{"id":7746,"date":"2006-08-30T17:15:00","date_gmt":"2006-08-30T17:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7746"},"modified":"2006-08-30T17:15:00","modified_gmt":"2006-08-30T17:15:00","slug":"educar-ainda-e-possivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/educar-ainda-e-possivel\/","title":{"rendered":"Educar ainda \u00e9 poss\u00edvel?"},"content":{"rendered":"<p>Um novo ano escolar come\u00e7a com o bul\u00edcio de milhares de alunos, a perplexidade e a desilus\u00e3o de muitos professores, a preocupa\u00e7\u00e3o e a meia indiferen\u00e7a de muitos pais, as interroga\u00e7\u00f5es de gente atenta aos problemas do pa\u00eds, mormente aos da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m que de h\u00e1 muito me habituei a ler, porque sei que fala do que sabe, do que pensa, do que o preocupa, e \u00e9 perito nestes assuntos, escrevia h\u00e1 pouco: \u201cA figura do educador n\u00e3o existe, porque desapareceu tamb\u00e9m a figura pessoal do educando, reduzido a aprendiz de saberes positivos, de conte\u00fados objectiv\u00e1veis e de t\u00e9cnicas que o preparam para uma profiss\u00e3o de futuro\u201d. A ser assim, onde est\u00e1 a forma\u00e7\u00e3o para que um aluno possa existir e afirmar-se como pessoa?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil verificar que, em tais condi\u00e7\u00f5es, ningu\u00e9m perde tempo a compreender-se e a assumir-se como formador ou educador, preferindo recolher-se no seu mundo pr\u00f3prio e reduzir-se \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de simples t\u00e9cnico de um saber. Esta desilus\u00e3o, mais ou menos generalizada, dos professores pode dizer-se que \u00e9 o sintoma mais grave da crise moral de um pa\u00eds. Uma desilus\u00e3o que n\u00e3o tem apenas por detr\u00e1s raz\u00f5es profissionais, por pesadas que sejam, mas, dado o papel da escola, a consci\u00eancia de uma miss\u00e3o social fundamental que n\u00e3o se pode realizar de modo normal, tantos s\u00e3o os entraves de dentro e de fora e as mil dificuldades di\u00e1rias que encontra quem deseja fazer, com compet\u00eancia e seriedade, algo que seja consequente e positivo na vida dos educandos.<\/p>\n<p>H\u00e1 nisto tudo um problema velho que se agravou, de que n\u00e3o se fala e que continua a criar dificuldades em ordem \u00e0 educa\u00e7\u00e3o escolar. N\u00e3o \u00e9 apenas problema nosso, porque outros pa\u00edses o sentem e j\u00e1 sofrem por n\u00e3o se ter resolvido. Em anos de democracia pac\u00edfica, em que muita gente determinante se p\u00f4s de acordo sobre coisas importantes da vida nacional, n\u00e3o se encontrou ainda um consenso em mat\u00e9ria educativa. O que \u00e9 educar e quais os melhores modelos educativos? Qual o lugar dos pais e do Estado em t\u00e3o importante tarefa? Quem mant\u00e9m como b\u00e1sico o princ\u00edpio da igualdade na educa\u00e7\u00e3o e o da personaliza\u00e7\u00e3o? Quem defende uma educa\u00e7\u00e3o centrada na pessoa e ao servi\u00e7o da sua realiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com tudo o que isto significa? Como se situa a escola nisto tudo? <\/p>\n<p>Os que defendem um ensino igual para todos e consideram a sociedade o lugar fundamental para esta tarefa, n\u00e3o chegam a entender-se por raz\u00f5es antropol\u00f3gicas, fundamentadas em diversos conceitos de humanismo, pol\u00edtico-partid\u00e1rias, eivadas de preconceitos religiosos e sociais, raz\u00f5es ideol\u00f3gicas, mutiladoras da pessoa, da democracia e de uma sociedade de pessoas livres e, por isso mesmo, do futuro. Tamb\u00e9m chegou c\u00e1, com cheiros de actualidade, o slogan da \u201cescola \u00fanica, p\u00fablica e laica\u201d. Um retrocesso de s\u00e9culos, que nega o presente e fecha as portas ao futuro.<\/p>\n<p>Detr\u00e1s das palavras existe uma concep\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, uma vis\u00e3o antropol\u00f3gica, um projecto de sociedade, uma pol\u00edtica e um modelo educativo, que impedem uma educa\u00e7\u00e3o para este s\u00e9culo. A educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode deixar de assentar em valores morais e \u00e9ticos, os \u00fanicos que estruturam interiormente pessoas livres e respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>Quem tem coragem e poder para fazer repensar aspectos essenciais da educa\u00e7\u00e3o? O ano escolar que come\u00e7a tem muitos problemas e escolhos, uns f\u00e1ceis de aplanar e de  remover, outros n\u00e3o tanto, porque se cruzam os interesses, em vez de se somarem os esfor\u00e7os. As preocupa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas cifram-se agora em arrumar a casa, n\u00e3o se apercebendo, ou n\u00e3o querendo aperceber-se, de que o alicerce desta n\u00e3o tem consist\u00eancia e os seus muros est\u00e3o a ruir. Todos podemos ver que assim \u00e9.<\/p>\n<p>Educar n\u00e3o \u00e9 o mesmo que distribuir computadores a torto e a direito ou calar os professores. Por\u00e9m, o Minist\u00e9rio chama-se da Educa\u00e7\u00e3o. De qual? H\u00e1 que diz\u00ea-lo, para que nos comecemos a entender, a dar sentido \u00e0 escola e esperan\u00e7a ao pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo ano escolar come\u00e7a com o bul\u00edcio de milhares de alunos, a perplexidade e a desilus\u00e3o de muitos professores, a preocupa\u00e7\u00e3o e a meia indiferen\u00e7a de muitos pais, as interroga\u00e7\u00f5es de gente atenta aos problemas do pa\u00eds, mormente aos da educa\u00e7\u00e3o. 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