{"id":7790,"date":"2006-09-06T16:41:00","date_gmt":"2006-09-06T16:41:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7790"},"modified":"2006-09-06T16:41:00","modified_gmt":"2006-09-06T16:41:00","slug":"assaltos-a-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/assaltos-a-igreja\/","title":{"rendered":"Assaltos \u00e0 Igreja"},"content":{"rendered":"<p>Em cima da linha <!--more--> A Igreja cat\u00f3lica \u00e9, frequentemente, acusada de possuir grandes riquezas. \u201cDevia desfazer-se dessas riquezas em benef\u00edcio dos pobres e dos que passam fome. Resolver-se-iam problemas vitais da humanidade.\u201d Assim o pensam, assim o dizem alguns!<\/p>\n<p>Na verdade, a Igreja conservou e preservou ao longo dos s\u00e9culos um valioso patrim\u00f3nio do qual se pode orgulhar toda a humanidade. Se n\u00e3o fosse a Igreja e os seus valores art\u00edsticos, o mundo estaria realmente mais pobre. Por isso, h\u00e1 hoje uma preocupa\u00e7\u00e3o muito grande em cuidar e preservar os patrim\u00f3nios restantes, depois de sucessivos \u201craptim\u00f3nios\u201d &#8211; s\u00f3 muda a posi\u00e7\u00e3o das letras &#8211; levados a cabo quer pelos Estados, quer por muitos particulares oportunistas.<\/p>\n<p>As igrejas, quase todas, t\u00eam riquezas patrimoniais, ainda que, na generalidade, n\u00e3o tenham riquezas activas. Isso v\u00ea-se claramente quando lan\u00e7amos o nosso olhar sobre o estado de conserva\u00e7\u00e3o dos seus edif\u00edcios. \u00c9 claro que nem por sonhos queremos perder as riquezas do passado, antes cuidamos da sua preserva\u00e7\u00e3o, ora mantendo as igrejas fechadas ao p\u00fablico, ora utilizando os processos novos de seguran\u00e7a e vigil\u00e2ncia permanentes, ora atrav\u00e9s de inventaria\u00e7\u00f5es adequadas. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, ainda que este tema pudesse ter um outro desenvolvimento eu quero partir para outra perspectiva. <\/p>\n<p>Na verdade, a Igreja t\u00eam algumas riquezas, mas, muito para al\u00e9m delas e sem elas, importa ter em conta que a Igreja \u00e9 uma riqueza!<\/p>\n<p>\u00c9 uma riqueza de valores, de projectos, de pessoas, de desafios, de supera\u00e7\u00e3o, de vit\u00f3rias. \u00c9 uma riqueza hist\u00f3rica de vidas alimentadas por ideais superiores e por realiza\u00e7\u00f5es salv\u00edficas em todas as gera\u00e7\u00f5es, apesar de nem sempre serem acolhidas como riqueza e nem reconhecidas como vit\u00f3rias.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m h\u00e1 gente que nos quer roubar esta riqueza que, sendo um patrim\u00f3nio espiritual, \u00e9, sem d\u00favida, uma energia transformadora: Sal da terra e luz do mundo!<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 por aqui que eu quero ir.<\/p>\n<p>N\u00f3s, os crist\u00e3os cat\u00f3licos, somos uma maioria de baptizados, n\u00e3o muito convictos, incapazes e descrentes para enfrentar novos desafios, fechados e agarrados a uma f\u00e9 pouco esclarecida e, sobretudo, pouco aberta \u00e0 renova\u00e7\u00e3o. Pouco conscientes das riquezas da nossa f\u00e9, geramos superficialidade, desinteresse e abandono. Possu\u00eddos, os sobreviventes, do medo de perder o que, se calhar, j\u00e1 est\u00e1 perdido, permitimos verdadeiros assaltos \u00e0 riqueza da Igreja. <\/p>\n<p>H\u00e1 algum tempo atr\u00e1s, algu\u00e9m me dizia que a Igreja est\u00e1 \u201carrumada\u201d, que a igreja s\u00f3 serve para alimentar as beatas, que a Igreja est\u00e1 cheia de analfabetos, ignorantes e gente sem capacidade intelectual. Respondi que a Igreja \u00e9 somente para todos aqueles que a querem. Quem a n\u00e3o quer que a deixe. Se uma institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o serve os meus objectivos&#8230; Mas a conversa seguiu. Perguntei ent\u00e3o \u00e0 minha interlocutora se era casada, tendo ela respondido que n\u00e3o. Avancei. E quando casares&#8230;?<\/p>\n<p>N\u00e3o acabei a frase porque a resposta veio como um furac\u00e3o: &#8211; \u201cClaro que vou casar na igreja ou algu\u00e9m me pro\u00edbe. Sou cat\u00f3lica!\u201d &#8211; Apost\u00f3lica, romana, acrescentei eu!<\/p>\n<p>Noutra circunst\u00e2ncia, era um pedido de inscri\u00e7\u00e3o para o baptismo, e ainda antes de eu dizer o que quer que fosse, logo, \u00e0 queima-roupa, me foi disparado este tiro: &#8211; \u201cOlhe que eu n\u00e3o ando na igreja a bater com a m\u00e3o no peito, e depois, \u2026 s\u00e3o os piores!\u201d Disparou mais uns quantos tiros de p\u00f3lvora j\u00e1 queimada, para, em seguida, sem me deixar falar, rematar: &#8211; \u201cMas baptiza o meu filho ou n\u00e3o?\u201d <\/p>\n<p>Secamente, mas muito calmo, respondi: &#8211; \u201cQuer ent\u00e3o que o seu filho entre no rol dos piores? Mau gosto!\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que ela bate! Situa\u00e7\u00f5es destas s\u00e3o aut\u00eanticos roubos feitos \u00e0 Igreja! Assaltos \u00e0 maior e mais valiosa riqueza da Igreja: proporcionar esta riqueza a quem n\u00e3o a aprecia ou mesmo a quem, claramente, a rejeita, significa \u201cdar p\u00e9rolas a porcos\u201d ou entregar o ouro ao bandido. <\/p>\n<p>Quantos baptismos, comunh\u00f5es, crismas, casamentos, confiss\u00f5es se fazem sem qualquer prepara\u00e7\u00e3o, sem convic\u00e7\u00e3o religiosa, at\u00e9 mesmo sem f\u00e9, apenas porque se pretende atingir determinado objectivo iludindo-se a si pr\u00f3prios e aos outros!<\/p>\n<p>E tudo isto com a complac\u00eancia de muitos daqueles que, tendo a miss\u00e3o prof\u00e9tica de promover, guardar e vigiar pela seguran\u00e7a da f\u00e9 e da doutrina, preferem dar uma simp\u00e1tica e doce colher de mel, em vez de criar condi\u00e7\u00f5es que permitam encontrar caminhos de crescimento e responsabiliza\u00e7\u00e3o. Digam-me, e concordo, que com vinagre n\u00e3o se apanham moscas; mas valer\u00e1 a pena investir, quando h\u00e1 sinais not\u00f3rios de falta de f\u00e9 e de seriedade?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em cima da linha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-7790","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7790","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7790"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7790\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7790"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7790"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7790"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}