{"id":7692,"date":"2006-07-27T15:26:00","date_gmt":"2006-07-27T15:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7692"},"modified":"2006-07-27T15:26:00","modified_gmt":"2006-07-27T15:26:00","slug":"poder-autarquico-e-vicios-politicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/poder-autarquico-e-vicios-politicos\/","title":{"rendered":"Poder aut\u00e1rquico e v\u00edcios pol\u00edticos"},"content":{"rendered":"<p>Toda a gente sabe que o poder pol\u00edtico \u00e9 ambicioso, pragm\u00e1tico e fr\u00e1gil. Por vezes, sect\u00e1rio, o que leva a exigir especial aten\u00e7\u00e3o. Tem estrat\u00e9gias pr\u00f3prias, sem as quais pouco poder\u00e1 fazer, mas \u00e9 sempre complexo e misterioso o poder, seja central ou local. <\/p>\n<p>Por vezes, o enredo e a \u00e2nsia di\u00e1ria n\u00e3o deixam ver, com liberdade e independ\u00eancia, as pessoas, os grupos e as comunidades, os direitos e os deveres, pr\u00f3prios e alheios, bem como as necessidades mais objectivas e concretas. Entra-se, ent\u00e3o, num campo preocupante e perigoso, porque a procura do bem comum, dever primeiro de quem governa, pode ficar subalternizada a outros caminhos e projectos, mais vistosos, porventura, mas menos respeitadores de todos e menos construtivos.<\/p>\n<p>Na preocupa\u00e7\u00e3o de descentrar o poder, v\u00e3o-se atirando para as autarquias muitas actividades diversas, sem que se tenha em considera\u00e7\u00e3o a fragilidade de muitas delas, a pouca prepara\u00e7\u00e3o dos seus respons\u00e1veis para algumas destas actividades, a car\u00eancia de meios financeiros e n\u00e3o s\u00f3, as tens\u00f5es politicas locais, quase sempre acirradas e paralisadoras, a tenta\u00e7\u00e3o de favores partid\u00e1rios e a conquista de influ\u00eancias. <\/p>\n<p>O poder central, como anda muitas vezes, tamb\u00e9m ele, por iguais caminhos, parece n\u00e3o se esfor\u00e7ar muito para evitar estes escolhos e decide, sem mais, dando a impress\u00e3o de cegueira ou de aprecia\u00e7\u00e3o unilateral. Dar encargos sem dar meios ou sem considerar a realidade do poder local com as suas normais limita\u00e7\u00f5es, o seu pendor partid\u00e1rio, nem sempre da mesma cor pol\u00edtica do poder central, o que mais fragiliza as suas promessas e projectos, \u00e9 muitas vezes iludir as pessoas e as comunidades.<\/p>\n<p>Concordamos com a descentraliza\u00e7\u00e3o do poder, a proximidade dos problemas para melhor os avaliar, a possibilidade de integra\u00e7\u00e3o activa nos processos por parte daqueles que est\u00e3o mais perto da realidade. Mas preocupa  que, de repente, se tenham atirado para as autarquias, poderes e encargos em campos complexos, como a educa\u00e7\u00e3o e a seguran\u00e7a social. As cartas sociais e educativas podem ser meios \u00fateis para solu\u00e7\u00f5es complementares v\u00e1lidas, n\u00e3o campo para arbitrariedades, estrat\u00e9gias partid\u00e1rias e conquista de apoios pol\u00edticos, apagamento de quem faz e constru\u00e7\u00e3o de um pedestal para quem se pretende promover. H\u00e1 coisas em que, para os governantes de topo, pouco ou nada contam as autarquias, a sua luta e a sensibilidade aos problemas que lhes s\u00e3o pr\u00f3ximos. Outras, em que eles ficam a assobiar e a olhar para o lado, logo que as passam para o poder local, por vezes torpedeado pela oposi\u00e7\u00e3o e a m\u00e3os com problemas graves que herdou e o obrigam a uma dedica\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n<p>Lamentavelmente, pelo menos assim penso, o poder local est\u00e1 ainda muito partidarizado. A necessidade de congregar esfor\u00e7os, aproximar pessoas, tomar a s\u00e9rio os problemas reais, devia contar mais com a participa\u00e7\u00e3o de quem tem a profiss\u00e3o de servir o povo, do que com a submiss\u00e3o partid\u00e1ria. Os mesmos problemas s\u00e3o considerados de modo diferente, quando se est\u00e1 no poder ou na oposi\u00e7\u00e3o, e o que se defende num dia ataca-se noutro, paralisando solu\u00e7\u00f5es urgentes, pouco mais que por chicana e capricho.<\/p>\n<p>Ao discutir os problemas e ao procurar solu\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se pode participar, apenas para acolher decis\u00f5es tomadas por alguns, sem dar lugar ao di\u00e1logo com aqueles que, de h\u00e1 muito, levam consigo o \u00f3nus e a honra do que se fez e se est\u00e1 fazendo. A mania de que cada um que chega ao poder deve come\u00e7ar tudo de novo, \u00e9 o que explica tantas coisas paradas e tantas outras, malevolamente, menosprezadas e destru\u00eddas.<\/p>\n<p>Outra tenta\u00e7\u00e3o que vem de cima e chega \u00e0s bases \u00e9 o trabalho de sapa do poder para colocar gente do partido nas institui\u00e7\u00f5es, sejam elas p\u00fablicas ou privadas e at\u00e9 da \u00f3rbita can\u00f3nica. Manobra nada louv\u00e1vel, nada respeitadora das institui\u00e7\u00f5es, a denunciar pouca confian\u00e7a e seguran\u00e7a por esta tenta\u00e7\u00e3o de influ\u00eancia. S\u00f3 que, gato roubado, rabo de fora\u2026 O poder local \u00e9 um valor que \u00e9 preciso preservar e qualificar. N\u00e3o \u00e9 um campo de manobras e de interesses, sejam particulares ou partid\u00e1rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toda a gente sabe que o poder pol\u00edtico \u00e9 ambicioso, pragm\u00e1tico e fr\u00e1gil. 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