{"id":758,"date":"2010-02-24T18:11:00","date_gmt":"2010-02-24T18:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=758"},"modified":"2010-02-24T18:11:00","modified_gmt":"2010-02-24T18:11:00","slug":"duas-casas-para-crescer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/duas-casas-para-crescer\/","title":{"rendered":"Duas casas para crescer"},"content":{"rendered":"<p>Tiago, pediste-me que tirasse apontamentos, se fosse \u00e0 palestra com a psic\u00f3loga Madalena Alarc\u00e3o, na Escola Secund\u00e1ria Dr. M\u00e1rio Sacramento, em Aveiro. Aqui te deixo um bocadinho daquilo que ouvi e algumas das minhas interpreta\u00e7\u00f5es do que se disse, naquele ser\u00e3o de sexta-feira, 12 de Fevereiro, na Biblioteca da escola, que foi pequena para acolher pais e professores daquela e de outras escolas. <\/p>\n<p>1. Diariamente, escolhemos determinada pe\u00e7a de roupa, optamos por um prato de comida e seguimos por um caminho, sem nos questionarmos, na maior parte das vezes, sobre o que nos levou a tal op\u00e7\u00e3o. E ainda bem que assim \u00e9. Imagine-se que todos os dias t\u00ednhamos de parar para explicar, a n\u00f3s mesmos e aos outros, as raz\u00f5es das nossas escolhas ordinariamente quotidianas. No entanto, h\u00e1 momentos e espa\u00e7os em que aprendemos a pensar tais op\u00e7\u00f5es, de forma mais ou menos expl\u00edcita. O primeiro e o privilegiado \u00e9 a fam\u00edlia, o segundo, e tamb\u00e9m de grande relev\u00e2ncia, \u00e9 a escola. N\u00e3o podemos, todavia, esquecer a import\u00e2ncia que assumem os grupos em que nos movemos, que podem tamb\u00e9m questionar e ajudar-nos a reflectir sobre as nossas atitudes.<\/p>\n<p>2. Fam\u00edlia e escola devem olhar-se como parceiras que cooperam na educa\u00e7\u00e3o do filho-aluno, apesar de muitas vezes se gerarem alian\u00e7as duns contra os outros. O filho-aluno que estabelece a liga\u00e7\u00e3o entre as duas estruturas movimenta-se em duas casas, a primeira, que deve preparar para a autonomia, ocupa-se talvez mais dos afectos do que das cogni\u00e7\u00f5es, ao passo que a escola deve promover o desenvolvimento cognitivo, contribuindo para o conhecimento, cultivando e ajudando o aluno a descobrir o prazer de pensar, desenvolvendo compet\u00eancias e estrat\u00e9gias para lidar com as dificuldades. \u00c9 evidente que a escola \u00e9 ainda o espa\u00e7o privilegiado para o alargamento das rela\u00e7\u00f5es sociais. <\/p>\n<p>3. Ao considerarmos que certo aluno tem aquele comportamento como consequ\u00eancia do seu ambiente familiar e socioecon\u00f3mico, ou por causa do bairro onde vive ou da turma de que faz parte, exportando as causas para fora do ambiente em que nos movemos (seja a fam\u00edlia, seja a escola), n\u00e3o resolvemos os problemas. Devemos eliminar os estigmas, que muitas vezes pomos sobre n\u00f3s pr\u00f3prios e sobre os outros. \u00c9 preciso encontrar dentro da escola, por exemplo, as solu\u00e7\u00f5es para o problema de comportamento do aluno e pedir a colabora\u00e7\u00e3o aos pais: \u201cN\u00f3s, escola, tom\u00e1mos estas medidas, por favor colaborem connosco.\u201d Regras simples relacionadas com a pontualidade, o material de trabalho, a limpeza da escola, e outras relativas ao empe-nhamento e ao cumprimento do hor\u00e1rio de estudo.  <\/p>\n<p>4. Aprender a pensar passa, por exemplo, e t\u00e3o simplesmente, por atitudes t\u00e3o f\u00e1ceis, como a raz\u00e3o de uma escolha, quando se vai \u00e0s compras: \u201cQue cal\u00e7as queres? Estas? Est\u00e1 bem\u201d. E se n\u00e3o houver tempo para perguntar porqu\u00ea, para argumentar em favor desta ou daquela pe\u00e7a de roupa, quando o filho for adolescente n\u00e3o ter\u00e1 mais argumentos do que os habituais: \u201cTodos usam este tipo de cal\u00e7as. \u00c9 a moda e eu quero\u201d. Ou: \u201cTodos saem \u00e0 noite e eu tamb\u00e9m quero.\u201d Aprender a pensar e a argumentar come\u00e7a cedo, por isso seria bom que, desde pequeninos, os filhos soubessem apresentar raz\u00f5es para as suas escolhas. O mesmo se passa com o estimular da curiosidade. Se n\u00e3o houver tempo para observar o que se passa \u00e0 nossa volta, para contactar com a natureza, quando estudar ci\u00eancias e hist\u00f3ria, quando escrever e falar, ou quando resolver problemas matem\u00e1ticos, o aluno n\u00e3o ter\u00e1 ideias, n\u00e3o perceber\u00e1 o que estuda, n\u00e3o ser\u00e1 capaz de organizar o pensamento.<\/p>\n<p>5. Na fam\u00edlia e na escola, a clareza e a coer\u00eancia s\u00e3o a base do desenvolvimento do filho-aluno e da sua rela\u00e7\u00e3o com os adultos. Mas surgem momentos em que outros adultos colocam em situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil os primeiros respons\u00e1veis pela educa\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a: \u201cEu deixo o meu filho ir, deixe tamb\u00e9m o seu\u201d; ou: \u201cVai toda a turma, por que \u00e9 que n\u00e3o deixa o seu filho ir?!\u201d A\u00ed, o adulto interfere na educa\u00e7\u00e3o que aquela fam\u00edlia pretende dar ao seu filho, segundo determinados valores. <\/p>\n<p>6. \u00c9 importante reflectir sobre as raz\u00f5es que levam pais e professores a questionaram certas atitudes dos mais novos. Por exemplo, sair \u00e0 noite, beber, fumar s\u00e3o um problema. Porqu\u00ea? Seja bastante claro no estabelecimento das regras. O filho-aluno fica \u201cchateado\u201d com as restri\u00e7\u00f5es do adulto, est\u00e1 no seu direito, faz parte do seu crescimento. O adulto deve manter o seu papel de adulto e n\u00e3o ficar ele pr\u00f3prio aborrecido, porque est\u00e1 a contrariar o filho-aluno, que ficou zangado. Cada um deve cumprir o seu papel, na coer\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o e dos valores que se pretendem transmitir aos mais novos. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tiago, pediste-me que tirasse apontamentos, se fosse \u00e0 palestra com a psic\u00f3loga Madalena Alarc\u00e3o, na Escola Secund\u00e1ria Dr. M\u00e1rio Sacramento, em Aveiro. 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