{"id":7801,"date":"2006-09-06T17:27:00","date_gmt":"2006-09-06T17:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7801"},"modified":"2006-09-06T17:27:00","modified_gmt":"2006-09-06T17:27:00","slug":"etica-das-ferias-dou-ferias-da-etica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/etica-das-ferias-dou-ferias-da-etica\/","title":{"rendered":"\u00c9tica das f\u00e9rias dou f\u00e9rias da \u00e9tica?"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 necess\u00e1rio garantir o respeito de hor\u00e1rios humanos de trabalho e de repouso.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Paulo II, in \u201cCentesimus Annus\u201d<\/p>\n<p>As f\u00e9rias est\u00e3o no fim. O Ver\u00e3o vai deixar-nos. Para mim, ainda bem que n\u00e3o gosto do calor em perman\u00eancia e prefiro as sombras outonais.<\/p>\n<p>\u00c9 tempo de recome\u00e7o. Do trabalho, das canseiras, da escola, das filas para tudo e para nada e tamb\u00e9m dos sonhos a dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O pa\u00eds acorda da anestesia, este ano aplicada em doses m\u00faltiplas, a come\u00e7ar no Mundial de futebol, com toda a sua parafern\u00e1lia de jogos, coment\u00e1rios, futilidades e vaidades e a acabar com o chamado \u201ccaso Mateus\u201d. No meio, fogos e fogos, guerra e guerra e um Governo escondido.<\/p>\n<p>Mas porque ainda de f\u00e9rias se fala, permito-me fazer algumas considera\u00e7\u00f5es \u00e0 sua volta.<\/p>\n<p>Para haver \u00e9tica nas f\u00e9rias \u00e9 necess\u00e1rio haver as ditas f\u00e9rias e a \u00e9tica n\u00e3o estar em f\u00e9rias. Ali\u00e1s, n\u00e3o haver f\u00e9rias \u00e9, j\u00e1 de si, um atentado \u00e0 \u00e9tica. <\/p>\n<p>As f\u00e9rias, como o descanso semanal, cont\u00e9m em si o fundamento \u00e9tico da sua necessidade. O direito ao repouso faz parte da natureza da pessoa humana desde os prim\u00f3rdios da humanidade: \u201cConclu\u00edda no s\u00e9timo dia toda a obra que tinha feito, Deus repousou no s\u00e9timo dia do trabalho por Ele realizado. Aben\u00e7oou o s\u00e9timo dia e santificou-o\u201d (Gn.2,1-3).<\/p>\n<p>O descanso n\u00e3o \u00e9 um valor marginal em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho. O trabalho e o descanso contribuem, em altern\u00e2ncia, para a realiza\u00e7\u00e3o da pessoa. Separ\u00e1-los \u00e9, pois, um erro que se paga mais \u00e0 frente. Como est\u00e1 escrito, o trabalho \u00e9 para o homem, n\u00e3o o homem para o trabalho.<\/p>\n<p>As f\u00e9rias n\u00e3o s\u00e3o incompat\u00edveis com o c\u00f3digo \u00e9tico do trabalho. N\u00e3o o contradizem, n\u00e3o o menorizam, nem mesmo beliscam o profissionalismo, o sentimento do dever cumprido, a exemplaridade laboral, o pr\u00f3prio prazer no trabalho.<\/p>\n<p>Se ter trabalho \u00e9 um factor de esperan\u00e7a, ter tempo \u00e9 um factor de harmonia. <\/p>\n<p>As f\u00e9rias t\u00eam que ser exigidas e, ao mesmo tempo, merecidas, porque o direito ao repouso nasce da realiza\u00e7\u00e3o conjunta do direito ao trabalho e do dever de trabalhar.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, em certos grupos profissionais, at\u00e9 parece ser \u201cprofissionalmente correcto\u201d proclamar n\u00e3o se ter f\u00e9rias ou t\u00ea-las em vers\u00e3o reduzida, quanto mais n\u00e3o seja para gerar desconforto nos que assim n\u00e3o pensam. <\/p>\n<p>As f\u00e9rias, sendo uma oportunidade de recarga pessoal, s\u00e3o tamb\u00e9m um espa\u00e7o de reencontro familiar. Por isso, devem ser um tempo pela fam\u00edlia (e com a fam\u00edlia) e n\u00e3o um factor de desagrega\u00e7\u00e3o contra a fam\u00edlia. <\/p>\n<p>Por detr\u00e1s do trabalho de cada um, est\u00e1 uma fam\u00edlia \u00e0 espera!<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 trivial, em certos meios designadamente urbanos, encontrar uma oferta alargada de alternativas de tempos livres que ignoram ou prejudicam a convivialidade entre diferentes gera\u00e7\u00f5es. Vemos, cada vez mais, as f\u00e9rias estratificadas por idades: filhos temporariamente em f\u00e9rias de pais e pais temporariamente em f\u00e9rias de filhos&#8230;.<\/p>\n<p>Embora para certas mentes pretensamente iluminadas seja proscrito falar de moral e de valores, embora o relativismo grasse e caminhe para o \u201c\u00fanico absoluto\u201d de que tudo \u00e9 relativo, embora se confunda esse mesmo relativismo com a toler\u00e2ncia que \u00e9 o reconhecimento nos outros da liberdade de que desfrutamos, a \u00e9tica no \u00f3cio n\u00e3o pode ser outra do que a \u00e9tica no neg(\u00f3cio): austeridade e sobriedade como valores de exig\u00eancia contra a permissividade que nunca fez ningu\u00e9m feliz; autenticidade do ser com o estar e o fazer; simplicidade, car\u00e1cter e coer\u00eancia nas atitudes.<\/p>\n<p>E, j\u00e1 agora, n\u00e3o querendo \u201cconfessionalizar\u201d as f\u00e9rias, para os que cr\u00eaem&#8230; \u00e9 bom n\u00e3o porem a rela\u00e7\u00e3o com Deus em f\u00e9rias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 necess\u00e1rio garantir o respeito de hor\u00e1rios humanos de trabalho e de repouso. 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