{"id":7557,"date":"2006-07-05T16:31:00","date_gmt":"2006-07-05T16:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7557"},"modified":"2006-07-05T16:31:00","modified_gmt":"2006-07-05T16:31:00","slug":"as-distracoes-do-mundial-e-os-problemas-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/as-distracoes-do-mundial-e-os-problemas-sociais\/","title":{"rendered":"As distra\u00e7\u00f5es do mundial e os problemas sociais"},"content":{"rendered":"<p>Era uma multid\u00e3o ordeira que desfilava. \u00c0 frente, um grande cartaz que dizia: \u201cPara n\u00f3s n\u00e3o h\u00e1 Mundial que nos distraia!\u201d Dez mil ou trinta mil, segundo as diversas contagens dos pol\u00edcias ou dos sindicatos, pouco interessa o n\u00famero. O importante \u00e9 que se tenham confrontado, com sentido, objectividade e de modo p\u00fablico, preocupa\u00e7\u00f5es t\u00e3o d\u00edspares. Enquanto a maioria do pa\u00eds se anestesia com a \u00e2nsia dos resultados do futebol e milhares se metem em avi\u00f5es fretados rumo \u00e0 Alemanha, h\u00e1 gente cuja vida sofre por problemas sociais graves que a atingem diariamente, fazem doer e fecham portas a horizontes de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando est\u00e1 em perigo o p\u00e3o, valem menos os jogos que divertem. Esta realidade nacional de uns que sofrem e outros que gozam ou se atordoam para disfar\u00e7ar sofrimentos e dores \u00e9 um dado da vida social que \u00e9 necess\u00e1rio saber ler e tirar conclus\u00f5es.<\/p>\n<p>Trata-se de uma realidade que tem express\u00f5es interpelantes em muitos aspectos da conviv\u00eancia humana e social. Os pequenos exemplos abundam. Por vezes, tudo se passa na pequena aldeia onde uma morte dolorosa e inesperada faz chorar alguns, mas n\u00e3o impede a festa que outros programaram. Tudo pode ocorrer com o barulho estrepitante pr\u00f3prio da festa, no mesmo largo do lugar onde est\u00e1 tamb\u00e9m a casa dos que velam e choram o seu familiar. Outras vezes \u00e9 o menosprezo pelas car\u00eancias da popula\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o impedem o gasto esbanjador da festa, por pruridos e exageros de bairrismo. Momentos caros, que pouco mais duram que o estalejar dos foguetes e o barulho do conjunto musical, ansioso por acabar depressa, porque j\u00e1 o esperam noutra festa, ali a uns quil\u00f3metros.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma tend\u00eancia manifesta e crescente para que incomodem o menos poss\u00edvel aqueles que, por seus problemas e dores, podem estragar os projectos e planos de quem quer apenas gozar.<\/p>\n<p>A verdadeira solidariedade faz dizer: \u201cQuem h\u00e1 a\u00ed que sofra, que eu n\u00e3o sofra com ele?\u201d. Um sentimento dif\u00edcil de concretizar, \u00e9 verdade, porque mingua a empatia nas rela\u00e7\u00f5es humanas e cresce o individualismo de quem se sente bem.  Mas que \u00e9 poss\u00edvel concretizar e alguns o fazem.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, no nosso pa\u00eds, este problema tem cada vez mais n\u00f3s dif\u00edceis de desatar. Crescem as contradi\u00e7\u00f5es, multiplicam-se as insensibilidades, apagam-se focos de educa\u00e7\u00e3o para os valores, vinga o \u201ccada um que se arranje\u201d. S\u00e3o muitos os que n\u00e3o embarcam neste clima e contrariam, contra ventos e mar\u00e9s, este processo de morte. Mas o apoio, vindo de cima, n\u00e3o vai ao seu encontro. Esbanja-se em simpatias ocas e medidas loucas que nunca s\u00e3o inconsequentes. \u00c9 preciso que haja quem diga que o Mundial n\u00e3o os distrai.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era uma multid\u00e3o ordeira que desfilava. \u00c0 frente, um grande cartaz que dizia: \u201cPara n\u00f3s n\u00e3o h\u00e1 Mundial que nos distraia!\u201d Dez mil ou trinta mil, segundo as diversas contagens dos pol\u00edcias ou dos sindicatos, pouco interessa o n\u00famero. 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