{"id":7532,"date":"2006-07-05T15:14:00","date_gmt":"2006-07-05T15:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7532"},"modified":"2006-07-05T15:14:00","modified_gmt":"2006-07-05T15:14:00","slug":"se-nao-proclamarmos-a-boa-nova-na-internet-outros-proclamarao-novas-nao-necessariamente-boas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/se-nao-proclamarmos-a-boa-nova-na-internet-outros-proclamarao-novas-nao-necessariamente-boas\/","title":{"rendered":"&#8220;Se n\u00e3o proclamarmos a Boa Nova na Internet outros proclamar\u00e3o &#8216;novas&#8217; n\u00e3o necessariamente &#8216;boas&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista ao Pe J\u00falio Grangeia <!--more--> \u00c9 considerado o primeiro padre portugu\u00eas com uma p\u00e1gina pessoal na Internet (www.padrejulio.net). Francisco J\u00falio Grangeia Pinto, 48 anos, p\u00e1roco de Travass\u00f4, \u00d3is da Ribeira e Espinhel (arciprestado de \u00c1gueda), dedica algum do seu tempo \u00e0 pastoral da Internet, permitindo que muitos, por vezes do outro lado do oceano, se aproximem da f\u00e9 crist\u00e3. A grava\u00e7\u00e3o da Eucaristia, todas as semanas disponibilizada no seu \u201csite\u201d, \u00e9 vista por mais de 500 pessoas \u2013 a sua maior assembleia. Por ser pioneiro no acompanhamento espiritual utilizando a Internet, os bispos portugueses quiseram ouvi-lo. E o Correio do Vouga pediu-lhe que falasse, mais uma vez, do trabalho not\u00e1vel que vem fazendo.<\/p>\n<p>Correio do Vouga &#8211; Afirmou aos bispos portugueses que \u201cse n\u00f3s n\u00e3o colocamos Deus na rede, outros colocam outras coisas\u201d. O que quer dizer com isso?<\/p>\n<p>Pe J\u00falio Grangeia &#8211; O que quero dizer \u00e9 que a Internet n\u00e3o \u00e9 uma \u201cmoda\u201d que hoje existe e amanh\u00e3 desaparece; \u00e9 algo irrevers\u00edvel! Num \u201camanh\u00e3\u201d muito pr\u00f3ximo, j\u00e1 ningu\u00e9m viver\u00e1 sem ela! Por isso, se n\u00f3s n\u00e3o assumirmos (e j\u00e1!) como instrumento privilegiado para proclamar a Boa Nova de Jesus Cristo, outros a utilizar\u00e3o para proclamar outras \u201cnovas\u201d n\u00e3o necessariamente \u201cBoas\u201d. N\u00e3o exagero se disser que usar ou n\u00e3o usar a Net para a Evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de vida ou de morte para a divulga\u00e7\u00e3o da F\u00e9 Crist\u00e3 nos tempos mais pr\u00f3ximos!<\/p>\n<p>H\u00e1 muita gente na Net \u00e0 procura de Deus?<\/p>\n<p>Hoje h\u00e1 muita gente que procura Deus na Internet e tamb\u00e9m h\u00e1 gente que O procura mesmo dizendo-se ateu e agn\u00f3stico! Afinal de contas, tamb\u00e9m s\u00e3o filhos de Deus e filhos que Deus tamb\u00e9m ama. A presen\u00e7a da Igreja na Net pode ser, por isso, um \u201cporto de abrigo\u201d para tantos que navegam sem rumo neste mar global! E, se tantas vezes, por querer e sem querer, encontramos coisas que n\u00e3o prestam \u2013 porque algu\u00e9m as p\u00f4s l\u00e1 \u2013 porque n\u00e3o colocar Deus na Internet para Este ser encontrado por querer\u2026 e sem querer? <\/p>\n<p>A Igreja est\u00e1 desatenta \u00e0 Internet? O que se pode fazer para inverter a situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o diria que a Igreja esteja desatenta, at\u00e9 porque ela j\u00e1 vai tendo uma presen\u00e7a significativa (em termos quantitativos e qualitativos) neste mundo virtual, atrav\u00e9s dos \u201csites\u201d, \u201cblogs\u201d, F\u00f3runs, Canais de conversa\u00e7\u00e3o, \u201cPodcasts\u201d, R\u00e1dios na Net&#8230; <\/p>\n<p>Mas\u2026<\/p>\n<p>O problema est\u00e1, muitas vezes, na falta de actualiza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o basta ter um \u201cSite\u201d ou \u201cBlog\u201d muito bem feito; \u00e9 fundamental actualiz\u00e1-lo com regularidade. Se uma pessoa visita um Portal na Net e v\u00ea uma coisa, e torna a vir, outro dia, e encontra tudo na mesma, \u00e9 evidente que nunca mais mete \u201cl\u00e1\u201d os p\u00e9s.<\/p>\n<p>A linguagem da Igreja passa bem na Internet?<\/p>\n<p>Estou convicto que, nestas coisas, a Igreja tem ainda muito a aprender no que ao \u201cmarketing\u201d diz respeito. Apesar do nosso \u201cproduto\u201d ter especificidades muito pr\u00f3prias, temos que o saber apresentar para o nosso tempo! Eu diria mais: A Igreja tem que saber \u201cvender\u201d o \u201cseu produto\u201d, o que nem sempre acontece, a come\u00e7ar, precisamente, com a linguagem que n\u00f3s, Igreja, utilizamos e que est\u00e1, muitas vezes, desfasada do homem comum. Hoje, temos que apresentar o nosso \u201cproduto\u201d com muita criatividade mas sobretudo com leveza, para que as pes-soas n\u00e3o se \u201cassustem\u201d e entendam do que \u00e9 que estamos a falar.<\/p>\n<p>\u00c9 bom n\u00e3o esquecer que estamos num tempo em que se d\u00e1 mais import\u00e2ncia ao \u201cembrulho\u201d e \u00e0 \u201cembalagem\u201d do que ao conte\u00fado. Portanto, \u00e9 fundamental dizer o que se quer dizer, mas tamb\u00e9m, e sobretudo, saber dizer com a linguagem mais indicada a quem nos visita na Net. <\/p>\n<p>E qual \u00e9 essa forma de saber dizer?<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o sei, n\u00e3o tenho a varinha de cond\u00e3o, mas, se calhar, \u00e9 prefer\u00edvel dizer menos bem e todos entenderem do que falar tudo como deve ser e s\u00f3 sermos entendidos por \u201cmeia d\u00fazia\u201d. Esta tem sido, para mim, uma estrat\u00e9gia que tenho vindo a utilizar e, sinceramente, ainda n\u00e3o me arrependi de a usar!<\/p>\n<p>Como se pode p\u00f4r Deus na rede? <\/p>\n<p>N\u00e3o tenho a solu\u00e7\u00e3o na manga. O que posso dizer \u00e9 o que tenho feito. E neste aspecto, de h\u00e1 uns tempos para c\u00e1, tenho trabalhado na Internet a dois n\u00edveis: Respondo ao correio electr\u00f3nico que vou recebendo e vou facultando informa\u00e7\u00f5es das Par\u00f3quias, do Arciprestado e da Diocese, no meu \u201csite\u201d, que vou procurando actualizar com frequ\u00eancia di\u00e1ria ou quase di\u00e1ria. Al\u00e9m disto, transmito em v\u00eddeo a Eucaristia de uma das minhas Par\u00f3quias, em diferido, ao final da tarde de Domingo, ficando depois dispon\u00edvel no meu site por um per\u00edodo de 15 dias. Brevemente tenciono transmitir a Eucaristia mesmo em directo. A Eucaristia em diferido \u00e9 vista por mais de 500 pessoas, sendo que, muitas delas, s\u00e3o emigrantes na Venezuela, Luxemburgo, \u00c1frica do Sul, Irlanda\u2026 Alguns chegam mesmo a telefonar-me de prop\u00f3sito, como j\u00e1 aconteceu da Venezuela: \u201c\u00d3, Senhor padre, o Senhor nem sabe o bem que nos faz!\u201d \u2013 dizia-me um conterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>E recebe muito Correio? <\/p>\n<p>H\u00e1 semanas que chego a receber vinte e-mails ou mais\u2026 fora o \u201clixo\u201d. Claro que n\u00e3o chego para as encomendas. Vou procurando responder da melhor forma que posso e sei mas \u00e9 \u00f3bvio que por vezes tenho que seleccionar. Se n\u00e3o consigo responder a todos, procuro, pelo menos, n\u00e3o deixar sem resposta quem me procura angustiado e com problemas de consci\u00eancia\u2026<\/p>\n<p>De que tratam os e-mails?<\/p>\n<p>Fala-se de tudo: esclarecimento de d\u00favidas, incentivos, elogios, cr\u00edticas, desabafos\u2026 <\/p>\n<p>O Pe J\u00falio come\u00e7ou a sua interven\u00e7\u00e3o na reuni\u00e3o dos bispos com relatos que impressionaram a assembleia. Pode contar-nos um deles?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 tanto o caso mas a forma como ele nos \u00e9 contado pelas pessoas, muitas vezes, com o cora\u00e7\u00e3o angustiado. Um desses casos que contei aos Bispos, em F\u00e1tima, mantendo sempre a privacidade da pessoa \u2013 para mim \u00e9 como se fosse segredo de confiss\u00e3o \u2013 foi o de uma senhora que, porque n\u00e3o se confessava h\u00e1 mais de vinte anos, quis comungar na comunh\u00e3o do filho. Apesar de todo o esfor\u00e7o que fez para se confessar, n\u00e3o teve a coragem de transpor a porta da igreja da sua terra, porque pensava que o padre a n\u00e3o entenderia. Abriu o seu cora\u00e7\u00e3o num e-mail que me dirigiu, sentiu-se com confian\u00e7a. O resultado foi que fez mais de uma centena de quil\u00f3metros para se confessar aqui, na Par\u00f3quia de Travass\u00f4, onde resido. <\/p>\n<p>Mas, como este, h\u00e1 \u201cmontes\u201d de casos assim. Encontram o meu site, que \u00e9 uma porta aberta para as pessoas chegarem at\u00e9 mim, encontram o meu e-mail, e pronto. N\u00e3o t\u00eam nada a perder \u2013 porque podem continuar an\u00f3nimos \u2013 e t\u00eam tudo a ganhar \u2013 porque falam com um padre Cat\u00f3lico!<\/p>\n<p>Na diocese de Aveiro, acha que foram dados alguns passos para uma pastoral da Internet? O que pode ser feito? Apenas se pode agir individualmente, como o Pe J\u00falio?<\/p>\n<p>Nestas coisas n\u00e3o se pode agir individualmente, mas de uma forma estruturada e sistem\u00e1tica, o que neste momento n\u00e3o acontece. A Diocese tem que assumir a Internet como uma prioridade pastoral e n\u00e3o como um \u201cfogozito\u201d, que \u00e9 preciso \u201capagar\u201d aqui ou ali por um ou outro \u201cbombeiro\u201d. Se n\u00e3o se come\u00e7ar a fazer j\u00e1 um trabalho s\u00e9rio, sistem\u00e1tico, e concertado nesta enorme \u201cfloresta\u201d, o \u201cfogo\u201d\u2026 \u201cqueima\u201d tudo!<\/p>\n<p>\u00c9 portanto fundamental uma aposta nesta linha?<\/p>\n<p>Claro que sim. Ontem Jesus Cristo dizia: \u201cIde por todo o mundo e anunciai o Evangelho!\u201d Hoje Ele continua a fazer o mesmo apelo. S\u00f3 que hoje j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 preciso ir a todo o mundo anunciar o Evangelho. Na Internet \u00e9 todo o Mundo que vem ter connosco. Basta estarmos ligados, na rede, e lan\u00e7armos as \u201credes\u201d, neste \u201cmar\u201d do s\u00e9culo XXI, que se chama Internet!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista ao Pe J\u00falio Grangeia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-7532","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7532","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7532"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7532\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7532"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7532"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7532"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}