{"id":7914,"date":"2006-09-21T17:11:00","date_gmt":"2006-09-21T17:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=7914"},"modified":"2006-09-21T17:11:00","modified_gmt":"2006-09-21T17:11:00","slug":"quando-na-educacao-o-amor-e-exigencia-de-seriedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/quando-na-educacao-o-amor-e-exigencia-de-seriedade\/","title":{"rendered":"Quando na educa\u00e7\u00e3o o amor \u00e9 exig\u00eancia de seriedade"},"content":{"rendered":"<p>Li e recortei, com a inten\u00e7\u00e3o de fazer eco deste facto no in\u00edcio do novo ano escolar. C\u00e1 estou a concretizar o prop\u00f3sito. Fala-se de uma atitude que contradiz a mentalidade corrente e, por isso, merece maior men\u00e7\u00e3o, pela sua actualidade, import\u00e2ncia e sentido.<\/p>\n<p>Veio publicado no jornal P\u00fablico (28.04.2006), em editorial do seu director. Trata-se de um pai que, ao levar o seu filho \u00e0 escola, para iniciar a aprendizagem, pede ao professor, entre outras coisas, as que seguem: <\/p>\n<p>\u201cFa\u00e7a-o aprender que nem todos os homens s\u00e3o justos, nem todos s\u00e3o verdadeiros, mas, por favor, diga-lhe que por cada vil\u00e3o h\u00e1 um her\u00f3i, que por cada ego\u00edsta h\u00e1 tamb\u00e9m um l\u00edder dedicado. Ensine-lhe que por cada inimigo h\u00e1 tamb\u00e9m um amigo; ensine-lhe que vale mais uma moeda ganha que uma moeda encontrada; ensine-o a perder, mas tamb\u00e9m a gozar a vit\u00f3ria. Fa\u00e7a-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o tamb\u00e9m perder-se com os p\u00e1ssaros do c\u00e9u, as flores do campo, os montes e os vales. Ensine-o a acreditar em si pr\u00f3prio, mesmo se sozinho contra todos; ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros tamb\u00e9m entraram; ensine-o a ouvir a todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho; ensine-o a rir quando est\u00e1 triste e explique-lhe que, por vezes, os homens tamb\u00e9m choram; ensine-o a ignorar as multid\u00f5es que reclamam sangue e a lutar s\u00f3 contra todos, se ele achar que tem raz\u00e3o\u2026\u201d<\/p>\n<p>O pai que fazia todos estes pedidos ao professor do seu filho foi Abraham Lincoln, 16\u00ba presidente dos EUA. Deixou marcas importantes na hist\u00f3ria do seu pa\u00eds, como a luta contra a escravatura, que lhe valeram persegui\u00e7\u00e3o e morte. Um homem com dimens\u00e3o.<\/p>\n<p>Ouvimos, por estes dias, projectos que falam de uma escola para todos, capaz de preparar os alunos para a vida profissional, de modo a ter resultados que honrem o pa\u00eds. Projectos que formem pessoas e as ajudem a ser e n\u00e3o apenas a fazer, passam pouco na conversa dos pais e dos mais respons\u00e1veis. A escola que n\u00e3o ajuda a fazer homens abertos e respons\u00e1veis, capazes de colaborar, de dialogar e de conviver, de crescer de modo harm\u00f3nico, capazes de admirar os outros e a beleza da natureza, s\u00e9rios e cr\u00edticos, n\u00e3o realiza a sua fun\u00e7\u00e3o. Isto obriga a escola a rever o que \u00e9, o que faz, como e quem o faz e qual o sentido. Remendos em vestido velho n\u00e3o o tornam novo. <\/p>\n<p>Ensinar para os exames e para as estat\u00edsticas, de c\u00e1 e de fora, \u00e9 t\u00e3o pouco que \u00e9 nada. Quando haver\u00e1 coragem, no fim de cada ano, para examinar o desenvolvimento da personalidade, a capacidade de rela\u00e7\u00e3o, o amor ao trabalho, o grau de responsabilidade, o respeito pelos outros, a sensibilidade \u00e0 injusti\u00e7a e \u00e0 mentira, o sentido cr\u00edtico com base em valores? Lincoln queria que o filho fosse um homem equilibrado e sens\u00edvel e pedia \u00e0 escola que o ajudasse nesse sentido. H\u00e1 pais que o que querem hoje \u00e9 que o filho passe, mesmo que n\u00e3o saiba, e arranje depressa emprego, mesmo que tenha de passar por cima de outros, mais capazes e competentes. <\/p>\n<p>Quem saiba apreciar dizeres e projectos de governantes, lutas de sindicatos,  preocupa\u00e7\u00f5es de pais, e v\u00e1 conjugando o seu ju\u00edzo com as atitudes negativas e desinteressadas do dia a dia por parte de muitos professores e alunos, se tem alguma esperan\u00e7a  num futuro positivo para a sociedade, n\u00e3o pode deixar de ficar preocupado.<\/p>\n<p>O futuro joga-se, socialmente, em grande parte na fam\u00edlia e na escola. Duas aliadas que n\u00e3o se podem separar, nem ignorar. N\u00e3o podem caminhar paralelas e muito menos agredindo-se mutuamente. Por infelicidade, quem vai fazendo hist\u00f3ria s\u00e3o as minorias protegidas. O comum das pessoas sensatas, que s\u00e3o a grande maioria, deixou de ser considerado. O pa\u00eds pagar\u00e1 pre\u00e7o elevado pelas in\u00e9rcias, miopias e press\u00f5es sociais que atingem o nosso sistema educativo, mesmo com a justeza da algumas medidas tomadas.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Li e recortei, com a inten\u00e7\u00e3o de fazer eco deste facto no in\u00edcio do novo ano escolar. C\u00e1 estou a concretizar o prop\u00f3sito. Fala-se de uma atitude que contradiz a mentalidade corrente e, por isso, merece maior men\u00e7\u00e3o, pela sua actualidade, import\u00e2ncia e sentido. Veio publicado no jornal P\u00fablico (28.04.2006), em editorial do seu director. 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