det\u00e9m poderes e alguns objectos m\u00e1gicos. No final da hist\u00f3ria, o her\u00f3i alcan\u00e7a o sucesso, contribui para a felicidade dos outros e encontra a recompensa. (No imagin\u00e1rio portugu\u00eas, esta surge aliada \u00e0 Ilha dos Amores de Cam\u00f5es.) Quanto mais dif\u00edceis forem os obst\u00e1culos a ultrapassar, mais ter\u00e1 o her\u00f3i de se esfor\u00e7ar. E mais valorizado ser\u00e1 o seu sucesso. <\/p>\n<p>Num filme, livro, jogo, o final est\u00e1 garantido \u2013 a felicidade \u00e9 alcan\u00e7ada, o her\u00f3i \u00e9 recompensado e o vil\u00e3o \u00e9 castigado. O que nos leva a querer ler o livro, ver o filme ou jogar? Apesar de sabermos o final, gostamos de perceber o que fez a personagem para l\u00e1 chegar. Num jogo de computador, somos n\u00f3s que contribu\u00edmos para o sucesso. Agora, imaginemos que a personagem do tal livro, jogo, filme, alcan\u00e7ava o sucesso sem qualquer esfor\u00e7o. Provavelmente, desistir\u00edamos de ler, jogar, ver, pois nada nos suscitava interesse. <\/p>\n<p>Imaginemos agora outra situa\u00e7\u00e3o: a Rita, o Andr\u00e9, o Nuno, a Vanda transitaram todos de ano. \u00c0 Rita e ao Andr\u00e9 tudo correu sem problemas: os pais n\u00e3o se divorciaram; os irm\u00e3os n\u00e3o foram presos; o tio n\u00e3o anda fugido; os colegas n\u00e3o se meteram na droga; os amigos n\u00e3o se alcoolizam ao fim-de-semana; a turma \u00e9 unida e n\u00e3o perturba o decurso normal das aulas. Ao Nuno e \u00e0 Vanda tudo correu dentro da normalidade: os pais continuam a agredir-se regularmente; os irm\u00e3os est\u00e3o desempregados e n\u00e3o querem mudar de estatuto; a tia ganha a vida de forma estranha; os colegas fumam haxixe; os amigos foram expulsos da escola; a turma \u00e9 unida, por\u00e9m as aulas s\u00e3o constantemente interrompidas por quem n\u00e3o quer estar ali, mas n\u00e3o quer sair da escola (porque gosta da escola, s\u00f3 n\u00e3o gosta \u00e9 de: estudar; ter aulas; trabalhos de casa e testes).<\/p>\n<p>Quem teve sucesso? Todos. E com todos gostei igualmente de trabalhar. Gostei muito. Enfim, o resultado \u2013 o final feliz das hist\u00f3rias \u2013 \u00e9 semelhante: todos transitaram de ano. Mas o ponto de partida e o caminho percorrido foram bem diferentes. Por isso, os meus her\u00f3is s\u00e3o o Nuno e a Vanda, porque o filme que protagonizaram foi bem mais dram\u00e1tico, os obst\u00e1culos que superaram foram bem mais dif\u00edceis. E o esfor\u00e7o bem superior ao da Rita e do Andr\u00e9. Por isso, o sucesso nunca se pode medir s\u00f3 pelo n\u00famero de transi\u00e7\u00f5es, ou de positivas, ou de n\u00edveis elevados. Essa ser\u00e1 a sequ\u00eancia mais pequena do filme, ou o cap\u00edtulo que se escreve ou l\u00ea mais depressa.<\/p>\n<p>2. Para o ano, quer-se \u201cuma escola a tempo inteiro\u201d (Ministra da Educa\u00e7\u00e3o, telejornal da RTP1, 20h, 24 de Junho 2006). Ser\u00e1 bom que os alunos estejam mais horas do que as que s\u00e3o obrigados a passar actualmente nas escolas? Sempre com as mesmas pessoas? E se os av\u00f3s quiserem estar com os netos? E se os vizinhos puderem tomar conta das crian\u00e7as? E as catequeses? E os ATL?! E\u2026??? \u00c9 urgente que o p\u00fablico se manifeste. Os jornais e as revistas t\u00eam sec\u00e7\u00f5es abertas aos leitores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eduar&#8230; hoje<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-7501","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7501","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7501"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7501\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7501"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7501"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7501"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}