{"id":7645,"date":"2006-07-12T15:01:00","date_gmt":"2006-07-12T15:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7645"},"modified":"2006-07-12T15:01:00","modified_gmt":"2006-07-12T15:01:00","slug":"os-pobres-possuirao-a-terra-sl-37-11","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-pobres-possuirao-a-terra-sl-37-11\/","title":{"rendered":"&#8220;Os pobres possuir\u00e3o a Terra&#8221; (Sl 37, 11)"},"content":{"rendered":"<p>Direitos Humanos <!--more--> Foi lan\u00e7ado recentemente um documento extraordin\u00e1rio, intitulado: \u201cOs pobres possuir\u00e3o a terra\u201d. Trata-se de um pronunciamento conjunto de bispos cat\u00f3licos, anglicanos e pastores de diversas igrejas protestantes. <\/p>\n<p>Aparentemente seria um trabalho que apenas mostraria a opini\u00e3o das autoridades religiosas crist\u00e3s sobre as quest\u00f5es de terra no Brasil. E, se o seu car\u00e1cter ecum\u00e9nico j\u00e1 era um verdadeiro desafio, o t\u00edtulo estimulou-me a l\u00ea-lo sem demora.<\/p>\n<p>Para minha agrad\u00e1vel surpresa, o que descobri foi um pronunciamento que vai muito al\u00e9m de quest\u00f5es fundi\u00e1rias. Na verdade, o que os bispos e pastores apresentaram foi as suas preocupa\u00e7\u00f5es acerca do sistema econ\u00f3mico neoliberal e respectivas consequ\u00eancias nefastas para a sociedade actual, principalmente para os mais pobres.<\/p>\n<p>Apresenta-se como extraordinariamente prof\u00e9tica a vis\u00e3o que estas lideran\u00e7as crist\u00e3s brasileiras t\u00eam sobre o modelo de desenvolvimento no Brasil e nas sociedades ocidentais. Segundo os autores do documento, em nome do \u201cprogresso\u201d, o neoliberalismo idolatra o mercado, concentra cada vez mais as riquezas nas m\u00e3os dos privilegiados e est\u00e1 a provocar a devasta\u00e7\u00e3o ambiental, bem como a fazer aumentar a viol\u00eancia contra os exclu\u00eddos. \u00c9 sobre esta realidade que os pastores destas igrejas se debru\u00e7am.<\/p>\n<p>O documento \u00e9 deveras inquietante, aliciante e deliciosamente subversivo. A reflex\u00e3o est\u00e1, toda ela, baseada nas Sagradas Escrituras, o que impede, desde logo, que se rotule este pronunciamento de panflet\u00e1rio. Ele n\u00e3o est\u00e1 a servi\u00e7o de quaisquer ideologias pol\u00edticas. Est\u00e1 escrito, isso sim, numa perspectiva libertadora e autenticamente evang\u00e9lica. At\u00e9 porque, como o documento refere, a \u201cf\u00e9 \u00e9 deixar que nossos olhos se transfigurem pela luz do olhar de Deus, \u00e9 o jeito divino de enxergar as coisas e o mundo\u201d.E \u00e9 assim, neste estilo de linguagem, simultaneamente po\u00e9tico e perturbante, que os bispos e pastores exp\u00f5em os seus pensamentos. A profundidade do que se pode ler no pronunciamento torna imposs\u00edvel n\u00e3o reconhecer, na sua g\u00e9nese, a inspira\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>O texto reivindica, das autoridades, pol\u00edticas p\u00fablicas que visem o bem comum. Denuncia, ainda, que essas mesmas autoridades n\u00e3o se podem manter, vergonhosamente, atreladas aos interesses do mercado, do capital, do latif\u00fandio e da explora\u00e7\u00e3o. As propostas, que os bispos deixam, s\u00e3o bem claras: trata-se de medidas concretas para o combate ao neoliberalismo econ\u00f3mico e para a efectiva\u00e7\u00e3o da reforma agr\u00e1ria no Brasil.<\/p>\n<p>Como referi, o documento n\u00e3o se limita a quest\u00f5es fundi\u00e1rias nem t\u00e3o pouco se limita a uma realidade latinoamericana.<\/p>\n<p>Sugiro, pois, a leitura atenta do pronunciamento em www.terrados pobres.org.Ver\u00e3o como a convoca\u00e7\u00e3o \u00e0s Igrejas, para que \u201csejam testemunhas coerentes de desprendimento e de solidariedade com os mais pobres e de compromisso com a vida do planeta\u201d, vai parecer dirigida a cada um de n\u00f3s. <\/p>\n<p>O passo seguinte \u2013 que \u00e9 apelo de Cristo \u2013 ser\u00e1 transformar a nossa inquieta\u00e7\u00e3o em atitudes concretas de op\u00e7\u00e3o pelos pobres e de luta pela justi\u00e7a, em qualquer parte do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Direitos Humanos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-7645","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7645","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7645"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7645\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}