{"id":7563,"date":"2006-07-27T10:07:00","date_gmt":"2006-07-27T10:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7563"},"modified":"2006-07-27T10:07:00","modified_gmt":"2006-07-27T10:07:00","slug":"adaptacoes-da-cultura-romana-classica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/adaptacoes-da-cultura-romana-classica\/","title":{"rendered":"Adapta\u00e7\u00f5es da cultura romana cl\u00e1ssica"},"content":{"rendered":"<p>S\u00edmbolos crist\u00e3os &#8211; 4 <!--more--> No Antigo Testamento, como \u00e9 sabido, fazer e usar imagens era algo proibido pelo dec\u00e1logo (ver Dt 5,8). Deus ultrapassa qualquer representa\u00e7\u00e3o humana. Represent\u00e1-lo \u00e9 limit\u00e1-lo. \u00c9 alimentar a ilus\u00e3o de que podemos manipul\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Com o cristianismo, tal proibi\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o foi abolida, foi, pelo menos, ultrapassada. Quer dizer, Deus \u00e9 irrepresent\u00e1vel. \u201cA Deus nunca ningu\u00e9m o viu\u201d, diz a B\u00edblia. Mas o seu Filho, Jesus Cristo, verdadeiro homem, verdadeiro Deus, habitou entre n\u00f3s. Nasceu, cresceu, comeu e bebeu entre os homens. Foi visto pelos homens e mulheres. Lentamente, ultrapassou-se a proibi\u00e7\u00e3o absoluta de fazer imagens, na convic\u00e7\u00e3o de que a Encarna\u00e7\u00e3o, por um lado, e a presen\u00e7a de Cristo na Eucaristia, por outro, legitimavam o seu uso, com as devidas salvaguardas. Por esta raz\u00e3o teol\u00f3gica e reconhecendo-se a necessidade humana de s\u00edmbolos \u2013 poder\u00edamos chamar a isto a \u201craz\u00e3o pedag\u00f3gica\u201d \u2013 nasce a arte crist\u00e3.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que poder\u00edamos pensar, a cruz (sem Cristo) e a crucifica\u00e7\u00e3o (ou crucifix\u00e3o) s\u00e3o representa\u00e7\u00f5es relativamente tardias (s\u00e9cs. IV e V). As primeiras representa\u00e7\u00f5es pl\u00e1sticas do cristianismo (s\u00e9c. II) servem-se de elementos da cultura romana, como o pastor (ver Correio do Vouga de 12 de Julho), e alguns que ca\u00edram em desuso (excluamos o peixe, ichtus, em grego, que funcionava como acr\u00f3stico de Iesus Christos Th\u00e9ou Uios Soter, Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador \u2013 quest\u00e3o j\u00e1 abordada neste espa\u00e7o). Vejamos algumas dessas representa\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>&#8211; a \u00e2ncora (esperan\u00e7a), em que facilmente se v\u00ea a cruz. Por vezes aparecia associada ao peixe nos epit\u00e1fios na sepultura de um crist\u00e3o. O sentido era claro: Spes in Christos (Esperan\u00e7a em Cristo);<\/p>\n<p>&#8211; a f\u00e9nix renascida das cinzas \u2013 como Cristo \u201crenasce\u201d da morte;<\/p>\n<p>&#8211; o pav\u00e3o (segundo a f\u00e1bula, a sua carne era indestrut\u00edvel) \u2013 refer\u00eancia \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus;<\/p>\n<p>&#8211; Orfeu e Eur\u00eddice (segundo este mito, Orfeu resgatara Eur\u00eddice do Hades, ou seja, o inferno na mitologia grega) \u2013 refer\u00eancia \u00e0 descida de Cristo \u00e0 mans\u00e3o dos mortos;<\/p>\n<p>&#8211; Ulisses amarrado ao mastro do barco para n\u00e3o ser atra\u00eddo pelo canto das sereias \u2013 evoca\u00e7\u00e3o de Cristo crucificado;<\/p>\n<p>&#8211; o pr\u00f3prio H\u00e9rcules, figura mitol\u00f3gica muito popular na Antiguidade, \u00e9 associado a Jesus Cristo por ter passado por uma s\u00e9rie de prova\u00e7\u00f5es \u2013 os doze trabalhos de H\u00e9rcules.<\/p>\n<p>Na aus\u00eancia de uma tradi\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica gr\u00e1fica, o cristianismo adoptou, sem grandes complexos, figuras da mitologia cl\u00e1ssica que mais tarde seriam abandonadas.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00edmbolos crist\u00e3os &#8211; 4<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-7563","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7563","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7563"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7563\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7563"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7563"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7563"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}