{"id":7647,"date":"2006-07-12T15:05:00","date_gmt":"2006-07-12T15:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7647"},"modified":"2006-07-12T15:05:00","modified_gmt":"2006-07-12T15:05:00","slug":"estatizacao-empobrecedora-da-sociedade-e-seus-valores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/estatizacao-empobrecedora-da-sociedade-e-seus-valores\/","title":{"rendered":"Estatiza\u00e7\u00e3o empobrecedora da sociedade e seus valores"},"content":{"rendered":"<p>No passado m\u00eas de Abril, a Comiss\u00e3o Europeia apresentou uma Comunica\u00e7\u00e3o relativa aos servi\u00e7os sociais de interesse geral, na qual s\u00e3o feitas considera\u00e7\u00f5es do maior interesse, de que n\u00e3o senti qualquer eco no nosso pa\u00eds. J\u00e1 \u00e9 mais ou menos habitual encherem-se os jornais e os notici\u00e1rios de banalidades, deixando na sombra informa\u00e7\u00f5es que t\u00eam indiscut\u00edvel interesse.<\/p>\n<p>A verifica\u00e7\u00e3o que se anota na referida Comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 que as Igrejas e as suas organiza\u00e7\u00f5es foram, em toda a Europa, as primeiras a desenvolver formas espec\u00edficas de um compromisso social, que deu origem a respostas concretas e institucionalizadas a muitos problemas que afectam crian\u00e7as, jovens, fam\u00edlias, doentes, idosos e portadores de defici\u00eancias graves e outros feridos da vida. Este compromisso das Igrejas e das suas organiza\u00e7\u00f5es, porque \u00e9 uma express\u00e3o de amor ao pr\u00f3ximo e representa um elemento essencial da pr\u00e1tica religiosa, esteve sempre aberto a todos, e para todos constituiu um servi\u00e7o social e fraterno. Sublinha-se que este servi\u00e7o assenta sempre no princ\u00edpio da solidariedade, tem um car\u00e1cter personalizado, n\u00e3o visa fins lucrativos, comporta a presta\u00e7\u00e3o do voluntariado e est\u00e1 marcado por uma tradi\u00e7\u00e3o cultural e uma rela\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica entre prestadores e benefici\u00e1rios. Mais aos que mais precisam.<\/p>\n<p>A matriz religiosa original permitiu inovar e qualificar o servi\u00e7o prestado, manter o esp\u00edrito que lhe d\u00e1 alma, atender \u00e0s realidades sociais e \u00e0 procura atempada das melhores solu\u00e7\u00f5es para as diversas necessidades e situa\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Segundo orienta\u00e7\u00f5es da UE, ao Estado compete determinar legisla\u00e7\u00e3o em mat\u00e9ria social, mas n\u00e3o se substituir \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es em campo, com uma hist\u00f3ria longa e uma compet\u00eancia reconhecida. A Comiss\u00e3o considera os servi\u00e7os sociais como pilares da sociedade e da economia europeias e, por isso mesmo, n\u00e3o deixa de prestar aten\u00e7\u00e3o ao modo como as coisas funcionam em cada pa\u00eds membro. N\u00e3o lhe faltam desilus\u00f5es.<\/p>\n<p>Pela \u00e2nsia de o Estado estar em tudo e mandar em tudo, alguns estados membros, e n\u00f3s estamos a\u00ed, descobriram nos servi\u00e7os sociais um campo alargado de interven\u00e7\u00e3o com proveitos pol\u00edticos. Assim, foram-se n\u00e3o apenas criando problemas \u00e0s institui\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes, atrav\u00e9s de restri\u00e7\u00f5es unilaterais, como tamb\u00e9m, o mesmo Estado se foi tornando detentor de organiza\u00e7\u00f5es sociais, paralelas e concorrentes. Negociam-se os acordos e os apoios, mais que justos e obrigat\u00f3rios, sempre com tend\u00eancia a diminuir encargos p\u00fablicos e gasta-se do er\u00e1rio p\u00fablico com as institui\u00e7\u00f5es oficias, tr\u00eas ou quatro vezes mais do que aquilo se d\u00e1 \u00e0s institui\u00e7\u00f5es particulares de sempre. Quem tem o dinheiro tem o poder e a decis\u00e3o e, assim, as rela\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e a cidadania na igualdade se tornam uma fantasia e se vai destruindo a sociedade civil e seus valores. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, quando chegam as afli\u00e7\u00f5es, ante os problemas mal resolvidos ou resolvidos unilateralmente, fica bem claro a quem se pode recorrer. Haja em vista o imbr\u00f3glio surgido com as escolas do primeiro ciclo no alargamento de hor\u00e1rio e o recurso, num terceiro lugar, mais do que sintom\u00e1tico, mas que acaba por ser talvez o \u00fanico poss\u00edvel, aos ATL das institui\u00e7\u00f5es particulares. Estes que aceitem as crian\u00e7as antes das 8,30 e depois das 17,30\u2026Como se este fosse o \u00fanico problema criado com os pais a verem\u2026<\/p>\n<p>Todas as tend\u00eancias e solu\u00e7\u00f5es estatizantes s\u00e3o empobrecedoras da sociedade e suas iniciativas. Pelo meio, ficam equipamentos valid\u00edssimos sub- aproveitados e gente v\u00e1lida e experimentada lan\u00e7ada para o desemprego. <\/p>\n<p>Governar bem n\u00e3o \u00e9 apenas ter imagina\u00e7\u00e3o e teimosia. \u00c9 necess\u00e1rio ouvir quem est\u00e1 no processo, confrontar ideias e opini\u00f5es, ver as consequ\u00eancias e as melhores solu\u00e7\u00f5es. \u00c9 preciso respeito por quem trabalha e realiza obra, cujo valor ningu\u00e9m contesta, a n\u00e3o ser os governantes unidimensionais. <\/p>\n<p>Mais estado, mais dinheiro mal gasto, mais sociedade empobrecida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No passado m\u00eas de Abril, a Comiss\u00e3o Europeia apresentou uma Comunica\u00e7\u00e3o relativa aos servi\u00e7os sociais de interesse geral, na qual s\u00e3o feitas considera\u00e7\u00f5es do maior interesse, de que n\u00e3o senti qualquer eco no nosso pa\u00eds. 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