{"id":7646,"date":"2006-07-12T15:04:00","date_gmt":"2006-07-12T15:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7646"},"modified":"2006-07-12T15:04:00","modified_gmt":"2006-07-12T15:04:00","slug":"socializacao-amnesica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/socializacao-amnesica\/","title":{"rendered":"Socializa\u00e7\u00e3o Amn\u00e9sica"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> 1. Na concep\u00e7\u00e3o e na pr\u00e1tica da socializa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, real\u00e7am-se duas tend\u00eancias: a corrente defendida pela doutrina social da Igreja (DSI); e a defendida pelos partidos socialistas, social-democratas e at\u00e9 pelos democratas crist\u00e3os. Na perspectiva da DSI, assumida pelo menos desde Jo\u00e3o XXIII, a socializa\u00e7\u00e3o processa-se em tr\u00eas patamares e na rela\u00e7\u00e3o entre eles: o primeiro pa-tamar \u00e9 o da proximidade b\u00e1sica \u2013 fam\u00edlia, vizinhan\u00e7a e amizade, voluntariado local&#8230;; o segundo patamar respeita aos \u201ccorpos interm\u00e9dios\u201d \u2013 associa\u00e7\u00f5es, funda\u00e7\u00f5es, empresas e outras organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, qualquer que seja a sua formaliza\u00e7\u00e3o; o terceiro \u00e9 o do Estado, com os seus diferentes \u00f3rg\u00e3os, organismos e institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da DSI, a socializa\u00e7\u00e3o defendida pelas referidas correntes pol\u00edticas privilegia a ac\u00e7\u00e3o do terceiro patamar, em preju\u00edzo dos outros. Deve anotar-se que tanto a DSI como estas correntes s\u00e3o favor\u00e1veis ao papel regulador do Estado, com eventual recurso a nacionaliza\u00e7\u00f5es, quando o bem comum o exija; mas, enquanto a DSI considera indispens\u00e1vel a optimiza\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas patamares \u2013 reconhecendo o primeiro como b\u00e1sico \u2013, as correntes pol\u00edticas secundarizaram os dois primeiros e consideraram b\u00e1sico o terceiro, transferindo para ele o grosso das responsabilidades sociais. A pr\u00f3pria democracia crist\u00e3 entrou neste jogo, a pretexto da garantia de direitos que ele oferecia, alegadamente, e das vantagens eleitorais que proporcionava.<\/p>\n<p>2. Ao menosprezarem o primeiro e o segundo patamares, as correntes pol\u00edticas esqueceram-se n\u00e3o s\u00f3 da longa tradi\u00e7\u00e3o que precedeu a revolu\u00e7\u00e3o liberal mas tamb\u00e9m da renova\u00e7\u00e3o do segundo patamar ocorrida no s\u00e9culo XIX, atrav\u00e9s do mutualismo, do cooperativismo e das colectividades de cultura e recreio. No caso particular dos socialismos, acontece que esqueceram n\u00e3o s\u00f3 a sua origem associativa mas tamb\u00e9m o seu destino e ideais: a supera\u00e7\u00e3o do sistema capitalista.<\/p>\n<p>Hoje em dia, n\u00e3o existe nenhuma corrente pol\u00edtica que apresente caminhos realistas, humanistas e eficazes de supera\u00e7\u00e3o do capitalismo. Pior do que isso: parece n\u00e3o existir, no nosso pa\u00eds, produ\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica doutrin\u00e1ria marcada por esta orienta\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>3. Independentemente de op\u00e7\u00f5es confessionais, talvez os partidos socialistas e, naturalmente, as restantes correntes pol\u00edticas lucrassem bastante com o conhecimento e aprofundamento da socializa\u00e7\u00e3o, segundo a DSI (que ali\u00e1s os pr\u00f3prios crist\u00e3os, em geral, tamb\u00e9m n\u00e3o cultivam nem praticam). Esta perspectiva da socializa\u00e7\u00e3o insere-se na tradi\u00e7\u00e3o ancestral (crente e laica), assume as dimens\u00f5es positivas das diferentes correntes pol\u00edticas e cont\u00e9m um inigual\u00e1vel potencial de desenvolvimento futuro, com bases para as  respostas aos graves problemas actuais (cfr. a entrada \u201csocializa\u00e7\u00e3o\u201d, no \u201cComp\u00eandio da DSI\u201d, Principia, 2005).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-7646","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7646","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7646"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7646\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7646"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7646"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7646"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}