{"id":786,"date":"2010-03-03T15:29:00","date_gmt":"2010-03-03T15:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=786"},"modified":"2010-03-03T15:29:00","modified_gmt":"2010-03-03T15:29:00","slug":"cuidado-com-as-travagens-bruscas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/cuidado-com-as-travagens-bruscas\/","title":{"rendered":"Cuidado com as travagens bruscas!"},"content":{"rendered":"<p>A \u00e1rvore de Zaqueu <!--more--> 3.\u00ba DOMINGO DA QUARESMA &#8211; Ano C<\/p>\n<p>\u00abAgarre-se com firmeza!\u00bb \u2013 Um precioso conselho que n\u00e3o devia figurar apenas nos autocarros, para os que gostam de ir em p\u00e9 ou n\u00e3o t\u00eam outro rem\u00e9dio. <\/p>\n<p>O evangelho at\u00e9 se aplica a este tipo de viagens, muito digno e necess\u00e1rio, mas por vezes her\u00f3ico: \u00abJulgais que a desgra\u00e7a s\u00f3 acontece aos outros? E que foi por culpa deles?\u00bb E sublinha que as trag\u00e9dias n\u00e3o s\u00e3o um chicote de Deus \u2013 mas consequ\u00eancias naturais de um conjunto de factores muito pouco ou nada dom\u00e1veis pelo Homem. <\/p>\n<p>S\u00f3 se o acidente \u00e9 causado por imprud\u00eancia ou m\u00e1 educa\u00e7\u00e3o (de certos passageiros e at\u00e9 de alguns guias tur\u00edsticos\u2026), \u00e9 que haver\u00e1 respons\u00e1veis perante todas as pessoas e comunidades feridas. De resto, o natural desejo de coisas novas e arriscadas dar\u00e1 sempre frutos bons e maus.<\/p>\n<p>Pior seria ficarmos satisfeitos e tranquilos com uma situa\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel (como quando nos fazemos \u201cconvenientemente\u201d afiliados num partido ou qualquer tipo de associa\u00e7\u00e3o, ou sabich\u00f5es quanto basta para comprar posi\u00e7\u00e3o e fama\u2026). <\/p>\n<p>Por isso, o ser espica\u00e7ado pela vida garante a const\u00e2ncia no caminhar, quantas vezes pelo deserto e sob o ataque de invejosos.\t<\/p>\n<p>Manifestamente, era obra sobre-humana, a da 1.\u00aa leitura: libertar todo um povo que trabalhava sob a tirania da na\u00e7\u00e3o mais poderosa da hist\u00f3ria antiga, e conduzi-lo por meio de perigos da natureza, ataques de inimigos, e sobretudo contra o des\u00e2nimo e at\u00e9 revolta crescente dos que exigiam uma caminhada sem dificuldades.<\/p>\n<p>Tamanha proeza e t\u00e3o extraordin\u00e1rio recome\u00e7o na vida de um povo precisavam absolutamente de ter o selo divino \u2013 para poder ser contada como se fosse o resultado da vontade de um \u00abDeus criador\u00bb \u2013 incompreens\u00edvel, mas que honestamente reconhecemos como a \u00fanica realidade independente que sustenta a nossa liberdade. Uma realidade que n\u00e3o pode caber nos nossos conceitos \u2013 e por isso n\u00e3o tem nome. Uma realidade que associamos com a luz perfeita, a verdade perfeita, a felicidade perfeita \u2013 e por isso lhe chamamos \u00abDeus\u00bb \u2013 etimologicamente, \u00abo luminoso\u00bb. <\/p>\n<p>A 1.\u00aa leitura testemunha a experi\u00eancia de que Deus \u201cest\u00e1 mas n\u00e3o est\u00e1\u201d. N\u00e3o tem rosto, n\u00e3o tem nome\u2026 \u2013 \u201cn\u00e3o est\u00e1\u201d! Se tivesse rosto e nome, era um de n\u00f3s, por mais importante que fosse. \u201cN\u00e3o est\u00e1\u201d, para que seja o nosso rosto e o nosso nome a estar. Deus esconde-se atr\u00e1s de cada pessoa e de todo o universo. Toda a gente e todo o mundo trazem o fogo de Deus e, como a sar\u00e7a ardente, \u00e9 um fogo que n\u00e3o destr\u00f3i. Muito pelo contr\u00e1rio: \u00e9 o fogo da beleza e da for\u00e7a da humanidade inteira e de todo o universo. \u00c9 o fogo que nos entusiasma a \u00abdar a cara\u00bb para que nunca esmore\u00e7a o projecto de sempre \u00abnova cria\u00e7\u00e3o\u00bb. <\/p>\n<p>\u00c9 interessante verificar que as conhecidas tradu\u00e7\u00f5es \u00abEu sou quem sou\u00bb (nome oculto) ou \u00abEu sou aquele que \u00e9\u00bb (a realidade verdadeira) podem ser substitu\u00eddas por uma terceira: \u00abEu sou quem eu serei\u00bb \u2013 ver\u00e3o quem eu sou, atrav\u00e9s da experi\u00eancia que far\u00e3o da minha presen\u00e7a no pr\u00f3prio agir humano. <\/p>\n<p>O desafio deste projecto obriga-nos a \u00abir de p\u00e9\u00bb e a agarrarmo-nos com firmeza. S\u00f3 que h\u00e1 gente distra\u00edda, ou que se agarra com firmeza a coisas muito pouco firmes\u2026 O pr\u00f3prio S. Paulo lembra que nem os pregadores do evangelho t\u00eam a garantia de n\u00e3o poderem cair (1.\u00aa Cor\u00edntios, 9,27).<\/p>\n<p>Mesmo que o ponto de apoio seja bom, h\u00e1 sempre travagens bruscas \u2013 e, como lembra Jesus Cristo, n\u00e3o s\u00e3o os piores os que sofrem desastres. Ali\u00e1s, s\u00f3 cai quem est\u00e1 em p\u00e9. E para nos curar dos trambolh\u00f5es da vida, n\u00e3o faltar\u00e1 um bom m\u00e9dico como S. Lucas (como tal, defensor ac\u00e9rrimo da vida) a garantir um \u00abhappy end\u00bb: como \u00e0 figueira est\u00e9ril, n\u00e3o nos faltar\u00e1 a oportunidade para tirar proveito de um bom tratamento \u2013 e continuar firmemente em p\u00e9!<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00e1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-786","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/786","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=786"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/786\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=786"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=786"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=786"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}