{"id":7804,"date":"2006-09-06T17:34:00","date_gmt":"2006-09-06T17:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7804"},"modified":"2006-09-06T17:34:00","modified_gmt":"2006-09-06T17:34:00","slug":"favorecimento-livre-da-escravatura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/favorecimento-livre-da-escravatura\/","title":{"rendered":"Favorecimento livre da escravatura"},"content":{"rendered":"<p>Sens\u00edveis como tantos se mostram \u00e0s diversas formas de escravatura que proliferam no nosso mundo, \u00e9 estranho o sil\u00eancio da comunica\u00e7\u00e3o social, dos pol\u00edticos e dos fazedores de opini\u00e3o e, at\u00e9, do p\u00fablico em geral, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 publicidade, descarada e agressiva, da prostitui\u00e7\u00e3o feminina e, tamb\u00e9m j\u00e1, da masculina. Uns porque tiram da\u00ed proveitos significativos, outros porque temem enfrentar temas pol\u00e9micos e \u00e9 prefer\u00edvel meter a cabe\u00e7a na areia, ainda outros porque n\u00e3o se querem sujar a pensar nestes problemas que n\u00e3o favorecem um intelectualismo diletante e f\u00e1cil e as pessoas em geral ou porque j\u00e1 se resignaram ou por raz\u00f5es menos claras, que tamb\u00e9m as t\u00eam.<\/p>\n<p>J\u00e1 aqui escrevi sobre o tema, o denunciei de mil maneiras. Procurei mesmo lev\u00e1-lo a diversos respons\u00e1veis: donos dos jornais em causa disseram que deixariam de publicar, se todos os outros tamb\u00e9m deixassem (!); pol\u00edticos encolheram os ombros, disseram palavras sumidas de condena\u00e7\u00e3o e por a\u00ed se ficaram; gente que escreve e podia escrever sobre o tema, come\u00e7ou a filosofar sobre a situa\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>Em boa hora o Jornal da Bairrada (30.08.2006) trouxe o problema aos seus leitores, pegando por uma aspecto, qui\u00e7\u00e1 mais sens\u00edvel aos guardi\u00e3es da lei: \u201cOs \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o que anunciam mensagens com este tipo de conte\u00fado, pela linguagem obscena utilizada, incorrem em processo de contra-ordena\u00e7\u00e3o, a ser apreciado e sancionado pelo chamado Observat\u00f3rio da Publicidade.\u201d Fico \u00e0 espera da reac\u00e7\u00e3o deste novo \u00f3rg\u00e3o, para ver, com curiosidade, se ele toca afinado sobre um tema relevante e de repercuss\u00e3o social.<\/p>\n<p>Toda a gente sabe que a cadeia do neg\u00f3cio da prostitui\u00e7\u00e3o come\u00e7a longe e s\u00e3o muitos os que dele beneficiam. Como se sabem tamb\u00e9m as causas mais vis\u00edveis que provocam esta forma de escravatura a que, de modo l\u00edrico, muitos se v\u00e3o contentando em classificar como \u201ca mais antiga profiss\u00e3o do mundo\u201d. Com alguma persegui\u00e7\u00e3o policial aos mais beneficiados e desonestos donos e intervenientes na rede, as penas n\u00e3o s\u00e3o de fazer fugir, nem de dissuadir o neg\u00f3cio. E, dizendo-se j\u00e1 abolidas formas vergonhosas da escravatura hist\u00f3rica, sobre esta que deita na lama tantas mulheres, at\u00e9 se d\u00e1 cobertura, de mil maneiras, \u00e0 sua escandalosa e cada vez mais sofisticada publicidade. <\/p>\n<p>A Igreja tem sido, de h\u00e1 muito, um atento observat\u00f3rio desta mis\u00e9ria. Ela \u00e9, tamb\u00e9m, a m\u00e3o amiga estendida a quem quiser sair de vida t\u00e3o degradante. O Ninho e Congrega\u00e7\u00f5es Religiosas diversas fazem trabalho de rua ou de estrada, para contactar, ouvir, aconselhar, ajudar em casas pr\u00f3prias. Tamb\u00e9m aqui na Diocese, religiosas e leigos se empenham, de modo ben\u00e9volo, nesta tarefa humanizadora. Todos estes podem falar, como ningu\u00e9m, no ef\u00e9mero de um c\u00e9u que rende por um tempo, mas depressa se transforma num inferno que escraviza. Todos poderiam falar das mil hist\u00f3rias de vidas que traduzem desenganos, mentiras, necessidades dolorosas de sobreviv\u00eancia, expropria\u00e7\u00e3o infame e caminhos dif\u00edceis de reabilita\u00e7\u00e3o que levam muitas mulheres a situa\u00e7\u00f5es, humana e socialmente degradantes.<\/p>\n<p>O tema merece ser estudado e dado a conhecer com toda a sua crueza. Por enquanto, vejo mais a grande imprensa di\u00e1ria a beneficiar desta m\u00edsera realidade do que a tentar dar uma contributo de solu\u00e7\u00e3o ao problema. Mas vale a pena lutar, para que ao menos se veja quem \u00e9 pela dignifica\u00e7\u00e3o da pessoa ou pela sua escraviza\u00e7\u00e3o. Mesmo que n\u00e3o faltem mulheres que queiram esta vida e consumidores que delas se aproveitam.<\/p>\n<p>Valem bem pouco a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos e a t\u00e3o propalada defesa da igualdade. Quando as pessoas, por qualquer raz\u00e3o, se transformam em coisas a utilizar e deitar fora, est\u00e1 em curso a regress\u00e3o humana e social. Publicitada, aproveitada, justificada. Uma vergonha civilizacional em pleno s\u00e9culo XXI.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sens\u00edveis como tantos se mostram \u00e0s diversas formas de escravatura que proliferam no nosso mundo, \u00e9 estranho o sil\u00eancio da comunica\u00e7\u00e3o social, dos pol\u00edticos e dos fazedores de opini\u00e3o e, at\u00e9, do p\u00fablico em geral, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 publicidade, descarada e agressiva, da prostitui\u00e7\u00e3o feminina e, tamb\u00e9m j\u00e1, da masculina. Uns porque tiram da\u00ed proveitos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-7804","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7804","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7804"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7804\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7804"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7804"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7804"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}