{"id":760,"date":"2010-02-24T18:13:00","date_gmt":"2010-02-24T18:13:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=760"},"modified":"2010-02-24T18:13:00","modified_gmt":"2010-02-24T18:13:00","slug":"pensamento-que-pode-ajudar-os-distraidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/pensamento-que-pode-ajudar-os-distraidos\/","title":{"rendered":"Pensamento que pode ajudar os distra\u00eddos"},"content":{"rendered":"<p>Para os crist\u00e3os que ainda n\u00e3o adormeceram e t\u00eam a alegria de o serem, o tempo da Quaresma convida a mudar para melhor a vida de todos os dias, sempre conscientes do muito que s\u00e3o como filhos de Deus, e do pouco que s\u00e3o, porque vasos de barro, vindos do p\u00f3 da terra e destinados a ele regressar.<\/p>\n<p>Este prop\u00f3sito, marcado por um apelo interior insistente, em ordem a um esfor\u00e7o pessoal para a mudan\u00e7a necess\u00e1ria na vida concreta e na hist\u00f3ria pessoal de cada um, \u00e9 objectivo, n\u00e3o ut\u00f3pico, porque h\u00e1 sempre montes a nivelar, vales a preencher, virtudes a desenvolver e defeitos a corrigir. \u00c9 apelo a todos os insatisfeitos, crist\u00e3os ou n\u00e3o, que permanecem vivos, a que cultivem a verdade, andem com os p\u00e9s no ch\u00e3o e n\u00e3o deixem que o tempo os confine \u00e0 pequenez de uma vida ilus\u00f3ria.<\/p>\n<p>Trata-se do convite a um acordar sincero para a verdade pessoal. Podemos chamar-lhe \u201cexame de consci\u00eancia\u201d que ajude a olhar por dentro a vida com todo o realismo. Um homem de grande dimens\u00e3o espiritual, Dalai Lama, traduz este convite fazendo uma aten\u00e7\u00e3o \u00e0 vida que se vive no dia-a-dia. F\u00ea-lo com o realismo que lhe permite o conhecimento das pessoas, da sua vida e seu modo de a viver. Respondeu assim \u00e0 pergunta \u201co que mais o surpreende na Humanidade?\u201d: \u201cO que mais me surpreende s\u00e3o as pessoas, porque perdem a sa\u00fade para juntar dinheiro e, depois, perdem o dinheiro para recuperar a sa\u00fade\u2026 Porque pensam ansiosamente no futuro e esquecem o presente, de tal forma que acabam por n\u00e3o viver nem o presente, nem o futuro\u2026 Porque vivem como se n\u00e3o tivessem de morrer e morrem como se nunca tivessem vivido\u201d.<\/p>\n<p>Um apelo provocat\u00f3rio que n\u00e3o pode deixar ningu\u00e9m indiferente, menos ainda os corajosos que nele se revirem. \u00c9 uma s\u00e1bia admoni\u00e7\u00e3o para todos, sem excep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os tempos n\u00e3o s\u00e3o prop\u00edcios \u00e0 convers\u00e3o interior, \u00e0 mudan\u00e7a de rumo para melhor. S\u00e3o poucos os que se consideram pecadores ou imperfeitos. A tal levou o subjectivismo da vida, a \u00e2nsia do ter, do poder e do gozar, e a relativiza\u00e7\u00e3o da verdade e do bem. <\/p>\n<p>Quando cada um se julga a si mesmo e n\u00e3o admite qualquer julgamento vindo do exterior, conta apenas com o favor do ju\u00edzo de um amor-pr\u00f3prio complacente. Sacodem-se, ent\u00e3o, as culpas do que corre menos bem ou anda por caminho errado. E, de modo narc\u00edsico, at\u00e9 os erros e os disparates pessoais s\u00e3o motivo de orgulho e vaidade.<\/p>\n<p>O conhecimento de si pr\u00f3prio n\u00e3o pode ignorar os outros que vivem consigo ou v\u00e3o passando pela nossa vida. O que revela a virtude que h\u00e1 em n\u00f3s e, tamb\u00e9m, o mal que nos possui, s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es que se vivem no dia-a-dia. Quando se esbarra por culpa pr\u00f3pria, pode dizer-se que ningu\u00e9m viu. Quando se esbarra com os outros, h\u00e1 sempre algu\u00e9m que se fica a doer e a queixar. <\/p>\n<p>Sempre ouvi dizer, e a vida mo tem confirmado, que n\u00e3o h\u00e1 pessoa grande para o seu criado de quarto. \u00c9 ali, onde mais ningu\u00e9m v\u00ea al\u00e9m do criado, que surge o mau g\u00e9nio, as embirra\u00e7\u00f5es, amea\u00e7as, desleixos, prepot\u00eancias\u2026 Quando se sai \u00e0 rua, h\u00e1 sorrisos para todos, mas que n\u00e3o conseguem remir as faltas de respeito e as grosserias que se deixaram atr\u00e1s da porta do quarto, e que t\u00eam, como \u00fanica testemunha, quem n\u00e3o pode falar delas.<\/p>\n<p>Jesus Cristo iniciou a sua prega\u00e7\u00e3o falando de um Reino novo, que o devia ser pela instaura\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia da verdade, da justi\u00e7a, do amor e da paz. Convidou todos \u00e0 convers\u00e3o interior, traduzida por uma purifica\u00e7\u00e3o sincera dos sentimentos e dos comportamentos. A gente humilde percebeu e tentou andar por esse caminho. Os grandes do tempo, do poder pol\u00edtico ao religioso, revoltaram-se. Eles nada tinham a mudar. Eram \u201cperfeitos\u201d a tal ponto que nem se misturavam com os pecadores para n\u00e3o se mancharem. Mais tarde proclamou as bem-aventuran\u00e7as e deu conta como o valor de cada se traduzia ou n\u00e3o em felicidade. As diferen\u00e7as eram arrasadoras, em desfavor dos que se pensavam e diziam perfeitos e sem pecado.<\/p>\n<p>Est\u00e1 a\u00ed a Quaresma, tempo necess\u00e1rio e \u00fatil para todos. H\u00e1 que aproveit\u00e1-la, para que a P\u00e1scoa, esta passagem da morte por um amor que identifica com a verdade na vida, seja plena de sentido e d\u00ea sentido a tudo da vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para os crist\u00e3os que ainda n\u00e3o adormeceram e t\u00eam a alegria de o serem, o tempo da Quaresma convida a mudar para melhor a vida de todos os dias, sempre conscientes do muito que s\u00e3o como filhos de Deus, e do pouco que s\u00e3o, porque vasos de barro, vindos do p\u00f3 da terra e destinados [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-760","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/760","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=760"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/760\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=760"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=760"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=760"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}