{"id":7679,"date":"2006-07-27T14:49:00","date_gmt":"2006-07-27T14:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7679"},"modified":"2006-07-27T14:49:00","modified_gmt":"2006-07-27T14:49:00","slug":"migracoes-humanas-sinal-de-tempos-novos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/migracoes-humanas-sinal-de-tempos-novos\/","title":{"rendered":"Migra\u00e7\u00f5es Humanas: Sinal de Tempos Novos"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem de Bento XVI <!--more--> Esta mensagem, escrita para o 92\u00ba Dia Mundial do Migrante e do Refugiado (15-01-2006), ser\u00e1 o tema de fundo da 34\u00aa Semana Nacional de Migra\u00e7\u00f5es, promovida pela Igreja em todo o pa\u00eds para a semana de 6 a 13 de Agosto de 2006.<\/p>\n<p>H\u00e1 quarenta anos concluiu-se o Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II, cujo rico ensinamento abra\u00e7a muitos campos da vida eclesial. Em particular, a Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral \u201cGaudium et Spes\u201d desenvolveu uma an\u00e1lise atenta sobre a complexa realidade do mundo contempor\u00e2neo, procurando os caminhos oportunos para levar aos homens de hoje a mensagem evang\u00e9lica. <\/p>\n<p>Para esta finalidade, aceitando o convite do beato Jo\u00e3o XXIII, os Padres conciliares comprometeram-se a perscrutar os sinais dos tempos interpretando-os \u00e0 luz do Evangelho, para oferecer \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es a possibilidade de responder de maneira adequada aos interrogativos perenes acerca do sentido da vida presente e futura e da justa orienta\u00e7\u00e3o dos relacionamentos sociais (cf. Gaudium et Spes, 4). <\/p>\n<p>Fen\u00f3meno estrutural <\/p>\n<p>com diferentes componentes<\/p>\n<p>Entre os \u201csinais dos tempos\u201d hoje reconhec\u00edveis, devem certamente incluir-se as migra\u00e7\u00f5es, um fen\u00f3meno que assumiu no decurso do s\u00e9culo que h\u00e1 pouco se concluiu uma configura\u00e7\u00e3o, por assim dizer, estrutural, tornando-se uma caracter\u00edstica importante do mercado do trabalho a n\u00edvel mundial, como consequ\u00eancia, entre outras coisas, do poderoso est\u00edmulo exercido pela globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Naturalmente, neste \u201csinal dos tempos\u201d confluem diferentes componentes. De facto, ele inclui as migra\u00e7\u00f5es quer internas quer internacionais, as for\u00e7adas e as volunt\u00e1rias, as legais e as irregulares, sujeitas tamb\u00e9m \u00e0 chaga do tr\u00e1fico de seres humanos. Tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser esquecida a categoria dos estudantes estrangeiros, cujo n\u00famero aumenta todos os anos no mundo. <\/p>\n<p>Mulher entre emancipa\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>e vulnerabilidade<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos que emigram por motivos econ\u00f3micos, merece ser real\u00e7ado o recente facto da \u201cfeminiza\u00e7\u00e3o\u201d do fen\u00f3meno, isto \u00e9, da crescente presen\u00e7a nele do componente feminino. De facto, no passado, eram sobretudo os homens que emigravam, mesmo se as mulheres nunca faltaram; contudo, elas movem-se principalmente para acompanhar os respectivos maridos ou pais ou para se reunir onde eles j\u00e1 se encontram. <\/p>\n<p>Hoje, mesmo sendo numerosas as situa\u00e7\u00f5es desse g\u00e9nero, a emigra\u00e7\u00e3o feminina tende a tornar-se cada vez mais aut\u00f3noma: a mulher atravessa sozinha as fronteiras da p\u00e1tria, \u00e0 procura de um emprego no Pa\u00eds de destino. Ali\u00e1s, n\u00e3o raramente a mulher migrante tornou-se a fonte principal de rendimento para a pr\u00f3pria fam\u00edlia. A presen\u00e7a feminina regista-se, de facto, prevalentemente nos sectores que oferecem baixos sal\u00e1rios. Portanto, se os trabalhadores migrantes s\u00e3o particularmente vulner\u00e1veis, entre eles as mulheres s\u00e3o-no ainda mais.<\/p>\n<p>Os \u00e2mbitos de emprego mais frequentes, para as mulheres, s\u00e3o constitu\u00eddos, al\u00e9m do trabalho dom\u00e9stico, pela assist\u00eancia aos idosos, pelo cuidado das pessoas doentes, pelos servi\u00e7os relacionados com o \u00e2mbito hoteleiro. Eles constituem igual n\u00famero de campos nos quais os crist\u00e3os est\u00e3o chamados a dar provas do seu compromisso para o justo tratamento da mulher migrante, pelo respeito da sua feminilidade, e reconhecimento dos seus direitos iguais. <\/p>\n<p>Libertar condenando o tr\u00e1fico<\/p>\n<p>e escravid\u00e3o de pessoas<\/p>\n<p>\u00c9 imperativo mencionar, neste contexto, o tr\u00e1fico de seres humanos e sobretudo de mulheres, que prospera onde as oportunidades de melhorar a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de vida, ou simplesmente de sobreviver, s\u00e3o escassas. Torna-se f\u00e1cil para o traficante oferecer os pr\u00f3prios \u201cservi\u00e7os\u201d \u00e0s v\u00edtimas, que muitas vezes n\u00e3o suspeitam minimamente o que dever\u00e3o enfrentar. Em alguns casos, h\u00e1 mulheres e jovens que s\u00e3o destinadas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o no trabalho, quase como escravas, e n\u00e3o raramente tamb\u00e9m na ind\u00fastria do sexo.<\/p>\n<p>Mesmo n\u00e3o podendo aprofundar aqui a an\u00e1lise das consequ\u00eancias de tal migra\u00e7\u00e3o, fa\u00e7o minha a condena\u00e7\u00e3o j\u00e1 expressa por Jo\u00e3o Paulo II contra \u201ca difundida cultura hedonista e mercantil que promove a explora\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da sexualidade\u201d (Carta \u00e0s mulheres, 29 de Junho de 1995, n. 5). Existe um inteiro programa de reden\u00e7\u00e3o e de liberta\u00e7\u00e3o, ao qual os crist\u00e3os n\u00e3o se podem subtrair. <\/p>\n<p>Conhecer as causas <\/p>\n<p>que produzem milhares <\/p>\n<p>de refugiados<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0 outra categoria de migrantes, a dos que pedem asilo e dos refugiados, gostaria de real\u00e7ar como em geral nos detemos sobre o problema constitu\u00eddo pela sua entrada e n\u00e3o nos interrogamos tamb\u00e9m sobre as raz\u00f5es da sua fuga do Pa\u00eds de origem. A Igreja olha para todo este mundo de sofrimento e de viol\u00eancia com os olhos de Jesus, que se comovia diante do espect\u00e1culo das multid\u00f5es errantes como ovelhas sem pastor (cf. Mt 9, 36). <\/p>\n<p>Esperan\u00e7a, coragem, amor e tamb\u00e9m \u201cfantasia da caridade\u201d (Carta Apost. Novo Millennio Ineunte, 50) devem inspirar o compromisso necess\u00e1rio, humano e crist\u00e3o, em socorro destes irm\u00e3os e irm\u00e3s nos seus sofrimentos. <\/p>\n<p>O enriquecimento espiritual<\/p>\n<p>dos estudantes a garantir<\/p>\n<p>As suas Igrejas de origem n\u00e3o deixar\u00e3o de mostrar a sua solicitude com o envio de assistentes da mesma l\u00edngua e cultura, em di\u00e1logo de caridade com as Igrejas particulares de acolhimento. \u00c0 luz dos \u201csinais dos tempos\u201d de hoje, merece por fim uma aten\u00e7\u00e3o particular o fen\u00f3meno dos estudantes estrangeiros. O seu n\u00famero, gra\u00e7as tamb\u00e9m aos \u201cinterc\u00e2mbios\u201d entre as v\u00e1rias universidades, especialmente na Europa, regista um crescimento constante, com consequentes problemas tamb\u00e9m pastorais que a Igreja n\u00e3o pode deixar de atender. Isto \u00e9 v\u00e1lido de modo especial para os estudantes provenientes dos Pa\u00edses em vias de desenvolvimento, para os quais a experi\u00eancia universit\u00e1ria pode constituir uma ocasi\u00e3o extraordin\u00e1ria de enriquecimento espiritual. <\/p>\n<p>Ao invocar a assist\u00eancia divina sobre quantos, movidos pelo desejo de contribuir para a promo\u00e7\u00e3o de um futuro de justi\u00e7a e de paz no mundo, empregam as suas energias no campo da pastoral ao servi\u00e7o da mobilidade humana, a todos envio, como penhor de afecto, uma especial B\u00ean\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica. <\/p>\n<p>Vaticano, 18 de Outubro de 2005.<\/p>\n<p>Benedictus PP. XVI<\/p>\n<p>* os subt\u00edtulos da mensagem s\u00e3o da responsabilidade da Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem de Bento XVI<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-7679","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-actualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7679","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7679"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7679\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}