{"id":7858,"date":"2006-09-13T16:57:00","date_gmt":"2006-09-13T16:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7858"},"modified":"2006-09-13T16:57:00","modified_gmt":"2006-09-13T16:57:00","slug":"quatro-espantosas-historias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/quatro-espantosas-historias\/","title":{"rendered":"Quatro espantosas hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p>1. Na porta do c\u00e9u &#8211; Quando o papa Jo\u00e3o Paulo II morreu, foi directo para o c\u00e9u. Bateu com for\u00e7a na porta e uma voz perguntou: \u201c- Quem \u00e9?\u201d<\/p>\n<p>\u201c- Sou Jo\u00e3o Paulo, o segundo\u201d.<\/p>\n<p>\u201c- Pois v\u00e1 embora, aqui n\u00e3o tem lugar para dois\u201d, disse a voz. E Jo\u00e3o Paulo, o segundo, foi mandado para o purgat\u00f3rio. Tempos depois, mais t\u00edmido, voltou ao c\u00e9u.<\/p>\n<p>\u201c- Quem \u00e9?\u201d, perguntou a voz. \u201c- Sou eu\u201d, respondeu Jo\u00e3o Paulo, \u201co papa\u201d.<\/p>\n<p>\u201c- Aqui n\u00e3o tem lugar para dois\u201d, repetiu a voz.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Paulo II voltou para ao Purgat\u00f3rio. Um dia (tudo muito r\u00e1-pido&#8230;), tornou a bater suavemente na porta do c\u00e9u.<\/p>\n<p>\u201c- Quem \u00e9?\u201d, perguntou a voz. \u201c- Um pedacinho de Deus\u201d, respondeu.<\/p>\n<p>E a porta do c\u00e9u se abriu (Lida e re-inventada, por mim, a partir do espantoso Paulo Coelho).<\/p>\n<p>2. O sapo cozido (ou o complexo do sapo) &#8211; Se voc\u00ea colocar um sapo numa panela com \u00e1gua a ferver, em ebuli\u00e7\u00e3o, a 100 graus, ele por certo reagir\u00e1 rapidamente e pular\u00e1 fora da panela.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, se voc\u00ea colocar o mesmo sapo numa panela com \u00e1gua fria e colocar essa panela no fogo, o sapo n\u00e3o pular\u00e1. Ficar\u00e1 quieto sentindo a \u00e1gua a aquecer, aquecer, aquecer, at\u00e9 que morrer\u00e1 cozido (Lida em Luiz Marins, que a recolheu nos livros de Peter Senge).<\/p>\n<p>3. Mentiroso ou honesto &#8211; Certo dia, um amigo honesto disse a um mentiroso amigo: \u201c- Eu estou mentindo\u201d. E acrescentou: \u201cSe a minha afirma\u00e7\u00e3o for falsa, isso quer dizer que n\u00e3o estou mentindo, o que contradiz a minha afirma\u00e7\u00e3o feita. Mas, se ela for ver-dadeira, ent\u00e3o a afirma\u00e7\u00e3o ser\u00e1 falsa \u2013 ao dizer que estava mentindo eu disse a verdade e logo n\u00e3o estava mentindo\u201d. O outro replicou: \u201c- A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 verdadeira se for falsa e falsa se for verdadeira! O que \u00e9 dito nega implicitamente o que se diz\u201d (Lida e adaptada, por mim, em \u201cAuto-engano\u201d \u2013 Eduardo Giannetti, pp.217-218, n.27).<\/p>\n<p>4. O pintor que n\u00e3o pintou o Tejo &#8211; Uma hist\u00f3ria breve (que asseguraram ser ver\u00eddica&#8230;): \u201cNos anos 40, Raoul Duffy veio a Portugal. Um dia, ao atravessar o Tejo num passeio de barco, gostou da paisagem, abriu a pasta e come\u00e7ou a pintar. Passado um tempo, um homem que observava o seu trabalho exclamou: \u201c- Isso \u00e9 uma porcaria! N\u00e3o \u00e9 assim o nosso Tejo!\u201d E agarrou nos pap\u00e9is de Duffy, amarfanhou-os e atirou-os \u00e0 \u00e1gua\u201d (Lida em \u201cPortugal, Hoje: O Medo de Existir\u201d \u2013 Jos\u00e9 Gil, pp.106-107).<\/p>\n<p>Continue a pensar nestas hist\u00f3rias espantosas, porque a vida n\u00e3o tem nada de espantoso?! A justificativa e a chave de leitura para estas e todas as hist\u00f3rias espantosas, encontro-as na arte de repensar do m\u00edstico Anthony de Mello, falecido em 1987: \u201cO melhor te\u00f3logo \u00e9 o que sabe explicar a teologia como Jesus Cristo: por meio de contos, sem conceitos, atrav\u00e9s da vida, como fazia Jesus com as suas par\u00e1bolas e com seus feitos na vida cotidiana\u201d (&#8230;) Nossa voca\u00e7\u00e3o \u00e9 para sermos \u201cCristo\u201d, e n\u00e3o crist\u00e3os. Para sermos sens\u00edveis e abertos para as pessoas e para a vida. Para sermos livres (cfr. hist\u00f3ria n\u00ba1), directos (cfr. hist\u00f3ria n\u00ba2), inconsistentes (cfr. hist\u00f3ria n\u00ba3), imprevis\u00edveis (cfr. hist\u00f3ria n\u00ba4), como Ele foi\u201d (\u201cAuto-liberta\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 Anthony de Mello, SJ, pp.85 e 88). Cada hist\u00f3ria aponta caminhos de liberta\u00e7\u00e3o. Qual \u00e9 o caminho por si escolhido?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. Na porta do c\u00e9u &#8211; Quando o papa Jo\u00e3o Paulo II morreu, foi directo para o c\u00e9u. Bateu com for\u00e7a na porta e uma voz perguntou: \u201c- Quem \u00e9?\u201d \u201c- Sou Jo\u00e3o Paulo, o segundo\u201d. \u201c- Pois v\u00e1 embora, aqui n\u00e3o tem lugar para dois\u201d, disse a voz. 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