{"id":7884,"date":"2006-09-21T16:04:00","date_gmt":"2006-09-21T16:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7884"},"modified":"2006-09-21T16:04:00","modified_gmt":"2006-09-21T16:04:00","slug":"viagem-a-alemanha-confirmou-estilo-proprio-e-prioridades-para-o-pontificado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/viagem-a-alemanha-confirmou-estilo-proprio-e-prioridades-para-o-pontificado\/","title":{"rendered":"Viagem \u00e0 Alemanha confirmou estilo pr\u00f3prio e prioridades para o pontificado"},"content":{"rendered":"<p>Um Papa em miss\u00e3o <!--more--> A viagem de Bento XVI \u00e0 Alemanha, de 9 a 14 de Setembro, confirmou um novo estilo de pontificado, com prioridades bem definidas no que diz respeito \u00e0 miss\u00e3o de l\u00edder e refer\u00eancia espiritual de mais de mil milh\u00f5es de cat\u00f3licos em todo o mundo.<\/p>\n<p>Debaixo dos holofotes da opini\u00e3o p\u00fablica desde a sua elei\u00e7\u00e3o, em Abril de 2005, o Papa Ratzinger tem sabido ultrapassar a desconfian\u00e7a e antipatia que alguns sectores, dentro e fora de Igreja, sentiam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua pessoa. Mais do que debitar senten\u00e7as morais ou doutrinais, Bento XVI tem centrado a sua ac\u00e7\u00e3o e os seus discursos numa prega\u00e7\u00e3o dos fundamentos mais b\u00e1sicos da f\u00e9 crist\u00e3 sobre Deus, o mundo e o ser humano, numa linguagem simples, clara e, por isso mesmo, profunda.<\/p>\n<p>As principais interven\u00e7\u00f5es do Papa quiseram colocar Deus no centro da vida das pessoas, em plena crise religiosa no Ocidente, \u201csurdo\u201d ao divino e submerso pelas ondas do relativismo, do laicismo e do secularismo. Embora seja evidente que um l\u00edder espiritual tenha de falar destes temas, as interven\u00e7\u00f5es de Bento XVI suscitaram reac\u00e7\u00f5es fortes e muito diversas na imprensa, mais habituada a ver neste homem um \u201ccombatente\u201d, preferindo coloc\u00e1-lo \u201ccontra\u201d algu\u00e9m a reconhecer o seu esfor\u00e7o de s\u00edntese.<\/p>\n<p>Quando desafiou os cat\u00f3licos a apresentarem ao mundo, de forma clara, o Deus em que acreditam, o Papa sabia que essa f\u00e9 tinha de diferenci\u00e1-los de outros crentes, pelo que n\u00e3o se estranha que tenha falado do que separa o Catolicismo do Isl\u00e3o. A \u201caula\u201d sobre esta mat\u00e9ria poder\u00e1 ter surpreendido, mas esteve longe de querer \u201catacar\u201d fosse quem fosse: a refer\u00eancia \u00e0s diversas culturas religiosas do mundo entra numa linha de abrang\u00eancia, n\u00e3o de conflito, porque o Papa conhece o mundo em que vivem os fi\u00e9is e sabe que nem todos assistem com satisfa\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as no Ocidente, sentindo-se mesmo amea\u00e7ados por elas. <\/p>\n<p>O esfor\u00e7o de fundo em mostrar que \u00e9 concili\u00e1vel ter f\u00e9 e, ao mesmo tempo, fazer uma busca racional de Deus tamb\u00e9m deve ser entendido \u00e0 luz desta linha conciliadora &#8211; que incluiu um encontro com representantes do mundo da ci\u00eancia. Deus est\u00e1 no centro, mesmo quando as respostas se procuram longe dEle.<\/p>\n<p>Aos crist\u00e3os de outras confiss\u00f5es, Bento XVI reafirmou o seu compromisso ecum\u00e9nico, mas, na terra da Reforma, foi com os ortodoxos que ficou a impress\u00e3o de esse caminho de unidade estar mais pr\u00f3ximo. A confirmar nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>Emo\u00e7\u00e3o contra dureza<\/p>\n<p>A viagem \u00e0 Baviera natal n\u00e3o poderia deixar de ter, por outro lado, um cunho pessoal e mais sentimental. Bento XVI n\u00e3o teve pejo em mostrar-se emocionado e evocar as pessoas que mais o marcaram na fase da sua vida em que ali viveu. Esta faceta mais privada do Papa ajuda, de certa forma, a atenuar a imagem de te\u00f3logo duro e implac\u00e1vel que o tem acompanhado.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, nunca como nesta viagem foi Bento XVI, o Papa \u201cprofessor\u201d, t\u00e3o igual a si mesmo, firme e determinado, consciente do que \u00e9 priorit\u00e1rio para a sua miss\u00e3o e para a vida da Igreja, numa sociedade em mudan\u00e7a e que precisa das respostas que os cat\u00f3licos teimam, muitas vezes, em guardar para si.<\/p>\n<p>CV \/ Ecclesia <\/p>\n<p>O que disse o Papa Bento<\/p>\n<p>Em Munique (10 de Setembro), na Eucaristia, perante 250 mil pessoas<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o existe apenas a surdez f\u00edsica, que em grande parte coloca o homem fora da vida social. H\u00e1 uma fraqueza do ouvido \u2013 em rela\u00e7\u00e3o a Deus \u2013 de que sofremos especialmente neste nosso tempo. Pura e simplesmente, j\u00e1 n\u00e3o conseguimos ouvi-Lo\u2026 Aquilo que se diz dEle parece-nos pr\u00e9-cient\u00edfico, ultrapassado. E, com a surdez em rela\u00e7\u00e3o a Deus, perde-se \u2013 naturalmente \u2013 tamb\u00e9m a nossa capacidade de falar com Ele, a Ele. Vem assim a faltar-nos uma percep\u00e7\u00e3o decisiva. Correm o risco de extinguir-se os nossos sentidos interiores. Perdendo esta percep\u00e7\u00e3o, circunscreve-se de modo dr\u00e1stico e perigoso o raio da nossa rela\u00e7\u00e3o com a realidade. Reduz-se, de modo preocupante, o horizonte da nossa vida\u201d.<\/p>\n<p>\u201cObviamente, h\u00e1 quem pense que os projectos sociais devem ser promovidos com toda a urg\u00eancia, ao passo que as coisas que dizem respeito a Deus ou mesmo \u00e0 f\u00e9 cat\u00f3lica seriam de menor import\u00e2ncia\u201d.<\/p>\n<p>Na Bas\u00edlica de Santa Ana (Alt\u00f6tting, 11 de Setembro), <\/p>\n<p>na celebra\u00e7\u00e3o de v\u00e9speras<\/p>\n<p>\u201cQuando os sacerdotes, por causa de grandes compromissos, permitem que o tempo para estar com o Senhor se reduza cada vez mais, perdem a for\u00e7a interior que os sustenta, apesar da sua actividade her\u00f3ica. Aquilo que fazem torna-se um activismo vazio\u201d. <\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 quem est\u00e1 com o Senhor pode conhec\u00ea-lo\u201d.<\/p>\n<p>Em Ratisbona (12 de Setembro), na Eucaristia, <\/p>\n<p>perante 300 mil pessoas<\/p>\n<p>\u201cHoje, que conhecemos as patologias e doen\u00e7as mortais da religi\u00e3o e da raz\u00e3o e as destrui\u00e7\u00f5es da imagem de Deus por causa do \u00f3dio e do fanatismo, \u00e9 importante dizer com clareza em que Deus acreditamos e professar com convic\u00e7\u00e3o o rosto humano de Deus\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA f\u00e9 \u00e9 sempre esperan\u00e7a, \u00e9 certeza de que n\u00f3s temos um futuro e n\u00e3o cairemos no vazio. E a f\u00e9 \u00e9 amor, porque o amor de Deus quer contagiar-nos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQuem acredita nunca est\u00e1 s\u00f3\u201d.<\/p>\n<p>Na Universidade de Ratisbona, onde foi professor<\/p>\n<p>A sociedade ocidental cultiva \u201cuma raz\u00e3o que \u00e9 surda diante do divino e remete a religi\u00e3o para o \u00e2mbito da subcultura\u201d.<\/p>\n<p>O resultado desta atitude \u00e9 uma raz\u00e3o \u201cincapaz de inserir-se no di\u00e1logo das culturas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA difus\u00e3o da f\u00e9 atrav\u00e9s da viol\u00eancia \u00e9 irracional\u201d.<\/p>\n<p>Na ora\u00e7\u00e3o com cat\u00f3licos, protestantes e ortodoxos, <\/p>\n<p>na Catedral de Regensburg<\/p>\n<p>\u201cApesar de o tema do perd\u00e3o rec\u00edproco se mostrar, de novo, em toda a sua urg\u00eancia, por causa dos dram\u00e1ticos acontecimentos do nosso tempo, tem-se pouca consci\u00eancia da necessidade do perd\u00e3o por parte de Deus, da justifica\u00e7\u00e3o por meio dele\u201d.<\/p>\n<p>Na Catedral de Santa Maria (Freising, 14 de Setembro), <\/p>\n<p>onde foi ordenado h\u00e1 55 anos<\/p>\n<p>\u201cJesus n\u00e3o nos chama servos, mas irm\u00e3os. (\u2026) A messe \u00e9 grande, mas poucos s\u00e3o os trabalhadores. Todas as gera\u00e7\u00f5es esperam mais oper\u00e1rios para a messe, e em todas as gera\u00e7\u00f5es surgem novos oper\u00e1rios. Eu tenho o sonho dos homens, de ter mais oper\u00e1rios\u201d (\u2026). O trabalho \u201c\u00e9 fatigante mas muito bom, porque busca o essencial, que \u00e9 Deus\u201d. <\/p>\n<p>No Aeroporto de Munique, antes de regressar a Roma<\/p>\n<p>\u201cImagino o trabalho fatigante de todos quantos voluntariamente ajudaram a esta viagem. Obrigado a todos\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um Papa em miss\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[44],"tags":[],"class_list":["post-7884","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-igreja"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7884","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7884"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7884\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7884"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7884"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7884"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}