{"id":7689,"date":"2006-07-27T15:22:00","date_gmt":"2006-07-27T15:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7689"},"modified":"2006-07-27T15:22:00","modified_gmt":"2006-07-27T15:22:00","slug":"quando-tudo-parece-a-arder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/quando-tudo-parece-a-arder\/","title":{"rendered":"Quando tudo parece a arder"},"content":{"rendered":"<p>A humanidade vive de euforias e sobressaltos. Num misto de realidade e fic\u00e7\u00e3o, com alguns dados do passado e todas as d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o ao futuro. Mais escancarado que nunca o buraco do ozono, com os raios ultravioleta quase a fecharem as pessoas em casa no braseiro do Ver\u00e3o, as temperaturas a ro\u00e7arem os extremos suport\u00e1veis, os fogos a esgotarem os bombeiros e a inquietarem, com not\u00edcias, f\u00e9rias merecidas, os conflitos sem darem sinais de arrefecimento para os lados da Coreia do Norte, e agora em nova cena do M\u00e9dio Oriente &#8211; para al\u00e9m de outros focos atenuados pela dist\u00e2ncia. Os pre\u00e2mbulos da guerra parecem, agora, montados para um alastramento n\u00e3o apenas das escaramu\u00e7as entre tanques e pedras, mas com dois ex\u00e9rcitos frente a frente, incendiadas as fronteiras e enfurecidos os vizinhos e aliados. Em dado momento, tudo parece conjugar-se para um fogo real ateado por um vulc\u00e3o \u2013 o da viol\u00eancia &#8211; que sempre esteve em actividade na cratera da hist\u00f3ria, mas que varia de intensidade pelas formas de energia que utiliza. Entretanto, a justa exalta\u00e7\u00e3o de todo o progresso cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico que permite o prolongamento da vida humana, as viagens planet\u00e1rias, os meios de comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o com uma intelig\u00eancia natural a artificial mais surpreendente que nunca. Mas tudo isso morre na praia, nas areias dos velhos absurdos da guerra e da viol\u00eancia. Assim \u00e9 desde a noite dos tempos. E algum desalento se apodera dos profetas como que a confirmar que \u201c n\u00e3o h\u00e1 nada a fazer, o homem n\u00e3o tem rem\u00e9dio e a natureza parece que tamb\u00e9m n\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Restam apenas alguns p\u00f3s de esperan\u00e7a para n\u00e3o alinharmos com os banais clamores dos fatalistas desiludidos? Talvez n\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 negando a hist\u00f3ria e os factos que abrimos caminho para o futuro. Mas \u00e9 precisamente no enquadramento e na medi\u00e7\u00e3o exacta dos acontecimentos que ultrapassamos os aparentes bloqueios de cada momento. Se tudo parece a arder, ser\u00e1 na frieza do nosso olhar que iremos descortinar a realidade que pertence a cada tempo. N\u00e3o sabemos se daqui a duas semanas narramos os factos da mesma forma. Vamos descobrindo que a nossa emo\u00e7\u00e3o precipita ju\u00edzos sobre acontecimentos incompletos e ajust\u00e1veis ao complexo c\u00f3smico e humano. Aqui, sim, vamos ter ao oceano de Deus que ultrapassa o nosso olhar, os nossos espa\u00e7os, as nossas medidas e as nossas contas. Por isso a f\u00e9 tamb\u00e9m se pode definir como o \u00e2ngulo do olhar de Deus num sentir homog\u00e9neo sobre todos os tempos e todos os seres. N\u00e3o passamos, afinal, duma \u00ednfima \u2013 apesar de infinita &#8211; parcela desse todo.<\/p>\n<p>Nem por isso \u00e9 menor a nossa responsabilidade ou maior a nossa desculpa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A humanidade vive de euforias e sobressaltos. Num misto de realidade e fic\u00e7\u00e3o, com alguns dados do passado e todas as d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o ao futuro. 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