{"id":7502,"date":"2006-06-29T16:44:00","date_gmt":"2006-06-29T16:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7502"},"modified":"2006-06-29T16:44:00","modified_gmt":"2006-06-29T16:44:00","slug":"imprecisoes-e-debate-etico-o-embriao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/imprecisoes-e-debate-etico-o-embriao\/","title":{"rendered":"Imprecis\u00f5es e debate \u00e9tico &#8211; o embri\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Pensar a Vida <!--more--> Fal\u00e1cia \u00e9 definida como um silogismo que, embora pare\u00e7a concluir, de facto n\u00e3o conclui. Esta defini\u00e7\u00e3o \u00e9 utilizada como ponto de partida para uma an\u00e1lise relativa \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o de defini\u00e7\u00f5es e conceitos, que em nossa opini\u00e3o fracturam o debate \u00e9tico. O que se verifica \u00e9 que, a um mesmo objecto, correspondem diferentes conceitos. Muitos destes termos (ex. pr\u00e9-embri\u00e3o) foram intencionalmente implementados com o objectivo de facilitar a tarefa da justifica\u00e7\u00e3o \u00e9tica e imprimir vantagens a determinada posi\u00e7\u00e3o moral; outros surgiram de modo perfeitamente casual e foram resistindo ao escrut\u00ednio cient\u00edfico, perpassando rigores conceptuais e sedimentando-se como defini\u00e7\u00f5es consensuais. <\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-embri\u00e3o \u00e9 de surgimento recente, sendo definido como a colec\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas que se dividem at\u00e9 ao aparecimento da linha primitiva. Ao mudar os \u201cnomes\u201d, o embri\u00e3o torna-se uma quase coisa. No entanto, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 muito mais pr\u00e1tico que te\u00f3rico: n\u00e3o \u00e9 porque h\u00e1 um pr\u00e9-embri\u00e3o que se tem o direito de manipul\u00e1-lo e de destru\u00ed-lo, \u00e9 porque ele \u00e9 manipulado e destru\u00eddo que deve haver um pr\u00e9-embri\u00e3o. Os argumentos apresentados para o uso do termo \u201cpr\u00e9-embri\u00e3o\u201d n\u00e3o resistem \u00e0 an\u00e1lise, porque manipulam denomina\u00e7\u00f5es, criando fracturas na representa\u00e7\u00e3o do desenvolvimento do ser humano. A consequ\u00eancia destes constrangimentos sem\u00e2nticos enviesa, atrav\u00e9s de atitudes de car\u00e1cter pol\u00edtico ou confessional, o estado do debate sobre t\u00e3o importante problem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos t\u00eam-se multiplicado as possibilidades de manipula\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o embrion\u00e1ria, as \u201cpotenciais\u201d aplica\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas da clonagem de seres humanos e da investiga\u00e7\u00e3o em c\u00e9lulas estaminais embrion\u00e1rias; tudo isto representa um paroxismo daquilo que foi designado por Pastor Garc\u00eda (2002) como \u201ca espiral coisificadora do embri\u00e3o\u201d, ou como ilustra e designa a capa da Science et Vie (n\u00ba 1010, Novembro de 2001) \u201cLe embryon m\u00e9dicament\u201d. <\/p>\n<p>Em nossa opini\u00e3o, o embri\u00e3o \u00e9 um organismo humano numa fase muito precoce de seu desenvolvimento, dotado de um sistema din\u00e2mico e complexo, n\u00e3o linear, que lhe garante um percurso prediz\u00edvel, robusto e independente. N\u00e3o faz sentido a discuss\u00e3o acerca de saber se se trata ou n\u00e3o de uma pessoa, j\u00e1 que as defini\u00e7\u00f5es respectivas s\u00e3o arbitr\u00e1rias e traduzem um di\u00e1logo entre a biologia, filosofia e direito, que, se chegar a conclus\u00f5es aceites pelas partes, ter\u00e1 \u00f3bvio valor no plano cognitivo. Desta forma, o embri\u00e3o \u00e9 um ser humano no seu estado inicial e deve ser respeitado e tratado como uma pessoa (que \u00e9, ou vir\u00e1 a ser, ou pelo menos n\u00e3o podemos excluir que seja).<\/p>\n<p>Ana Sofia Carvalho<\/p>\n<p>Ana Sofia Carvalho (Directora do Instituto de Bio\u00e9tica da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa) escreve a convite da ADAV<\/p>\n<p>ADAV\/Aveiro \u2013 Associa\u00e7\u00e3o de Defesa e Apoio da Vida\/Aveiro. <\/p>\n<p>Telef.: 234 424 040<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensar a Vida<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-7502","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7502","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7502"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7502\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7502"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7502"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7502"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}