{"id":79,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=79"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"crise-de-crescimento-ou-fascinacao-do-vazio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/crise-de-crescimento-ou-fascinacao-do-vazio\/","title":{"rendered":"Crise de crescimento ou fascina\u00e7\u00e3o do vazio?"},"content":{"rendered":"<p>Teilhard de Chardin, um homem de ci\u00eancia, que sofreu muito por ter a ousadia de ver para al\u00e9m do que viam muitos do seu tempo, dizia que, quando ganhamos tranquilidade no meio do bul\u00edcio exterior que nos envolve, quer estejamos s\u00f3s, quer com gente que sintoniza connosco, facilmente nos damos conta de que a humanidade se encontra numa larga travessia de crise de crescimento. <\/p>\n<p>Sublinho o cuidado com que explicita, que um t\u00e3o l\u00facido e consequente diagn\u00f3stico necessita de tranquilidade interior e de distanciamento, que permitam observar as pessoas e os acontecimentos que tecem a hist\u00f3ria, e comparar, valorar e perscrutar o sentido que as coisas v\u00e3o tendo ou v\u00e3o perdendo, pela sua caminhada no tempo.<\/p>\n<p>Cada vez se pensa menos e, muita gente, quando pensa, no seu horizonte n\u00e3o cabem mais que os interesses materiais a satisfazer ou a defender. Sem conte\u00fados reflectidos que as alimentem, as vidas tornam-se cada vez mais vazias, os sentimentos mais superficiais, os interesses mais conflituosos, as pessoas menos pessoas. <\/p>\n<p>A crise de crescimento, numa \u00f3ptica positiva, pressup\u00f5e luta, compreens\u00e3o e enfrentamento dos conflitos, pessoais e sociais, pressup\u00f5e avalia\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es, projectos em ac\u00e7\u00e3o, resist\u00eancia para n\u00e3o desistir. Em tudo isto \u00e9 importante que haja um crescimento que se oriente para a maturidade.<\/p>\n<p>O cientista jesu\u00edta, na sua vis\u00e3o de lince, olhou o mundo e a humanidade a partir da riqueza \u00edmpar da sua origem, apreciou a sua caminhada hist\u00f3rica com as vicissitudes por que foi e vai passando, e anteviu, por fim, um ponto alto sempre em realiza\u00e7\u00e3o e aperfei\u00e7oamento, a denunciar crescimento e  afirma\u00e7\u00e3o.  A crise significa, assim, a permanente tend\u00eancia para a harmonia inicial que conta, por certo, com a colabora\u00e7\u00e3o inteligente e permanente de pessoas, conscientes da sua miss\u00e3o e livres para nela se inserirem sem constrangimentos.<\/p>\n<p>Pessoas conscientes e livres n\u00e3o se inventam, nem s\u00e3o uma esp\u00e9cie rara que, por cond\u00e3o, apenas comporta uns tantos privilegiados. A consci\u00eancia e a liberdade s\u00e3o dons com que a natureza brinda a todos. H\u00e1 que cultiv\u00e1-los e torn\u00e1-los \u00fateis e construtivos, o que n\u00e3o se compadece com uma sociedade de palpites e opini\u00f5es de rua, de pr\u00e9mios sem cultura nem trabalho, de ganhos por acaso, da obsess\u00e3o do econ\u00f3mico a fazer a cobertura de todos os valores. <\/p>\n<p>Uma sociedade a desfazer-se por falta de resist\u00eancias morais e \u00e9ticas n\u00e3o ser\u00e1 nunca parte da solu\u00e7\u00e3o, mas ser\u00e1, antes, parte da sua pr\u00f3pria crise.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Teilhard de Chardin, um homem de ci\u00eancia, que sofreu muito por ter a ousadia de ver para al\u00e9m do que viam muitos do seu tempo, dizia que, quando ganhamos tranquilidade no meio do bul\u00edcio exterior que nos envolve, quer estejamos s\u00f3s, quer com gente que sintoniza connosco, facilmente nos damos conta de que a humanidade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-79","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}